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Cinema > Estudios Famosos
A origem do mais famoso estúdio cinematográfico americano, o MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), remonta a 1924, quando a cadeia de cinema Loew’s, de propriedade do magnata dos cinemas Marcus Loew, adquire a rival Metro Picture Corporation (fundada em 1915), e mais tarde as produtoras Goldwyn Picture Corporation (fundada em 1917 por Samuel Goldwyn) e Louis B. Mayer Pictures Corporation (fundada em 1918 por Louis B. Mayer). Desta fusão nasceu a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), que controlava todos os aspectos do negócio cinematográfico: produção, distribuição e exibição e que, sob a direcção de Louis B. Mayer e Irving Thalberg tornar-se-ia no maior estúdio de Hollywood durante os anos 30 e 40. A grande força da MGM residia na sua constelação de estrelas que incluía nomes como Clark Gable, Greta Garbo, Spencer Tracy, Joan Crawford, Judy Garland, Elizabeth Taylor, Jean Harlow, entre muitos outros, além das instalações mais luxuosas, fazia os filmes de maior prestígio da época. Durante este período, o logotipo da MGM um leão envolvido pela expressão Ars Gratia Artis (Arte pelo amor da arte), utilizado pela primeira vez em 1928, era sinônimo da maior qualidade cinematográfica. O sucesso do estúdio neste período inicial deveu-se muito a Thalberg cuja aposta em produções de grande qualidade permitiu a realização de filmes como Ben-Hur (1959), The Big Parade, Grand Hotel (1932), Mutiny on the Bounty (1935), The Great Ziegfeld, entre muitos outros. Após a sua morte, o estúdio continuou a produção de filmes de qualidade, mas a aposta centrou-se mais em filmes de entretenimento do que em adaptações literárias. São deste período filmes como Mágico de Oz, o Vento Levou, Casamento Escandaloso, entre outros. Mas do estúdio também saíam filmes de menor orçamento, mas de grande sucesso junto do público como as séries Andy Hardy, Dr. Kildare e Tarzan. Com esta estratégia e sempre sob o comando de Louis B. Mayer, a MGM conseguiu dominar a indústria cinematográfica até o final da Segunda Guerra Mundial, produzindo entre 40 e 50 filmes por ano, quase todos sucessos de bilheteira. O período do pós-guerra marca uma virada no gosto do público, a televisão começa a inundar os lares americanos e assiste-se ao envelhecimento das estrelas da MGM. O estúdio, já sem a direção de Louis B. Mayer, é assolado por problemas internos. Consequentemente, a Loew’s se desfaz da MGM e esta fica sem acesso exclusivo à cadeia de salas de cinema, perdendo sua fonte principal de financiamento. Sob o comando de Dore Schary, chefe de produção de Mayer, o estúdio produz uma série de filmes de baixo orçamento como The Asphalt Jungle, algumas comédias de grande qualidade e dramas como Julius Caesar. Mas o gênero que permitiu ao estúdio manter a sua predominância durante os anos 40 e 50, foi o musical. Com talentos como os realizadores Vincente Minnelli e Stanley Donen e os atores Fred Astaire, Gene Kelly, Judy Garland, Frank Sinatra, entre outros, o estúdio produziu filmes tão memoráveis como: On The Town, Um Americano em Paris, Cantando na Chuva, e Sete Noivas Para Sete Irmãos. Nos anos 60 ocorre uma grande queda em termos de público e um aumento dos custos de produção que atinge toda a indústria cinematográfica, incluindo a MGM. Em 1970, o estúdio é adquirido por Kirk Kerkorian, um milionário ligado aos casinos de Las Vegas, que designa um antigo produtor de televisão como presidente do estúdio. A nova direção da MGM inicia um conjunto de medidas de contenção, que passam pela redução de pessoal e de custos de produção, assim como pela lendária venda de milhares de adereços e guarda-roupa que constituíam a memória do estúdio. Em 1973, a MGM deixa de distribuir seus próprios filmes, licenciando-os à United Artists no mercado americano e à CIC no resto do mundo. No final da década de 70, a empresa continua a prosperar, graças a investimentos diversificados, nomeadamente em hotéis e casinos em Las Vegas e Reno. Em 1986 a Turner Broadcasting System, empresa de Ted Turner ligada à tv por cabo, adquire a MGM/UA por cerca de $1.5 bilhões de dólares, vendendo logo de seguida a United Artists e as empresas de produção e distribuição de filmes e tv da MGM a uma empresa de Kirk Kerkorian. Os estúdios da MGM foram vendidos à Lorimar-Telepictures, levando ao encerramento em 1989 dos famosos laboratórios Metrocolor, depois de mais de 50 anos de funcionamento. Neste negócio, os filmes da Metro foram vendidos para Ted Turner que os relançou em vídeo e em seus canais a cabo (nos anos 90 eles passaram para a Warner como parte da fusão da Turner com a Warner). A marca MGM era tão forte, a ponto da Disney tê-la comprado como franchising em 1989 quando abriram um estúdio temático turistas na Flórida. A MGM foi comprada em 2004 por um consórcio de empresas comandado pelo grupo japonês Sony Pictures Entertainment, proprietária do estúdio Columbia Pictures, e do grupo norte-americano Comcast Corporation. Com esta aquisição, a MGM deixa de ser uma empresa cinematográfica que produz e distribui os seus filmes e passa a ser apenas uma marca no universo da Sony. Terminam, assim, mais de 80 anos de vida do mais emblemático estúdio de Hollywood e cuja existência se confunde com a própria história do cinema.
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