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No tempo da I República (1926-1910)

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História de Góis em datas

Última actualização:
09/05/2008
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Em 5 de Outubro de 1910 é Proclamada a República, dando continuação a um longo período de forte perturbação social e política, que se iniciara com o regicídio em 1908 e que só terminaria com o golpe de estado de 28 Maio de 1926. Localmente, a sociedade política fica fortemente dividida, não apenas entre republicanos e monárquicos, como entre as correntes ideológicas.Depois da constituição de 1911, estabelecia-se em cada concelho uma Câmara eleita por sufrágio universal, por períodos de três anos, com funções essencialmente deliberativas, a qual elegia uma Comissão Executiva para as funções executivas. Era um sistema inédito na nossa Administração, em que a personalidade forte do Município passava a ser, em vez do Presidente da Câmara, o Presidente da Comissão Executiva, não eleito pelo povo. Dividiram-se os concelhos em três ordens, de acordo com a população residente e com as possibilidades fiscais; o de Góis, de 3ª ordem, ficou com dezasseis vereadores e a Comissão Executiva com cinco membros.Este sistema de Comissão Executiva ia durar até ao final da primeira república. Apenas seria interrompido durante o governo de duas ditaduras efémeras (a de Pimenta de Castro, em 1915, e a de Sidónio Pais, em 1917), durante as quais seriam nomeadas comissões administrativas.Na década de 20, em que em que imperava uma grande falta de trabalho, a extracção da resina foi uma actividade relevante, que ocupou muita mão-de-obra. Na zona de Chã de Alvares, quatro fábricas laboravam na sua destilação, com reflexos na economia da freguesia.


(28 de Maio de 1926 – golpe militar, pondo termo à I República)


1926
2 de Abril – Realizou-se hoje, Sexta Feira Santa, o Sermão do Descendimento, a que seguiu a Procissão do Enterro paras a capela do Mártir, com incorporação das duas irmandades da vila. Esta cerimónia comemorativa da Paixão de Jesus não se fazia há muitos anos. A Marcha Fúnebre foi executada pela Filarmónica Independente, há muito dissolvida, e que se preparou propositadamente para este dia.



22 de Fevereiro
– Morre Artur Augusto Cortez, natural da Várzea Grande, ex - Presidente da Câmara Municipal (ver anos 1908 e 1923). Era director da Filarmónica Varzeense e Provedor da Santa Casa da Misericórdia

Janeiro – Foi colocada em Góis, como chefe da estação telégrafo-postal, D. Preciosa Mourisca Negrão.

1925
Têm prosseguido os trabalhos de construção do lanço de caminho-de-ferro entre Lousã a Góis (ver anos 1888 e 1906). Há três anos que as expropriações dos terrenos, no concelho de Góis, estão praticamente feitas. Por esse motivo, reina um clima de optimismo no concelho, investindo-se na abertura de novas casas comerciais e em projectos de instalação de indústrias.

Novembro –
Dado conhecimento que se vai fazer a ligação telefónica do concelho de Góis a Coimbra.

22 de Novembro – Realizadas as eleições municipais. Não houve oposição à lista vencedora, que escolheu, para Presidente da Câmara Municipal o Padre Francisco Pereira Pinto. Dr. José Afonso Baeta Neves continua (desde 1920), a presidir a Comissão Executiva.

22 de Novembro – O padre Josué Ferreira Lopes, que vinha paroquiando a freguesia de Vila Nova do Ceira desde 3 de Maio de 1915, foi substituído pelo padre Caetano Lucas dos Reis.

23 de Outubro – No novo animatógrafo de Góis foi passado o filme, em oito partes, “A Vida de Cristo”. Nesta sessão, actuou a nova orquestra, cuja criação se deve ao Eng. Álvaro Dias Nogueira, que ficará, de início, a regê-la. De futuro, passará a haver aos domingos duas sessões de cinema: no final da manhã para as pessoas que vêm de fora para o mercado, à noite, como de costume, destinada ao público da vila.

Agosto – Decorreram, nos dias 28, 29 e 30 deste mês, os festejos em honra de Santo António, uma festa de grandes tradições, atraindo muitos forasteiros. A imprensa da região refere que vieram a Góis cerca de 7000 pessoas.

3 de Maio
– Foram eleitos os corpos sociais do recente Clube Recreativo de Góis. Eng. Álvaro de Paula Dias Nogueira é o Presidente da Direcção e Dr. José Afonso Baeta Neves Presidente da Assembleia Geral.

1924
O Brasil voltou a ser um pólo de atracção para os goienses, que para ali têm estado a emigrar.

Outubro
– Dr. Diogo Barata Cortez adquire o primeiro aparelho de TSF na vila, o que causou sensação na sociedade local.



1 de Maio
– Por decreto desta data, são considerados monumentos nacionais, os tectos pintados da Casa da Quinta, um edifício que, desde 1914, tem estado alugado à Câmara Municipal.

1923
Desde meados da década passada que Francisco Inácio Dias Nogueira, correspondente em Góis do jornal A Comarca de Arganil, com as secções “Política de Góis” e “Cartas de Góis” (assina-as com X, mas não se esconde no anonimato), tem publicado vivas crónicas sobre factos da sociedade local, muitas delas, autênticos libelos contra políticos e não só.
É uma época em que a imprensa local tem franqueado as suas colunas aos leitores, permitindo a crítica e uma livre troca de ideias, aberta e democrática.

Constituída a Comissão de Melhoramentos de Roda Cimeira, a primeira instituição regionalista do concelho de que se tem conhecimento. Em 1 de Novembro de 1928, daria origem à Sociedade Melhoramentos de Roda Cimeira.

2 de Setembro – Realizou-se hoje a festa da Irmandade do Santíssimo Sacramento, que é presidida por Óscar da Silva Cardal. Na missa solene, foi ministrada a comunhão a mais de 150 crianças.

15 de Julho – Realizou-se neste dia a festa da Irmandade das Almas (ver ano 1642), que é presidida por Aquiles Gonçalves da Cunha. Há anos que qualquer das duas Confrarias da vila não realizava a sua festividade anual.

2 de Julho – Numa grande festa realizada na Companhia de Papel de Góis, em Ponte do Sotam, apresentou-se o recente Rancho de Góis, organizado por Óscar da Silva Cabral, que faria também sucesso nas ruas de Góis.

1922
12 de Novembro – Eleições muito disputadas e vivas, entre dois grupos rivais, encabeçados por “monárquicos”, de fracções opostas. Ganharam os liberais e independentes, do Dr. Diogo Barata Cortez, com 509 votos, contra a lista dos democráticos e reconstituintes, do Dr. Mário Nogueira Ramos, com 255 votos. Artur Augusto Cortez seria eleito para Presidente da Câmara Municipal e Dr. José Afonso Baeta Neves para Presidente da Comissão Executiva.

Manuel Pedro Aleixo inicia a sua actividade na indústria resinosa, em Chã de Alvares.


Morre José Barata Rodrigues, com 81 anos de idade, natural da Várzea Grande. Foi Presidente da Câmara Municipal (ver 1917) e da Junta de Freguesia. Industrial em Fonte do Soito, nos ramos de madeira e lanifícios.

3 de Setembro – Realizou-se a habitual festa religiosa da freguesia do Colmeal. A imagem do Senhor da Amargura, o Senhor dos Passos para os colmealenses, transportada da sua capela nas Seladas (inaugurada em 1893), para a igreja matriz, seguia à frente de 70 crianças que comungavam pela 1ª vez.



5 de Agosto
– Morre Carlos Maria Cortez, de 45 anos de idade, natural da Várzea Grande, actual Presidente da Câmara Municipal. Em sua substituição, fica o vice-presidente Padre Francisco Pereira Pinto. Foi o principal impulsionador da constituição da Filarmónica Varzeense (ver ano 1902).

1921
Instalada uma unidade de destilação de resina, em Chã de Alvares, por João Alves Roda e seu cunhado António Barata Neves, pioneiros desta actividade industrial na região.

1920
O censo deste ano indica 12616 residentes no concelho, tendo-se verificado uma diminuição de 358 habitantes ao longo da década anterior.

29 de Outubro – É inaugurado em Góis o posto da Guarda Nacional Republicana, constituído por um cabo e seis soldados. Fica instalado ao fundo da Rua da Ponte.

13 de Maio – A Câmara Municipal deliberou mandar fazer a emissão de 20000 células de 1 e 2 cêntimos para circular no concelho. O motivo foi facilitar os trocos, face ao desaparecimento das moedas de cobre.

10 de Março – Morre Augusto Antunes Garcia, com 61 anos de idade, da Várzea Pequena. Tendo feito grande fortuna no Brasil, onde foi figura pública com várias condecorações, foi benemérito de instituições de caridade e de beneficência no distrito de Coimbra. Em Vila Nova do Ceira, construiu uma capela no Barreiro e protegeu a filarmónica local.

2 de Janeiro – Foram eleitos: Carlos Maria Cortez, para Presidente da Câmara Municipal e Dr. José Afonso Baeta Neves, para Presidente da Comissão Executiva.

1919
10 de Novembro – É instalada a Junta Escolar de Góis, criada recentemente pelo Governo. Preside-a Dr. José Afonso Baeta Neves. Existem no concelho 18 escolas de Instrução Primária, assim distribuídas: Góis - 2 (m. e f.), Ponte do Sotam - 1, Cerdeira - 1, Várzea 2 (m. e f.), Bordeiro - 2 (m. e f.), Cadafaz - 2 (m. e f.), Colmeal - 2 (m. e f.), Alvares - 2 (m. e f.), Cortes - 1, Mega de S. Domingos - 1, Chã de Alvares - 1 e Roda - 1. Apenas três delas funcionam em edifício próprio. São frequentadas por 545 alunos.

Outubro – Foi enterrado no cemitério de Alto de S. João, Francisco Carneiro Nunes, natural do lugar de Cadafaz. Fora condecorado com o Grau de Cavaleiro da Torre de Espada, pela sua acção na guarda aos presos no forte de Monsanto, pagando com a própria vida a “sua atitude, espírito de sacrifício, civismo e acrisolada fé patriótica”. No cemitério foi colocada uma lápide contendo gravada a respectiva medalha.

21 de Agosto – De acordo com a nova legislação, foram eleitos: para Presidente da Câmara Municipal, Dr. José Afonso Baeta Neves, que vinha presidindo a Comissão Administrativa, e para Presidente da Comissão Executiva, Carlos Maria Cortez.

14 de Julho
– Comemorando a assinatura de paz, houve uma significativa festa na vila, com a participação dos muitos soldados, cabos e sargentos do concelho que, em África e na Europa, arriscaram as suas vidas. Foi entusiástico o seu desfile pelas ruas, acompanhados pela filarmónica local e de muito povo.

Junho – Anunciado que vem a caminho um vagão de milho para Ponte do Sotam, dois para a freguesia de Alvares e um para as de Góis e Vila Nova do Ceira, para ajudar a combater a crise. Continuam a faltar outros elementos essenciais.

3 de Abril – Exonerada a Comissão Administrativa Municipal. Para sua substituição, foi nomeada uma outra, presidida por Dr. José Afonso Baeta Neves.

1918
Outubro – Uma epidemia de gripe pneumónica, de feição grave, alastrou no concelho, estando a provocar centenas de mortos. Vieram reforços médicos e farmacêuticos de fora, tendo sido organizados serviços de apoio na escola masculina e num anexo ao hospital. Em Ponte do Sotam não houve praticamente qualquer fogo que não tivesse alguém doente. Na fábrica de papel, em que trabalham 200 pessoas, foram atacados 120, tendo-se ali instalado uma farmácia e cozinha. Em Alvares, só nas duas últimas semanas, morreram 35 pessoas, estando presente uma brigada sanitária, de médicos militares, farmacêutico e enfermeiro. Acabaram-se o leite e as gorduras, bem como a mostarda, a linhaça e outras drogas indispensáveis.

Agosto
– Chegou açúcar ao celeiro municipal, ansiosamente aguardado. Vai ser distribuído semanalmente, por intermédio de senhas de racionamento.

Junho – É grave a falta de alimentos, em parte devido ao mau ano agrícola, não havendo produtos essenciais, como milho, açúcar, batatas e arroz. Atendendo aos pedidos insistentes da Câmara Municipal, o governo cedeu ao celeiro municipal dois vagons de milho, para fazer face à crise, tendo-se conseguido, pela Manutenção Militar de Coimbra, que o milho fosse para aqui trazido por carroças do exército.

18 e 19 de Maio – Teve lugar a feira anual do Espírito Santo, fazendo ressurgir uma antiga feira que teve renome no passado.

Abril
– No dia 9, deu-se a célebre Batalha de La Lys, em França, onde os combatentes portugueses tiveram um heróico comportamento, com grande número de baixas. No Hospital de Belém, veio a falecer o soldado Manuel do Sacramento Simões, natural de Alvares, atingido por gases asfixiantes.

17 de Janeiro
– Com ditadura de Sidónio Pais, instalada a 10 deste mês, e a consequente dissolução da Câmara Municipal, esta passa a ser gerida por uma Comissão Administrativa, chefiada por Dr. Mário Fernandes Nogueira Ramos.

2 de Janeiro – Foram eleitos José Francisco Mendes, Presidente da Câmara Municipal, e Dr. Mário Fernandes Nogueira Ramos, Presidente da Comissão Executiva.

1 de Janeiro – Na Missa do galo, actuou a banda local sob regência de Abílio Martins Adão. Apesar de a Sociedade Filarmónica ter sido dissolvida há dois anos, os músicos reuniram-se para esta solenidade.

1917
Setembro – Dado conhecimento do primeiro soldado do concelho morto na Guerra, em França: Francisco Antunes, soldado nº 138 da 1ª Companhia do Regimento de Infantaria nº 23. Era natural dos Povorais, filho de José Antunes, já falecido, e de Maria Ludovina. Fica a abrir o Quadro de Honra dos goienses que tombaram ao serviço da Pátria.

2 de Maio
– Morre Comendador Joaquim Marques Monteiro Bastos, com 87 anos, natural de Ponte Pequena (Ponte do Sotam) (ver ano 1887).

Fevereiro – Parte para França uma Brigada do Corpo Expedicionário, incorporando soldados do concelho, para combater o exército alemão. Até agora, só tinham combatido nas colónias.

3 de Janeiro – José Barata Rodrigues é eleito Presidente da Câmara Municipal. Comendador António Torres Dias Galvão é reconduzido como Presidente da Comissão Executiva. Verificou-se um grande desinteresse por estas eleições.


1916
21 de Dezembro – Morre Claudino Nogueira de Campos, fundador da “Havaneza Goiense” (ver ano 1912), no lado sul da Rua da Ponte. Seu filho José de Campos Nogueira assume a gerência do estabelecimento. Em 1914, a família comprara o edifício na Praça da República, para onde seria transferido o estabelecimento.


30 de Novembro – Umas dúzias de pessoas juntaram-se na Praça da República, para reviver a tradicional feira de Santo André, a dos buréis, que teve fama em tempos idos e que há muito não se fazia. Espera-se que, com esta acção, a feira prossiga no futuro.

Maio – Em alteração ao Código Administrativo, agora aprovado, as paróquias passam a ter a denominação de freguesias. As Câmaras Municipais de 3ª ordem, como é a de Góis (por ter menos de 16000 habitantes), terão, de futuro, doze vereadores.

Abril – Está sendo feita uma mobilização extraordinária dos militares, prevendo-se que venham a ser incorporados em regimentos para combater na Guerra, que está a ocorrer além-fronteiras. Todos os que tinham ficado isentos e não recenseados, dos 20 aos 45 anos, vão ser sujeitos a nova inspecção.

12 de Março
– Foi inaugurado em Vila Nova do Ceira o novo Hospital da Misericórdia, que ficou com o nome de Comendador Joaquim Marques Monteiro Bastos. O hospital foi totalmente construído à sua custa, que também o equipou com mobiliário, farmácia e habitação para o farmacêutico. Por anterior escritura, de 13 de Maio de 1915, o Comendador doara-o à Santa Casa da Misericórdia de Góis. Mais tarde viria a funcionar como Enfermaria-Abrigo, principalmente para doentes de tuberculose, sendo encerrado em 1974.

1915
Novembro – A Câmara Municipal vai assinar contracto de arrendamento, por quatro anos, da Casa da Quinta e outro prédio ao cimo da Rua da Ponte, ambos pertencentes a D. Maria José Fernandes Dias e Ramos, para instalação de repartições públicas.

Abril
– Com a instalação da ditadura de Pimenta de Castro, o governo decreta a dissolução das Câmaras Municipais, tendo sido nomeadas comissões administrativas em alguns concelhos. Em Góis, a Câmara opôs-se, não reconhecendo essa lei ditatorial, e permanecerá sempre em funções.

27 de Fevereiro
De acordo com carta do Bispo de Coimbra, é exonerado nesta data o padre António Marcelino Henriques dos Santos, que vinha paroquiando a freguesia de Cadafaz desde Janeiro de 1907. Esta freguesia passa a ser paroquiada pelo padre do Colmeal.

Janeiro
– Um grande nevão cobriu de branco a vila de Góis e todos os montes á sua volta.

1914
Agosto – Realizou-se em Góis a festa do Santíssimo Sacramento, “uma das mais belas e importantes que na Beira se tem feito”, segundo relato da imprensa, com vários actos religiosos e a que assistiram cerca de 4000 pessoas. A missa solene foi celebrada pelo Bispo de Portalegre, assistido por padres de várias povoações vizinhas e do mestre de cerimónia da Sé de Coimbra. A Procissão contou com as irmandades de Góis, de Bordeiro e da Várzea, bem como com as bandas de Góis e de Arganil, que estiveram também a actuar, cada uma no seu próprio coreto, um montado na Praça, outro no Pombal. Um fogo-de-artifício deslumbrante e uma iluminação colorida surpreendente nas ruas e nas principais casas contribuíram para uma grande animação pela noite dentro.

11 de Janeiro – Morreu César Dias das Neves. Pessoa das mais populares do concelho, pela sua actividade e serviços voluntariamente prestados a favor da sociedade em geral, fosse pública ou privada. Tendo nascido num meio modesto, elevou-se pelo seu próprio esforço, desfrutando depois de boa situação social. Foi Director da Filarmónica. O seu funeral, apesar de ser em dia de rigorosa temporal, foi acompanhado, segundo a imprensa local, de mais de 500 pessoas, das irmandades e de representantes das associações.


Janeiro
– De acordo com a nova lei, de 7 de Agosto passado, tomou posse a nova Câmara Municipal. Preside Francisco Rebelo da Costa Arnault. Para a Comissão Executiva foram eleitos Comendador António Torres Dias Galvão, presidente, e Francisco de Campos Nogueira, vice-presidente. Apenas concorreu o Partido Republicano Português, tendo-se verificado um grande desinteresse no concelho por estas eleições.



1913
18 de Setembro – O regimento de Infantaria nº 23, composto de 1000 homens, esteve no concelho em exercícios (na Portela teve o lugar o “combate”), tendo ficado acantonado na vila. Os soldados foram acolhidos no cinematógrafo, no celeiro do Dr. Mário Ramos e nas escolas. O comando ficou em casa do Dr. Mota Tavares e os oficiais, os sargentos e a banda espalharam-se por outras casas particulares.

Maio – Tem-se pressionado para que as Câmaras Municipais de Góis e de Arganil se ponham de acordo na divisão do baldio na denominada Serra de Santa Quitéria, que separa as freguesias da Várzea e de Pombeiro. Trata-se de um terreno inculto, aproveitado para estrumes e pastos de gado, que tem originado conflitos entre os povos das duas freguesias, cada um sentindo-se com direito à sua fruição.

23 de Março – Por iniciativa do Administrador do Concelho, Tenente José Maria Baeta, foi organizada uma batida no terreno, na tentativa de encontrar uma quadrilha de gatunos, que, há mais de um mês, quase todas as noites vem assaltando casas e transeuntes. Apesar de dia de rigoroso vendaval, participou um grupo de 400 pessoas, percorrendo a área entre a Quinta da Capela, Póvoa, Bordeiro, alto da serra, Sandinha, Cabreira e Góis. O concelho não possui qualquer força policial.



Janeiro
– Constitui-se em Góis a Comissão Municipal do Partido Republicano Português, presidida por Dr. António Alberto Torres Garcia.


1 de Janeiro – A repartição de Finanças, há anos instalada na Casa da Quinta, passa hoje para a parte de baixo dos Paços do Concelho.

1912
É constituída a “Havanesa Goiense”, na Rua Conselheiro Dias Ferreira, sucedendo à firma comercial “Claudino Nogueira de Campos” que há muito ali estava instalada.

20 de Outubro – Aprovados os estatutos da Irmandade de S. Salvador do Mundo, sediada na capela de Bordeiro. Foi eleito, como primeiro Presidente da Mesa (Juiz), António da Cunha Ferreira.

24 de Junho – Foi estabelecido este dia como o de Feriado Municipal.

24 de Junho– Inaugurada a iluminação eléctrica pública na vila de Góis, sendo a primeira povoação do distrito de Coimbra a usufruir deste melhoramento.

10 de Junho – Constituída uma Comissão Municipal de Assistência Pública, de que fazem parte: Eduardo da Cunha Frias (presidente), Dr. António de Sousa Saraiva, subdelegado de saúde, Ernesto Rodrigues dos Santos, provedor da Misericórdia e farmacêutico, comendador Joaquim Marques Monteiro Bastos, capitalista, Joaquim Gomes Ferreira, comerciante e Francisco de Campos Nogueira, guarda-livros.

20 de Abril – Publicado o primeiro número do “Eco das Serras”, Jornal Democrático de Propaganda de Góis, Arganil, Pampilhosa e Lousã. É seu editor, proprietário e administrador, António Alberto Torres Garcia, natural de Vila Nova do Ceira.

7 de Janeiro – Despediu-se o Padre Francisco Ferreira de Carvalho Lucas, que vinha paroquiando a freguesia de Vila Nova do Ceira desde 17 de Junho de 1894, por se ter aposentado para Poiares.


No Cerrado, é iniciada a construção do futuro Cine - Teatro da vila. Uma iniciativa de Francisco Inácio Dias Nogueira.


1911
15 de Novembro – Publicado no Diário de Governo o contracto entre a Câmara Municipal de Góis e a Companhia de Papel de Góis, para fornecimento de energia eléctrica pública ao concelho.

5 de Outubro
– Nas comemorações do primeiro aniversário da implantação da República, foram descerradas placas toponímicas na Praça da República (até agora conhecida apenas por Praça) e no Bairro Teófilo Braga, presidente do governo provisório do país. Esta nova denominação de bairro abrangia o trecho da rua compreendido entre a vila e o Regato.

15 de Julho
– Publicado o primeiro número de “O Alvarense”, quinzenário defensor dos interesses da região. É seu director e proprietário, Joaquim Henriques de Almeida.

O concelho de Góis tem 12974 residentes, tendo-se verificado um aumento de 1083 pessoas ao longo da década que terminou.

1910
23 de Dezembro – Nomeado, por alvará, a Comissão Paroquial Republicana da Freguesia de Vila Nova do Ceira, presidida por José Barata Rodrigues.

1 de Dezembro – Nos grandes festejos hoje realizados, comemorativos desta data, a Banda, então já denominada Filarmónica Independente, tocou hoje, pela primeira vez como novo hino nacional, “A Portuguesa”.

15 de Novembro
– Constituiu-se um Centro Republicano em Góis, com filiais em todas as freguesias.


24 de Outubro – Apesar da promulgação da República, continuariam em vigor as leis do tempo da monarquia. António Torres Dias Galvão é o primeiro presidente republicano eleito em Góis. Acompanham-no, na vereação, Eduardo da Cunha e Frias (vice-presidente), António Jacinto da Costa, Francisco de Campos Nogueira, José Martins Adão, Manuel Polaco Cerdeira e Seipião Rodrigues Sahil. O Administrador do Concelho é Manuel Ferreira da Silva.


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