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Cultura Local > História de Góis em Datas
A burguesia agrária (1832 – 1658)
História de Góis em datas
Última alteração: 9/05/2008
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Com a morte de D. Luís da Silveira II, terceiro Conde de Sortelha, em 1617, vai terminar um ciclo da História de Góis. Não tinha tido filhos varões e o senhorio seria administrado pelas suas filhas durante mais de quatro décadas, passando depois para a família do seu genro D. Pedro Luís de Lencastre, 4º Conde de Vila Nova. Era novos Senhores que, ao contrário dos anteriores, pouco lhes diziam as terras de Góis.
Tinha decorrido o domínio filipino. E em 1640, restaurada que foi a legítima sucessão do trono português, após uma Guerra que absorveu grande parte dos recursos do país, Portugal entrava em grande depressão económica, até à chegada do ouro brasileiro, reflectindo-se na sua estrutura social. À medida que a nobreza ia sofrendo um abaixamento geral, quer das condições patrimoniais, quer da sua própria identificação nobiliária, há uma nova classe burguesa que se constitui, endinheirada, fora do círculo da corte, numa prática capitalista de exploração dos recursos da terra, assente na rentabilidade e no lucro.
Em Góis, desponta essa burguesia agrária. Aqui vivendo e investindo, vai criando riqueza e torna-se o núcleo das personalidades com maior força política local, ocupando em parte o espaço dos Senhores nobres. Pero Rodrigues Barreto, pelo legado que nos deixou, é o rosto que marca o início deste ciclo de ascensão da nova burguesia.
Constituíram-se assim, ao longo dos séculos XVII e XVIII, domínios fundiários, alguns com grandes casas agrícolas e morgados, sem se verificarem cruzamentos com a nobreza de linhagem, que procurava refazer as suas vidas, unindo-se à burguesia rural, como aconteceu noutras zonas do país.
Até à implantação da Monarquia Constitucional, que trouxe a abolição dos morgados e a extinção dos privilégios, Góis foi acompanhando a evolução económica e social. Surgem empreendimentos industriais, como o de fiar e tecer burel, nos séculos XVII e XVIII, com máquinas laborando em algumas povoações da freguesia de Alvares, e o de fabrico de papel, já nos inícios do XIX, nas margens do rio Sotam.
No campo humanitário, o Hospital de Góis prosseguia a sua valorosa missão de assistência, colocando Góis na rota dos peregrinos, ao mesmo tempo que, no século XVII, se criavam a Irmandade das Almas, que, juntamente com a da Misericórdia, prestava amparo espiritual, e a instituição da Roda, já em meados do XVIII, tratando das crianças abandonadas.
Por muitas aldeias erguiam-se pequenas capelas, sob a protecção de santos populares.Mas já no crepúsculo do velho regime, o concelho viria a sofrer os efeitos das invasões francesas, depauperando o seu património
(Em Março de 1832, o rei D. Pedro, em Angra do Heroísmo, proclama-se regente provisório do reino e, em 8 de Julho, o seu exército desembarca em Mindelo, a caminho da implantação de um estado liberal)
1832
25 de Janeiro – Francisco Barreto Botelho Chichorro Vilas Boas é nomeado, por D. Miguel, Capitão-Mór de Góis. Compete-lhe dirigir o comando das ordenanças da zona e fazer a respectiva preparação militar. Chefia um batalhão de voluntários miguelistas, “regularmente fardado”, com sede na sua Quinta da Capela. Viria a participar em algumas acções.
1828
Terminou a questão das águas de Campelo, na freguesia da Várzea de Góis, que desde 1742, durante 86 anos, tem envolvido muita gente e lugares.
Julho – Com o regresso de D. Miguel a Portugal, em Fevereiro passado, rebentaram revoltas liberais por todo o país. No concelho, tem havido lutas e assaltos a várias casas. Este mês foram presos, entre outros, os irmãos José Joaquim de Paula e Joaquim José de Paula, proprietários da fábrica de papel, o médico Dr. Joaquim José Dias Correia, o boticário Manuel Ferreira Neves e o alfaiate Madeira.
26 de Março – Morre D. Pedro de Lencastre da Silveira Castelo Branco Sá e Meneses, 5º Marquez de Abrantes, 7º Conde de Vila Nova, Senhor de Góis (ver ano 1762). Era casado com Maria Joana Xavier de Lima.
1827
11 de Fevereiro – Morre D. José Maria da Piedade de Lencastre Silveira Castelo Branco Almeida Sá e Meneses, 6º Marquez de Abrantes, 8º Conde de Vila Nova, Senhor de Góis (ver ano 1784). Era casado com Helena de Vasconcelos e Sousa
1821
Fundada uma fábrica de papel em Ponte do Sotam, por dois irmãos José Joaquim de Paula e José Maria de Paula.
1816
23 de Outubro – Nasce Pedro José Maria de Lencastre, filho de D. José Maria da Piedade de Lencastre Silveira Castelo Branco Almeida Sá e Meneses, 6º Marquez de Abrantes e 8º Conde de Vila Nova, e de Maria Joana Xavier de Lima. Seu avô, D. Pedro de Lencastre, 5º Marquês de Abrantes e 7º Conde de Vila Nova é actualmente o donatário das terras de Góis.
1811
Depois da passagem dos franceses pelo nosso concelho, os ingleses, que os perseguiam, também fizeram “toda a espécie de tropelias e latrocínios”, segundo relato de uma testemunha.
Abril – Actualmente há oito padres em Góis: o vigário Francisco de Rodrigues de Almeida, o capelão do hospital Manuel Francisco Moniz, e mais seis, estes como ecónomos e beneficiados da colegiada.
14 de Março – Entrada das tropas francesas na povoação de Ádela, seguindo depois por Açor, Colmeal, Sobral, em direcção a Celaviza. Foram cometidas muitas atrocidades.
Fevereiro – As tropas francesas, na sua retirada para Espanha, atravessaram o nosso concelho, nos dias 14, 15 e 16 deste mês, roubando gado e alimentos, e “fazendo as barbaridades do costume”, em Góis, Várzea e outras povoações. Na freguesia de Góis terão sido mortas 14 pessoas. A Igreja Matriz e algumas capelas foram muito danificadas, tendo sido roubados objectos valiosos.
1810
Junho – Deu-se este ano a terceira invasão francesa, comandada pelo marechal Massena, que entrou em Portugal pela Beira Alta. Na defesa de Almeida, tomada pelos franceses no dia 15, esteve um regimento de Arganil, que incluía uma força de Góis. No seu avanço em direcção a Coimbra, as tropas francesas saquearam a região de Góis.
1799
Segundo consta no Tombo dos Morgados da Casa de Abrantes, faz parte dos bens do município um pelourinho situado no meio da Praça de Góis. Sobe-se por quatro lados com cinco degraus, e está encimado com as armas dos Senhores do Morgado de Góis.
4 de Dezembro – Foi concluído o tombo dos morgados da Casa de Abrantes, pertencentes a Góis e Celaviza, feito a pedido senhor de Góis, Dom Pedro de Lencastre da Silveira Castelo Branco Almeida Sá e
22 de Setembro – Reconhecimento, pelos habitantes do Lugar de Sobral, da vila de Celaviza e seu termo, e do seu donatário, Marquês de Abrantes.
2 de Setembo – Reconhecimento dos limites dos Lugares do Colmeal, Carvalhal do Sapo, Aldeia Velha, Reçaio e Revelia, da freguesia do Colmeal.
19 de Agosto – Reconhecimento dos limites dos Lugares de Souto, Malhada, Foz da Cova, Foz de Carrimá e Portal, da freguesia do Colmeal. Os Lugares de Boiças e Vale Sobeiro, igualmente reconhecidos como pertença de Góis, não estão na freguesia do Colmeal, mas sim na de Fajão.
1796
20 de Maio – Faleceu na Várzea, com 69 anos de idade, Luís António Barata Lopes de Carvalho, o primeiro administrador do morgado da casa da Costeira, que tinha sido instituído pelo seu tio, abade Dr. Bento Lopes de Carvalho (ver ano 1759).
1794
5 de Maio – D. Pedro de Lencastre Sá e Meneses, Marquez de Abrantes, senhor de Góis, arrenda terrenos da Oitava, ao proprietário da capela de Santo António (das Neves), pelo preço de uma arroba de neve, colocada na corte.
1786
Tem prosseguido o negócio do fabrico de gelo, a partir da neve que se deposita na Serra do Pereiro, junto à extrema do concelho.
Julião Pereira de Castro, neveiro da Casa Real, manda fazer, naquela serra, em terrenos que são seus, a capela de Santo António de Lisboa.
1784
26 de Março – É desta data o primeiro registo de uma criança exposta na Roda de Góis: é do sexo masculino, H. Benedito, que apareceu à porta de João Gonçalves, da Alagoa. Foi entregue ao Juiz de Góis, Bernardo Leitão de Figueiredo.
7 de Fevereiro – Nasce José Maria de Lencastre, filho de D. Pedro de Lencastre da Silveira Castelo Branco Sá e Meneses, Senhor de Góis (ver ano 1828), e de Maria Joana Xavier de Lima.
1771
23 de Maio – Morre D. José Maria Gregório Xavier de Lencastre, Conde de Vila Nova de Portimão, Senhor de Góis (ver ano 1742).
1765
No vizinho concelho de Alvares, é constituída a Confraria do Santíssimo.
1762
28 de Julho – Nasce Pedro de Lencastre, filho do Conde D. José Maria Gregório Xavier de Lencastre, Senhor de Góis (ver ano 1771), e de Maria da Conceição e Lencastre.
1759
29 de Maio – Morre, com 76 anos de idade, o abade Dr. Bento Lopes de Carvalho. Era natural de Góis e foi vigário da igreja de S. Pedro da Várzea, paroquiando a respectiva freguesia durante 22 anos. Foi fundador da Casa da Costeira e respectivo morgadio, pelo seu testamento datado do dia dois deste mês.
1755
1 de Novembro (Dia de todos os Santos) – Houve em Lisboa um grande terramoto, que destruiu parte da cidade e foi registado noutras zonas do país. Segundo informou o pároco João Rodrigues de Sousa, da Várzea de Góis, nas suas Informações Paroquiais, o abalo sísmico foi sentido pelas 9 e ¾ da manhã quando estava a dar a comunhão, tendo feito aumentar as fendas das paredes da torre, que existiam há já uns anos.
1752
29 de Maio – Morre D. Pedro de Lencastre, 5º Conde de Vila Nova, Senhor de Góis (ver ano 1697).
1745
16 de Maio – A Câmara Municipal, juntamente com o vigário e outros representantes locais, deliberou ceder à família Sanches a administração da Capela de S. Paulo, no bairro do mesmo nome, por necessitar de muitas obras, exigidas pelas autoridades eclesiásticas. A Capela era do povo.
1742
26 de Fevereiro – Morre Isabel de Lencastre, senhorio das terras de Góis, com 28 anos de idade (ver ano 1713). Era casada com D. Manuel Rafael de Távora. O seu único filho, José Maria, que a sucederá no senhorio, tinha nascido apenas há 13 dias.
13 de Fevereiro – Nasce José Maria Gregório Xavier de Lencastre, filho de D. Manuel Rafael de Távora e de Isabel de Lencastre, Senhor de Góis.
1726
20 de Janeiro – Morre na Várzea, solteira, com 68 anos de idade, Mariana Rebelo Barata, que constituíra o morgado da Casa da Cancela, ao Mártir (ver ano 1716).
1722
15 de Janeiro – Realizou-se o casamento de Luís António Barata Neto, morgado da Casa de Cancela (da Várzea de S. Sebastião), com Ana Catarina de Carvalho, irmã do Padre Dr. Bento Lopes de Carvalho, que tem estado a paroquiar esta freguesia desde 1709. Este casamento, ligando as Casas de Cancela e da Costeira, foi um grande acontecimento social na freguesia.
1721
23 de Maio – O Pároco Pedro das Neves, da freguesia de S. Mateus da vila de Alvares, do concelho vizinho de Alvares, respondendo a um inquérito do Cabido de Coimbra, dá conhecimento que, na sua freguesia, há treze ermidas. Três delas são particulares: as de S. Caetano e de S. António, instituídas, respectivamente, por Simão Diogo Barreto e Silvestre Vaz, ambas na vila, e a de Nossa Senhora da Memória, instituída por Luís Borges, no Lugar de Padrões. As restantes são do povo. Diz também que não há Casa de Misericórdia, hospital, nem qualquer recolhimento.
15 de Maio
Respondendo às “Inquirições Paroquiais”, o vigário da freguesia da Várzea de Góis, Dr. Bento Lopes de Carvalho indicou que, na sua freguesia, além da igreja matriz (que tem somente a capela-mor e dois altares colaterais e sem relíquia alguma insigne), há dez ermidas todas do povo, entre elas, a da Senhora da Candosa, com a sua imagem milagrosa e de “invoção” muito antiga. Informou também que a freguesia tem 140 moradores e não tem mosteiro, recolhimento, nem hospital ou casa de misericórdia.
12 de Maio – O Pároco de Góis informa a Academia Real de História que, na freguesia de Góis, há 22 capelas e ermidas, incluindo a do Hospital e a da Misericórdia. Três foram instituídas pelos Senhores de Góis, outra por António Rodrigues Barreto e as restantes pelo povo. Diz também que a imagem com maior frequência é a de Santo Cristo, por ser milagrosa, a qual se encontra num dos altares colaterais da Igreja de Góis.
1718
14 de Abril – A Santa Casa da Misericórdia de Góis decide reconstruir de novo a sua Igreja, por as paredes ameaçarem ruir (ver ano 1598).
1716
11 de Outubro – Mariana Rebelo Barata constitui o morgado da Casa da Cancela, na Várzea de S. Sebastião, por testamento desta data, a favor do seu irmão Manuel Barata Neto.
1713
2 de Abril – Nasce Isabel de Lencastre, filha de D. Pedro de Lencastre da Silveira Valente Castelo Branco Barreto e Meneses, 5º Conde Vila Nova, Senhor de Góis, e de Maria Sofia de Lencastre, filha de D. Rodrigo Eanes de Sá Almeida e Meneses, 1º Marquez de Abrantes.
1704
1 de Janeiro – Morre D. Luís de Lencastre, 4º Conde de Figueiró, 4º Conde de Vila Nova, Senhor de Góis (ver ano 1644), o primeiro após a “dinastia” Silveira.
1697
4 de Abril – Nasce Pedro de Lencastre, filho de D. Luís de Lencastre, Senhor de Góis, e de Madalena Teresa de Noronha.
1660
25 de Outubro – Morre o padre António Belo Veloso, que vinha paroquiando a freguesia da Várzea de Góis desde 18 de Dezembro de 1652.