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Novos livros

Literatura > Livros & Livros

Os Melhores Contos Espirituais do Oriente

Autor: Ramiro Calle
Editora: A Esfera dos Livros
Ano: 2009 (Reimpressão)
Género: Esoterismo

O autor:
É considerado um dos mais importantes escritores orientalistas de Espanha.
Professor da Universidade Autónoma de Madrid. Estudou os efeitos terapêuticos das psicologias orientais e explorou as pontes que existem entre a meditação e a psicanálise, a psicoterapia e a neurologia.
Pioneiro do ensino de ioga em Espanha, disciplina que lecciona há mais de 30 anos, é director do centro de Yoga e Orientalismo Shadak, o maior centro de yoga espanhol.
As suas mais de setenta viagens à Ásia permitiram-lhe entrevistar os mais relevantes especialistas, mestres e orientalistas, experiências que inclui nos seus livros.


A obra:
Editado em 2006, tendo saído agora a 3ª edição.
Nas suas diversas viagens á Ásia e dos mais de mil contos que recolheu, seleccionou os 250 contos mais instrutivos, que foram reunidos neste livro.
A maioria deles é milenar e anónimos e têm sido transmitidos de forma oral, durante séculos.

"Existem várias formas de apreciar este livro, que reúne 250 pequenos contos recolhidos durante as viagens de Ramiro Calle pelo oriente. E a diversidade desses contos, cada um deles com uma mensagem espiritual pode servir o propósito de elucidar um leitor curioso acerca das filosofias e modos de pensar orientais, mas também como meio de reflexão.
Complementados com breves comentários de Ramiro Calle, estes contos abordam as diferentes características do coração e da mente humana, guiando o seu leitor através das emoções e reacções, tanto positivas como negativas, e complementando as lições de cada conto, com indicações para melhorar a vida interior de cada um.
É uma obra curiosa esta colectânea de contos, porque, na sua totalidade abrangente, contém muitas pequenas partes e são todas tão diversas que cada leitor pode encontrar algum conto que lhe interesse e com que se possa identificar. Um bom livro para quem aprecia obras mais espirituais, interessante para ler todo de seguida, mas também para ler um ou dois contos de vez em quando e meditar um pouco sobre o seu significado."

«Angustiado, o discípulo foi visitar o seu mentor espiritual e perguntou-lhe com uma voz desanimada:Como me posso libertar, venerado mestre?O preceptor respondeu:Meu amigo, e quem é que te prende senão a tua mente?»

Dicionário do Judaísmo Português
Autor: -
Editora: Editorial Presença
Ano: 2009
Género: História

O autor:
Participam 65 especialistas, investigadores portugueses e estrangeiros, das diferentes questões ligadas ao judaísmo, sendo coordenado por Lúcia Liba Mucznik, José Alberto Rodrigues da Silva, Esther Mucznik e Elvira de Azevedo Mea.

A obra:
"O Dicionário do Judaísmo Português que agora se apresenta, procura dar uma imagem abrangente e sistematizada da presença judaica em Portugal e da presença e actividade dos judeus de origem portuguesa no mundo.
O universo da obra estende-se desde o estabelecimento de judeus no território que é hoje Portugal, atestado desde o séc. V, até ao presente, passando pela diáspora espalhada pelo mundo.
Para além das entradas de carácter histórico, a obra contempla ainda noções básicas sobre festas religiosas, rituais e instituições comunitárias judaicas, bem como um glossário de termos hebraicos e índices onomástico e geográfico. Já bastante se escreveu sobre os judeus portugueses, como os artigos deste dicionário testemunham.
O nosso objectivo é reunir e divulgar de forma sintética conhecimentos actuais sobre o assunto, e proporcionar ao público em geral um instrumento de referência até aqui inexistente.
Cada entrada remete para uma bibliografia essencial que o leitor interessado em explorar o tema de forma mais ampla pode consultar.
Não temos a pretensão de dar a questão por encerrada. Conscientes de que o tema é bastante vasto e complexo, esperamos que esta obra contribua para suscitar o interesse e o desenvolvimento dos estudos judaicos em Portugal e, em geral, sobre os judeus portugueses.
Gostaríamos ainda de salientar que se trata de um Dicionário de Judaísmo e não da Inquisição, pois esta instituição, embora intimamente relacionada com a temática do Judaísmo Português, merece, pela sua complexidade e pelo facto de transcender intrinsecamente a questão judaica, um Dicionário distinto, a par das obras já publicadas.
Os artigos foram elaborados por mais de sessenta especialistas das questões respectivas, os quais melhor do que ninguém podem escrever sobre os assuntos que investigaram, por vezes durante décadas. Reflectem, por isso, a abordagem própria e o estilo dos seus autores e ainda o estado dos conhecimentos da altura em que o Dicionário foi iniciado, há cerca de oito anos atrás.
Por último, uma nota sobre o título da obra: Dicionário do Judaísmo Português. Existem diversas obras sobre os judeus sefarditas, que incluem sob essa designação judeus de origem portuguesa e espanhola. Mas, muitas dessas obras confundem e privilegiam os judeus espanhóis e o seu legado social e cultural em detrimento dos portugueses.
A expressão "judeo-espanhol" frequentemente utilizada para as comunidades ibéricas na diáspora é disso um exemplo. É verdade que, a partir da expulsão dos judeus da Península Ibérica e, nomeadamente. durante o período da União Dinástica (1580-1640), se tornou por vezes difícil distinguir entre uns e outros. O contexto em que se moviam e incluíam era ibérico, a língua "franca" era o castelhano, a cultura secular em que banhavam era a mesma e as comunidades que constituíam na diáspora eram na sua maioria mistas. Assim, optámos por privilegiar o contributo social e cultural dos judeus de origem portuguesa em Portugal e no mundo, bem como o de todos aqueles relacionados com este país.
Esperamos que esta obra possa contribuir para um conhecimento mais vasto do público interessado e seja um instrumento de trabalho útil para estudiosos e investigadores. Os Coordenadores"

O livro digital

O e-book foi inventado nos inícios dos anos 70 e, ultimamente, está-se a popularizar a um grande ritmo.
Está - se a escrever e ler cada vez mais em quadros digitais, desde jornais a romances, de relatórios académicos a revistas bisbilhoteiras. Os novos livros são colocados já em texto electrónico e podem ser lidos online ou em iPhone, os antigos são reeditados na forma electrónica, e as livrarias, respondendo à procura, oferecem-nos para download.

É pertinente questionar:
-Há diferença no modo como o cérebro reage na absorção da informação, quando ela é apresentada electronicamente ou sobre papel?
-No processo de leitura, a mudança da retenção para a compreensão depende do meio transmissor?
-Será que o cérebro gosta dos
e-books?
-Quais as suas vantagens e inconvenientes, em relação ao livro tradicional?


Leia cinco opiniões em
http://bibliotecariodebabel.com (um blogue sobre livros), dos especialistas:
Alan Liu, professor de inglês na Universidade de Califórnia:
A New Metaphor for Reading”,
Sandra Aamodt,de “Welcome to Your Brain”: “A Test of Character”,
Maryanne Wolf, professora de desenvolvimento das crianças:Beyond Decoding Words”,
David Glernter, cientista em computadores: “The Book Made Better”,
Gloria MarK, professora de Informática: “The Effects of Perpetual Distraction”.

Veja também os comentários do público e forme a sua própria opinião.

História de Portugal
Autores: Rui Ramos(coordenador), Bernardo Vasconcelos e Sousae Nuno Gonçalo Monteiro

Editora: Esfera dos Livros
Ano: 2009
Género: História

Os autores:
Professores universitários da nova geração de historiadores:
Rui Ramos – Licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em Ciências Políticas pela Universidade de Oxford. Investigador principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Bernardo Vasconcelos e Sousa – Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi Director do Arquivo Nacional/Torre do Tombo.
Nuno Gonçalo Monteiro – Investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e professor convidado do ISCTE.
Autores de vários livros.

A obra:
A História de Portugal condensada, num só volume de 976 páginas, abordando os nove séculos através das suas dimensões política, económica, social e cultural.

«As últimas tentativas de síntese da História portuguesa foram publicadas já nos anos 70 e no início da década seguinte, por autores como Oliveira Marques e José Hermano Saraiva, e mesmo a obra monumental coordenada por José Mattoso saiu há já quase 20 anos. Desde então, multiplicaram-se as investigações especializadas, sustentadas em novas metodologias científicas e enriquecidas por uma intensa colaboração com historiadores estrangeiros, mas faltava uma obra que resumisse os resultados desses trabalhos e os apresentasse ao grande público numa narrativa legível e coerente. Foi este o desafio que a Esfera dos Livros, versão portuguesa da editora homónima espanhola, lançou a Rui Ramos no final de 2005.
O modelo da obra, desde o número de páginas à divisão do trabalho por um núcleo reduzido de autores, tinha já sido testado em Espanha, onde a editora publicou nos últimos anos sínteses análogas das histórias de Castela, Aragão e Catalunha. (…)
Ramos defende que o livro será útil não apenas ao "leitor interessado e exigente", mas também aos próprios especialistas, já que acredita que a síntese e a análise se alimentam mutuamente e que esta obra irá fornecer "um quadro de referência importante para se perceber, por exemplo, que áreas devem ser discutidas, revistas e reinterpretadas".
Mas o principal destinatário desta novaHistória de Portugalé mesmo o "grande público", e embora essa expressão, utilizada no contexto português, peque sempre por algum exagero, Ramos está convencido de que existe uma audiência significativa para os temas históricos, lembrando o sucesso dos chamados "romances históricos" ou a existência de um canal televisivo exclusivamente dedicado à História. E esta capacidade de comunicar com uma audiência mais ampla não está necessariamente vedada aos universitários, como o demonstram "trabalhos como os de Vitorino Magalhães Godinho ou Joel Serrão, que foram, há 40 anos, grandes sucessos intelectuais e comerciais". Exemplos a que Ramos acrescenta "os livros de José Mattoso, que, mais recentemente, atraíram muitos leitores para a História".
A obra de Mattoso e da sua equipa é também um bom exemplo de como as fontes, em História, nunca se esgotam verdadeiramente e vale sempre a pena voltar a elas. "Eles revolucionaram tudo o que sabíamos sobre as origens de Portugal, provando que uma releitura de documentos já estudados pode criar um mundo novo", diz Rui Ramos.» (Luís Miguel Queirós)



A Luz Fraterna - Poesia Reunida
Autor: António Osório

Editora: Assírio & Alvim
Ano: 2009
Género: Poesia

O autor:
António Gabriel Maranca Osório de Castro nasceu em Setúbal, em 1933. Licenciado em Direito e exerceu a advocacia. Entre 1984 e 1986 exerceu o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados e de 1994 a 1997 foi presidente da Associação Portuguesa para o Direito do Ambiente.
Dividiu a vida entre o direito e a escrita. Dirigiu a revista literária
Anteu, aRevista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do TerritórioaForo das Letras (revista da Associação Portuguesa de Escritores-Juristas). Publicou várias obras de poesia, prosa e ensaio, entre as quais: A Raiz Afectuosa (1972),Décima Aurora- Prémio Município de Lisboa 1983),Adão, Eva e o Mais (1983 - Prémio Município de Lisboa 1984),Planetário e Zoo dos Homens- Prémio PEN Clube Português 1991),O Lugar do Amor e Décima Aurora, Obra Poética IIeO Amor de Camilo Pessanha
Uma parte da sua obra está publicada fora de Portugal, em livro (sobretudo sob a forma de antologia) e em revista, e traduzida para espanhol, francês, inglês, italiano, croata, romeno e catalão.
Representou a literatura portuguesa em vários eventos internacionais, como a Europália 91, a Feira do Livro de Frankfurt e o Congresso Portugal-Brasil (2000).

"Uma das vozes poéticas mais importantes que nos últimos 30 anos se afirmaram é a de António Osório. Ao mesmo tempo, a sua presença na cena literária portuguesa caracteriza-se por uma extrema discrição; o que, sendo em si mesmo e de um certo ponto de vista apreciável, parece ser um efeito directo da poesia que António Osório cultiva e da poética nela implícita, poética em que se percebe uma grande sobriedade de processos formais." (Carlos Reis)

A obra:
A Luz Fraternareúne toda a obra poética de António Osório, produzida de 1965 a 2009.


Os Loucos

Há vários tipos de louco.
O hitleriano, que barafusta.
O solícito, que dirige o trânsito.
O maníaco fala-só.

O idiota que se baba,
Explicado pelo psiquiatra gago.
O legatário de outros,
o que nos governa.

O depressivo que salva
o mundo. Aqueles que o destroem.

E há sempre um
(o mais intratável) que não desiste
e escreve versos.

Não gosto destes loucos.
(Torturados pela escuridão, pela morte?)
Gosto desta velha senhora
que ri, manso, pela rua, de felicidade.



cuidado e alguma teimosia, o nosso ouvido à música subtilíssima que se esconde na só aparente "liberdade" que os versos sugerem." (Eugénio Lisboa)




Dom Casmurro
Autor:Machado de Assis

Editora: Dom Quixote
Ano: 2003
Género: Romance

O autor: Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de Junho de 1839., foi cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta.
Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, que se lhe dedica e o matricula na escola primária, a única que frequentará.
De saúde frágil, sabe-se pouco do início da juventude.num dos morros do Rio de Janeiro, consta que ajudava a missa e, após a morte do pai, a madrasta na venda de doces.
Aos 16 anos, publica o seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", e, com 17, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional e começa a escrever durante o tempo livre.
Colabora para jornais e revistas, escrevendo inicialmente como crítico.

Publica o seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas e o primeiro romance, Ressurreição, em 1872.
Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial de uma Secretaria de Estado do Governo, estabiliza-se na carreira burocrática, que seria o seu principal meio de subsistência durante toda a sua vida.

No jornal O Globo (1874), começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva, e escreve crónicas, contos, poesias e romances para várias revistas.
A sua primeira peça teatral é encenada em 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões.
Publica, em 1881, um livro original, pouco convencional para o estilo da época:
Memórias Póstumas de Brás Cuba, considerado o marco do realismo na literatura brasileira.
Como contista, publica
Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).
Apoia desde o início a ideia da criação de uma Academia de Letras, e, em 1897, é eleito presidente da instituição, cargo que ocuparia até à sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de Setembro de 1908.
Pela sua estatura de escritor, a Academia Brasileira de Letras passaria a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

Dizem os seus críticos que Machado Assis era "
urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. (...) A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica.(...) Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo.domínio da linguagem é subtil e o estilo é preciso, reticente.humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."

A obra: Da sua longa obra, a nossa escolha recaiu em Dom Casmurro, por alguns considerado como a sua obra-prima. Foi publicado pela primeira vez em 1899.
A sua personagem principal, Capitu, é para os brasileiros literários, como o são Carmen Miranda, Gabriela ou Garota de Ipanema.
A história passa-se no Rio de Janeiro e conta a vida de Bentinho e de Capitu. É um romance psicológico, narrado em primeira pessoa por Bentinho.

«O narrador Bentinho, apelidado 'Dom Casmurro' por viver recluso e solitário, conta factos de sua infância na casa da mãe viúva, dona Glória, e também passagens de sua vida adulta ao lado de Capitu, que suspeita ser adúltera. Se a figura fascinante de Capitu, que prende a atenção do leitor, transforma a questão do adultério no ponto central do romance, não podemos esquecer-nos de que a obra oferece também um rico painel da sociedade brasileira da época, revelando-nos as relações de classe e os meios de ascensão social, a influência da Igreja na vida quotidiana, além de observações desencantadas do narrador sobre a condição humana.»


O Novo Paradigma para os Mercados Financeiros
A crise de crédito de 2008 e as suas implicações
Autor:George Soros

Editora: Livraria Almedina

Ano: 2008
Género: Finanças

O autor: Nasceu na Hungria, em 1930, tendo ido para Inglaterra na sequência da Segunda Guerra Mundial, em 1947. Em 1956, emigra para os Estados Unidos e aí cria os primeiros “fundos de cobertura” à disposição das grandes fortunas. A sua principal sociedade, Quantum Fund, foi domiciliada em paraísos fiscais, nas Antilhas holandesas e depois em Curaçao.
George Soros é considerado especulador e filantropo.
Enriquece graças à sua actividade bolsista, constituindo o seu património, de acordo com a classificação de 2003 da revista Forbes, a 28ª fortuna dos Estados Unidos.
Presidindo a várias associações, torna-se um dos maiores filantropos modernos. A sua fundação principal, a Open Society Institute, retira o seu nome do projecto filosófico de Karl Popper: construir sociedades abertas, ou seja, conscientes das suas imperfeições mas capazes de melhorar, para tornar o mundo melhor.
Os seus principais programas visam a defesa dos direitos do homem, a luta contra a toxicodependência, a formação dos quadros políticos e o desenvolvimento da liberdade de informação. Estes objectivos, que são consensuais, incluem contudo campanhas controversas de defesa dos direitos dos homossexuais, da despenalização das drogas e da instauração de programas de substituição para os toxicodependentes.
É uma pessoa polémica,ao mesmo tempo temida e adulada. Responsável por quebras bolsistas e mecenas em cerca de cinquenta países. Financia as campanhas contra George W. Bush, mesmo tendo-o salvado da falência em 1990, e continua a trabalhar com o seu pai no Carlyle Group.Tem um conhecimento ímpar dos mercados financeiros.
Desde há vários anos, levantamvozes para sugerir que a sua acção filantrópica é uma cobertura para as intervenções da CIA e do Estado do Israel no mundo.

A obra
:Escrito nos finais de 2007/inícios de 2008, este livro sobre a crise dos mercados financeiros (tema na ordem do dia) é editado em Portugal em Julho deste ano.
Situa e analisa a actual crise à luz de décadas de estudo sobre como é que os indivíduos e as instituições lidam com os cíclicos crescimentos e explosões que dominam a actividade económica global. Para George Soros, esta crise é um indicador de chegada ao fim de uma época da economia global, telecomandada pelo dólar.
“Num ensaio conciso, que combina visão pragmática com profundidade filosófica, Soros presta um contributo valioso para que se possa compreender a grande crise do crédito e as suas implicações no mundo e em especial nos mercados financeiros.”



* * *

Reinventar o Mundo!
Excelência empresarial numa era perturbadora

Autor:Tom Peters

Editora:Livraria Civilização Editora
Ano: 2008
Género: Gestão e Organização

O autor: Nascido em 1942, é considerado um “expert” da gerência de negócios.
O seu primeiro grande livro, editado em português com o título "Vencendo a Crise", foi um sucesso editorial, a que se seguiria outros sobre gestão, a ele se devendo o «boom» da popularização deste tipo de literatura desde meados dos anos 80.
“Seu combate incansável contra a imobilidade e falta de paixão no trabalho levaram-no a ser radicalmente a favor da inovação, contra o “kaizen” (ou melhoria contínua), e a considerar o incrementalismo como o maior inimigo da inovação. Temas como a Destruição Criativa e a descontinuidade são ícones de seu alerta contra a predominância da mutabilidade dos mercados sobre a intenção de "continuidade" que é presumida pela maior parte das empresas.
Imaginação e Paixão são recomendadas em abundância para um mundo altamente competitivo. Actuando da perspectiva de um activista sexagenário, ele tenta ferir mortalmente a engrenagem burocrática que vê envenenando o mundo dos negócios.”

A obra: Tom Peters mostra, num tom polémico, inovador, incisivo, genial e apelativo, como a tarefa da nossa geração deve ser reinventar as nossas empresas e instituições, públicas e privadas. Mais do que um livro do tipo “Aprenda a…” para o século XXI, Reinventar o Mundo é uma chamada geral – um toque de despertar para o mundo dos negócios e para a sociedade em geral. Focando-se na forma como o clima de negócios mudou, este livro inspirador descreve o funcionamento do novo mundo de negócios; explora formas radicais de acabar com empresas ultrapassadas e com valores tradicionais, e explica como adoptar uma estratégia agressiva que delega autoridade a organizações onde todos têm voz.”





A Casa dos Desejos
Autor:Rudyard Kipling
Editora:Editorial Presença
Ano: 2008 (reimpressão)
Género: Contos

O autor: Kipling foi um dos escritores mais populares da Inglaterra, em prosa e poema, no final do século 19 e início do 20.Foi primeiro britânico a receber o Prémio Nobel de Literatura, tendo escrito mais de 300 contos, fábulas, romances de aventura e baladas populares.
Nasceu a 30 de Dezembro de 1865, na Índia, onde o seu pai, pintor, era conservador de um museu. Enviado para a Grã-Bretanha para estudar, passa ali uns anos de solidão infantil num internato. Desta experiência sai posteriormente uma descrição:
Bee, bee, Ovelha Negra. Em 1878 ingressa num centro educativo de filhos de oficiais e funcionários, de rigorosa moralidade e rígido ambiente, que lhe serve de inspiração para Stalky e Companhia.
Em 1882 volta à Índia como jornalista. Nesta época preocupa-se com os temas que são uma característica da sua obra: a relação entre os dominadores brancos e a população indígena, a função civilizadora dos Britânicos, a memória da remota civilização indiana.Tudo isso está recolhido nos seus primeiros ensaios narrativos:
Três Soldados, Contos das Colinas, obras com as quais consegue notoriedade.
Canções de Caserna é a obra que o torna verdadeiramente popular. Trata-se de textos poéticos sobre o sentido político e ético da acção inglesa na Índia, se bem que estão muito abertos à criação individual.
As grandes obras de Kipling são
Kim e O Livro das Terras Virgens. Esta última conserva, sob as estruturas da fábula, um delineamento ideológico centrado no problema da relação do indivíduo com a sociedade e a primazia da lei moral sobre os impulsos e instintos existenciais. Convencionalmente considera-se que é uma obra infantil. Estes temas e delineamentos reaparecem em Kim, mas mais aprofundados e com reflexões sobre as regiões orientais. Em ambas as obras sobressaem a agilidade narrativa e a solidez formal.
De grande êxito são as suas brilhantes narrações de aventuras, como
Capitães Intrépidos. Quanto à sua obra poética, muito popular até aos anos 20 e depois esquecida, tem um ritmo vigoroso, revela uma notável habilidade no uso da métrica e possui uma sinceridade na expressão dos factos que chega a provocar ressentimentos entre personalidades públicas. O seu livro de versos mais interessante é Os Sete Mares.
Em 1907, Kipling recebe o Prémio Nobel da Literatura. Considera-se Kipling o principal representante da literatura imperialista, mas esta interpretação é superficial. O que Kipling mostra, mais que a presunção do propagandista, é a preocupação do moralista. Preocupa-o certamente o futuro do império britânico, que sabe que vai acabar por desaparecer, mas sustenta que as suas instituições devem defender-se a partir de uma postura ética. Para Kipling, a acção do homem recupera significado na sua dimensão social. Por isso lhe interessam tanto as comunidades militares e escolares e, inclusive, a singular associação dos animais da selva.
Morre em Bombaim, no ano 1936.
Ficou célebre o seu poema
If,
Se consegues manter a calma
quando à tua volta todos a perdem
e te culpam por isso.
Se consegues ter confiança em ti
quando todos duvidam de ti
e aceitas as suas dúvidas
(…)

A obra:O tema do sobrenatural marca presença em muitos dos contos de KiplingNeste livro encontramos cinco contos onde isso sucede.
Em Uma Nossa Senhora das Trincheiras, Clem Strangwick, um jovem soldado que assiste a um ritual maçónico, interrompe os procedimentos com uma explosão histérica. É levado para uma sala mais calma e sedado. O médico que ajuda Clem conhecera-o nas trincheiras e conta a sua história. Descreve os horrores ali passados, mas diz que a causa daquela explosão foi o suicídio do Sargento Godsoe, uma figura paterna para Clem durante a sua infância. Clem dizia que Godsoe e a sua tia tinham estado muito apaixonados, apesar de casados com outras pessoas. Ele descobriu isto apenas depois de a sua tia ter morrido e o seu espírito ter aparecido a Clem e ao “tio John” numa trincheira distante, perto de uma canoa. Godsoe meteu-se na canoa e suicidou-se. Clem nunca recuperou depois de ter assistido ao suicídio.
O Olho de Alá, passa-se num mosteiro francês da Idade Média. O artista John Otho está a pintar iluminuras relativas ao evangelho de São Lucas. John prepara-se para ir a Espanha para comprar mais tintas e medicamentos para a enfermaria do mosteiro. John fala ao abade Stephen da sua busca por novas imagens demoníacas. Algumas semanas mais tarde, é convidado a jantar em casa do abade Stephen juntamente com outras pessoas. Durante o jantar discutem-se teorias médicas. Stephen pede a John que mostre a todos as pinturas que fez de Madalena e dos porcos de Gádara, onde os demónios expelidos estão com formas completamente diferentes. John viu-as com um microscópio que encontrou na cidade de Granada. Os visitantes ficam estupefactos e John prova e teoria dos germes. Mas o abade quer destruí-lo, para evitar que sejam todos queimados por bruxaria.
Em
O Jardineiro, Helen Turrell, uma solteira de boas famílias, vive na vila onde cresceu. Por motivos de saúde viaja para o sul de França e regressa com um bebé chamado Michael. Explica que se trata do filho do seu irmão que morreu. Aos 10 anos Michael percebe que é filho ilegítimo e fica com medo de ser rejeitado, mas a ligação entre ele e a mãe torna-se cada vez mais forte. Mais tarde, Michael recebe uma bolsa para Oxford, mas com o início da 1.ª Guerra Mundial ele alista-se no exército. Acaba por ser morto e dado como desaparecido. Após o armistício, Helen é informada que ele está no cemitério. Certo dia, pergunta pela campa do “sobrinho” a um homem que anda a plantar flores e convence-se de que o filho é o jardineiro.
Em A Casa dos Desejos, uma senhora narra a outra uma história mágica e dolorosa, mas ambas são demasiado humildes para o espanto.
Em
Uma Guerra de Sahibs, a febre e a presença do ópio conferem mais verosimilhança ao sobrenatural.

* * *


Ritos e Mistérios Secretos do Wicca
Autor:Gilberto de Lascariz

Editora:Zéfiro
Ano: 2008
Género: Ocultismo

O autor
: Gilberto de Lascariz nasceu em Caracas, Venezuela, vindo viver desde muito cedo em Portugal. Formou-se em Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa, ao mesmo tempo que seguia Língua e Cultura Sânscrita na Universidade Nova de Lisboa.
Esteve envolvido em várias sociedades esotéricas de carácter rosacruciano e maçónico, tendo tomado votos na Tradição Nyngma-Pa do Budismo Tibetano. A sua envolvência com o
Wicca Tradicional na tradição Alexandriana a partir de 1982, associado ao seu envolvimento com a Antroposofia, despertou-o para a necessidade de desenvolver métodos meditativos e rituais que permitissem uma abordagem esotérica da Bruxaria Iniciática e Neo-Pagã.
Em 1989 criou em Portugal o Coventículo TerraSerpente de Wicca Alexandriana e lançou a Confraria Sol-Negro, uma organização artística dedicada à renovação estética das artes sob o ponto de vista do esoterismo neo-pagão, na sua acepção evoliana.
Publicou os livros
Mãe Canibal, O Culto da Bruxaria no Artista e Escritor Austin Osmam Spare e traduziu e prefaciou o livro de Ronald Huton, Os Xamãs da Sibéria. Em 1999 criou o Projecto Karnayna, uma organização que visa fornecer instrução esotérica na perspectiva do Neo-Paganismo sendo o primeiro autor a fazer workshops de Wicca em Portugal.

A obra:

Wicca (nome alternativo para a arte da feitiçaria moderna) é uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas deidades maiores reverenciadas e adoradas em seus ritos: a Deusa (o aspecto feminino e deidade ligada à antiga Deusa Mãe em seu aspecto triplo de Virgem, Mãe e Anciã.) e o seu consorte, o Deus Cornífero (o aspecto masculino). Os seus nomes variam de uma tradição wiccaniana para outra, e algumas utilizam-se de outros panteões para representar várias faces e estados de ambos os Deuses.
Frequentemente, Wicca inclui a prática de várias formas de alta magia (geralmente com propósitos de cura psíquica ou física, neutralização de negatividade e crescimento espiritual) e ritos para a harmonização pessoal com o ritmo natural das forças da vida marcadas pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano.
Wicca (que também é conhecida como "Arte dos Sábios", ou, muitas vezes, somente como "A Arte") é considerada por muitos uma religião panteísta, politeísta e faz parte de um ressurgimento actual do paganismo, ou movimento neopagão, como muitos preferem chamar.

“Ritos e Mistérios Secretos do Wicca” é o primeiro livro alguma vez escrito ao longo da história da literatura oculta em que se enfatiza uma abordagem exclusivamente esotérica e iniciática do Wicca.
O livro não é apenas um genuíno instrumento esotérico de transformação da alma em sintonia com os Deuses e os Paradigmas Iniciáticos do Wicca mas, também, um livro gerador de uma verdadeira Gnose Pagã. São revelados muitos dos segredos iniciáticos presentes em cerimónias wiccan, que estavam até agora sepultados no segredo de alguns iniciados.

As Avós e Outras Histórias

Autor:Doris Lessing

Editora: Editorial Presença
Ano: 2008
Género: Contos

O autor: Doris Lessing é uma das escritoras mais célebres da segunda metade do século XX. Agraciada com diversos prémios, viu o seu trabalho reconhecido com a mais alta distinção: o Prémio Nobel da Literatura em 2007. Para o júri do Nobel, este livro "é uma obra pioneira do movimento feminista e pertence ao grupo de obras que mudaram a forma de ver as relações homem-mulher no século XX".
A sua obra, vasta e variada, é marcada pelos cenários da África e a causa feminista.
Nasceu no território da Pérsia, actualmente Irão, em 1919, quando o seu pai era capitão do Exército britânico, tendo vivido parte da juventude na então Rodésia (atual Zimbawue), facto que marcaria a sua obra.
Ex-membro do Partido Comunista britânico, do qual se afastou em 1956 após a repressão da rebelião húngara, é comparada frequentemente com a francesa Simone de Beauvoir pelas suas ideias feministas.
"The golden notebook" ("O caderno dourado"), de 1962, a sua obra-prima, conta a história de uma escritora de sucesso em forma de diário íntimo.
Entre outras de suas principais obras, figuram "The Grass is Singing", "The good terrorist", sobre um grupo de revolucionários de extrema-esquerda, "Andando na Sombra", "Regresso para casa" (1957), onde denuncia o apartheid na África do Sul, "O quinto filho", "Debaixo da Minha Pele da Companhia das Letras" e "Andando na Sombra".
Em 1984, Doris Lessing fez uma brincadeira com os meios literários ao lançar "Diário de uma boa vizinha" sob um pseudónimo (Jane Somers). A sua própria editora, que não conhecia a verdadeira identidade da autora, recusou-se a publicar o livro.
Doris Lessing vive actualmente na periferia de Londres e, nos últimos anos, dedicou-se principalmente a obras de ficção científica.

A obra:As Avós e Outras Histórias formam um conjunto de quatro contos distintos,que têm em comum uma nostalgia por um mundo perdido.
Na primeira história, a qual dá nome ao livro, vamos ao encontro de duas amigas que se apaixonam cada uma pelo filho da outra, vivendo um episódio amoroso que transcende as convenções sociais. Lessing empresta a este conto uma presença autoral muito forte que se revela numa história não só plausível como profundamente credível.
Em
Victoria e os Staveney, acompanhamos o percurso de uma jovem de raça negra que se apaixona por um branco muito abastado, do qual anos mais tarde terá uma filha.
O terceiro conto,
O Motivo, é uma alegoria que representa o nascimento, prosperidade, declínio e queda de uma cultura antiga.
No quarto,
O Filho do Amor, um soldado da II Guerra Mundial apaixona-se por uma mulher casada, acreditando ter um filho que nunca conseguiu conhecer.

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Os Três Seios de Novélia

Autor:Manuel da Silva Ramos

Editora: Dom Quixote
Ano: 1968 (agora reeditado)
Género: Romance

O autor: Manuel da Silva Ramos nasceu na Covilhã, há 61 anos.
Aos 21 anos, ganhou o Prémio de Novelística Almeida Garrett de 1968, com "Os Três Seios de Novélia".
Publica três livros em parceria com Alface: "Os Lusíadas" (1977), "As Noites Brancas do Papa Negro" (1982) e "Beijinhos" (1996). Volta definitivamente a Portugal em 1997 depois de ter ganho uma Bolsa de Criação Literária atribuída pelo Ministério da Cultura.
Em 1999 publica "Portugal, e o Futuro?", "O Tanatoperador", "Adeusamália" e "Coisas do Vinho", com ilustrações de Zé Dalmeida.
Em 2000, depois de uma viagem de investigação a Moçambique, publica o seu romance mais ambicioso "Viagem com Branco no Bolso".
Em 2001, depois de ter ganho uma outra Bolsa de Criação Literária, instala-se durante três meses em Praga, na República Checa, onde escreve "Jesus, The Last Adventure of Franz Kafka", publicado em 2002.
Em 2003, realiza uma facto ficção sobre a sua cidade natal e o mundo dos têxteis: "Café Montalto".
"Ambulância" (2006) é o seu mais recente romance. Tem numerosos inéditos e a sua ficção, como disse um dia Ernesto Sampaio, é uma brisa fresca na literatura portuguesa.

A obraOs Três Seios de Novélia é um pequeno romance de amor irreal, onde a rumorejante solidão de um jovem escritor o força a procurar a mulher alquímica, sua secreta nostalgia. É também uma descoberta de Lisboa, com os seus cafés, praças, ruas, avenidas, onde a promessa de qualquer mulher compensará o reles quotidiano. Esta invenção de uma mulher clara que existia efectivamente nas ruas de Lisboa de 1968, e continua a existir, é também o triunfo da literatura.
Um Longo Nascimento, o segundo texto do livro, é um pequeno diário de uma infância e adolescência felizes na província onde a alfaiataria dos pais, lagartos ao sol, primas, faces de meninas pré-menstruadas, cântaros defenestrados na última noite do ano, livros, escritores mortos, se amontoam para glorificar uma vida ainda fugitiva de criador. A Respiração é o atelier em brasa do artista. A sua imaginação mais desabrida, delirante. Estamos aqui no interior do vulcão da imaginação.
E o final
Sermão de Santo António aos Astronautas é a cereja em cima do bolo ardente.»

Histórias escolhidas por um sarcástico

Autor:Edgar Allan Poe
Editora:Saída de Emergência
Ano: 2008
Género: Ficção (Horror)

O autor: Nasceu nos Estados Unidos a 19 de Janeiro de 1809. Escritor, poeta, romancista, crítico literário e editor.
Juntamente com Jules Verne, é considerado um dos precursores da literatura e ficção científica e fantásticas modernas.
Conhecido entre nós sobretudo pelos seus contos de terror e
suspense e através de diversas adaptações cinematográficas dos mesmos, a obra de Edgar Alan Poe é muito mais vasta e diversificada do que aquilo que realmente aparenta.

A obra:Neste volume encontram-se alguns dos mais inéditos e desconhecidos trabalhos de E.A. Poe. Por contraste, são também, alguns dos trabalhos em que a qualidade da escrita atinge os expoentes máximos da literatura.
Entre textos de carácter ensaístico, podemos encontrar os traços sarcásticos daquele que foi um dos maiores escritores de todos os tempos.
Quem deseja conhecer o verdadeiro homem por trás da obra, não pode deixar de “saborear” este volume. Aqui, o leitor toma um contacto directo com a mente de Poe, com o seu lado humano, crítico e satírico. Vai ainda encontrar alguns dos contos mais clássicos, com uma tradução anotada, fazendo, finalmente, justiça ao grande mestre da literatura.

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Catarina de Bragança (1638-1705)
Autora:Joana Almeida Troni

Editora: Edições Colibri
Ano: 2008
Género: História

A autora: Doutorada e investigadora em História.

A obra:Esta nova biografia de Catarina de Bragança, que casou com Carlos II, salienta o papel político que teve enquanto regente em Portugal e revela outras facetas da mulher que introduziu o protocolo do chá em Inglaterra.
Não traça apenas uma biografia, mas salienta "a integração da infanta na política de legitimação e consolidação da dinastia de Bragança", conforme realçou a historiadora Maria Paula Lourenço.
Em declarações à Lusa, a autora afirmou que, enquanto regente do Reino de Portugal, já viúva, Catarina de Bragança "teve uma política activa, designadamente na preparação das tropas portuguesas em vista da guerra de sucessão em Espanha, em que Portugal tomara partido por Carlos III".
Catarina exerceu a regência em dois curtos períodos, em 1704 quando o Rei seu irmão Pedro II se deslocou à Beira e em 1705 quando este adoeceu gravemente. "Foi uma regente activa, com sentido de Estado, manteve a política diplomática de apoio a Carlos III de Espanha, que contava com o apoio tácito de Inglaterra, mas de forma concreta, dando os meios necessários às tropas portuguesas", sublinhou.
Na sua opinião, o facto de Catarina de Bragança não ter dado herdeiros à Coroa "de certa forma enfraqueceu o seu papel, mas teve sempre ao lado o Rei Carlos II que tinha um grande sentido de família". Catarina contou com o apoio expresso do Rei quer "na tentativa da Corte para que a repudiasse por não dar filhos, quer quando da conspiração papista em que foi acusada de tentar envenenar o Rei para que o seu irmão Jaime subisse ao trono e instaurasse a religião católica, sob sua liderança". "Será o próprio Rei quem desmentirá o boato, e o irmão suceder-lhe-á de facto sem que o catolicismo seja instaurado", acrescentou a historiadora.
Em Londres, a Rainha foi acompanhada pelos franciscanos arrábidos, cujas obras apoiará e, mais tarde, já em Lisboa, pelos jesuítas.
A historiadora estudou a presença da filha de D. João IV em Londres "na perspectiva da ligação aos elementos portugueses e aos assuntos de Portugal".
Na capital inglesa, Catarina de Bragança, "à semelhança de seu pai, tem gosto pela música, e a sua capela, que foi o único templo católico de uma personalidade da Corte aberto ao público em terras anglicanas, será também um veículo de divulgação de uma musicalidade portuguesa".
O livro é a tese de mestrado da autora que prossegue investigações no âmbito da Casa Real Portuguesa durante o reinado de Pedro II (1667/1706).

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A derrocada da Baliverna
Autor:Dino Buzzati
Editora: Cavalo de Ferro
Ano: 2008
Género: Contos

O autor: Dino Buzzati (1906-1972) nasceu em San Pellegrino, em Itália.
Considerado como um dos autores incontornáveis da literatura mundial, venceu entre outros, o prestigiado prémio Strega e os prémios Napoli e Paese Sera.
Desde cedo conciliou a escrita com o seu trabalho de jornalista.
Dino Buzzati detém um estilo inconfundível, que não obedece a modas e etiquetas, explorando sempre uma visão fantástica e absurda do real.
A sua obra está traduzida em inglês, francês, alemão e espanhol e difundida largamente em todo o mundo.
A par da escrita, dedica-se à pintura e à ilustração. É igualmente autor de vários textos de teatro.

A obra:Trata-se de uma recolha de 37 narrativas curtas, o terceiro volume de contos publicado pelo autor (depois de «Os sete mensageiros» e «Pânico no Scala»).
Na história que dá o título ao livro, um homem vulgar decide-se a escalar clandestinamente a parede da Baliverna, um velho mosteiro degradado e transformado em refúgio de vagabundos e bandidos. Essa acção imponderada é punida com a derrocada de todo o edifício, provocando o terror do castigo subsequente.
Em «Encontro com Einstein», descobrimos que é o próprio Diabo quem secretamente incentiva as descobertas científicas do génio.
Em histórias como «Rigoletto», ou «A Máquina» são os próprios objectos, as máquinas modernas, que em confronto com o mundo dos mitos e da natureza, assumem uma personalidade autónoma que incarna todos os aspectos negativos do Homem: vaidade, inveja e crueldade.



Memórias Políticas

Autor: Marquês de Alorna

Editora: Tribuna de História
Ano: 2008
Género: História de Portugal

O autor: D. Pedro de Almeida Portugal, 3.º marquês de Alorna, militar que comandou a Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão, foi um importante actor político e militar da Regência de D. João, nomeadamente na fuga da corte para o Brasil e nas Invasões Francesas. Uma das figuras cimeiras do grupo designado por “partido francês” ou “aristocrático” que animou a vida política portuguesa dessa época.

A obra: Trata-se de um documento inédito que foi “redescoberto” no Arquivo Distrital de Braga, integrado no espólio do conde da Barca (1754-1817), ministro de D. João VI em Portugal e no Brasil. De facto, o documento já anteriormente referido por investigadores nunca foi reproduzido e era considerado de autoria anónima. Na apresentação que faz ao manuscrito, José Norton, autor de “O Último Távora”, não só clarifica a atribuição da autoria ao marquês de Alorna como explica a sua importância no angustiante contexto histórico da época.
O documento, elaborado em 1803, é uma das faces da luta que a grande nobreza da corte vinha travando contra o seu progressivo afastamento das sedes de poder. Através de um conjunto de conselhos políticos ao Príncipe Regente, o texto denuncia as fragilidades da sua governação, as quais, aliadas a factores de ordem externa, acabariam por determinar a saída da corte para o Brasil em 1807 e a atitude de parte da aristocracia militar portuguesa em face de tal acontecimento, juntando-se a Napoleão.

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Sete Partidas

Autor: Manuel Alegre

Editora: Editores Nelson de Matos
Ano: 2008
Género: Poesia

O autor: Manuel Alegre nasceu a 12 de Maio de 1936, em Águeda.
Político e poeta consagrado, com vasta obra publicada.
É considerado o poeta português mais musicado, com poemas seus musicados ou cantados por, entre outros, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília, Manuel Freire, António Portugal, José Niza, António Bernardino, Alain Oulman, Amália Rodrigues, Janita Salomé, João Braga, etc.
Poemas seus foram recentemente musicados, pelo músico inglês Tony Haynes e integrados no espectáculo "The Rhythan of the Tides/Por Mares do Imaginário", representado em Inglaterra e gravado para a BBC.

A obra: Trata-se um seu poema inédito, dividido em 12 partes.

Parte 12
Um poema escreve-se entre a noite e a manhã quando as águas irrompem na memória e sob a página deixam a branca espuma de um amor já distante um rosto um resto um rasto um cheiro um som coisa nenhuma.
Caminha-se de encontro ao desencontro e mesmo quando há ganho vem a perda o segredo da História é o momento em que tudo podia ser diferente. E o poema escreve-se nesse breve senão. Para que dele fique
um tinir de cristal um fogo fátuo um eco mesmo que não seja mais do que um virar de página um imperceptível movimento um acaso um se um mas que muda a vida. E o poema é esse nada esse momento.
Até ao último instante D. Pedro espera por Henrique e João. Mas Henrique não cumpre e João morre de febres. Já ninguém se lhe junta. Que futuro se foi com essas febres? O poema será sempre essa pergunta.

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Alice no País das Maravilhas

Autor: Lewis Carroll
Editora: Editora Vega
Ano: 2008
Género: Literatura

O autor: Nasceu em Cheshire a 27 de janeiro de 1832 e morreu em Guildford a de 1898. Filho de um pastor anglicano, Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodson, recebeu uma educação religiosa voltada, em princípio, para uma carreira semelhante à do pai. Não foi esse, no entanto, o seu itinerário, já que, uma vez formado, ingressou na Universidade de Oxford e aí foi convidado a permanecer como Professor de Matemática, área da sua predilecção.
Adopta mais tarde o seu pseudónimo literário e, sob inspiração de uma das três filhas de um grande amigo seu, escreve este livro que o viria a celebrizar em todo o mundo, onde estão patentes muitas das suas reminiscências de infância.

A obra: “Para todas as crianças que gostam de ler e para todos os pais e professores que ensinam as crianças a gostar de ler”.
Diferentemente dos contos tradicionais, em que, para além do recreativo, se valorizava sempre a moral e a obediência, o seu autor preocupou-se antes em enaltecer a personalidade e independência da sua heroína.
Recorrendo inteligentemente à fantasia e ao nonsense, ingredientes presentes neste seu livro e noutros do mesmo género como Alice Atrás do Espelho, Sílvia e Bruno e O Caçador de Snark, Lewis Carroll oferece-nos uma narrativa estonteante, entremeada de versos satíricos e jogos de palavras, que tem por protagonista uma menina de 7 anos, ávida de curiosidade, que, repentinamente acordada por um coelho branco munido de um relógio, se vê envolvida numa aventura mirabolante, repleta de situações e personagens tão estranhas quanto bizarras.

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Daniel Sampaio, conversas com João Adelino Faria

Autores: Daniel Sampaio e João Adelino Faria

Editora: Relógio D'Água Editores
Ano: 2008
Género: Sociedade

Os autores:
Daniel Sampaio nasceu em Lisboa em 1946. Doutoramento em Medicina, na Especialidade de Psiquiatria, é Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Tem-se dedicado ao estudo dos problemas dos jovens e das suas famílias, através de trabalhos de investigação na área da Psiquiatria e da Adolescência.
Na Rádio Renascença, teve um programa denominado Sociedade do Conhecimento, em que também participaram Luís Osório e Paulo Sérgio.
O seu livro Vagabundos de nós foi adaptado ao teatro.

João Adelino Faria, jornalista, da rádio e dos jornais, atento aos novos hábitos sociais.

A obra: Este livro nasceu de um encontro na rádio do psiquiatra Daniel Sampaio com João Adelino Faria.
As suas conversas, nas manhãs de quinta-feira no Rádio Clube Português, abordam, desde Fevereiro de 2007, as preocupações e desejos que marcam a vida de adolescentes e adultos, influenciada pelas intensas relações afectivas próprias da esfera familiar.
Foi este contexto que permitiu a Daniel Sampaio levar mais longe o seu reconhecido talento para abordar de modo coloquial temas por vezes complexos, em que cada frase tem o peso de uma longa experiência clínica.
Impelido pela conversa com João Adelino Faria e pelas interrogações dos ouvintes, Daniel Sampaio descobre mesmo novos ângulos de abordagem numa reflexão que passou já por 18 obras publicadas sobre o suicídio adolescente, a sexualidade, o amor, a escola, a toxicodependência, as relações entre pais e filhos e a vida familiar em geral.
Esta selecção de programas foi feita pelos autores para a edição em livro.

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Venenos de Deus, Remédios do Diabo

Autor: Mia
Editora: Caminho
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Natural da Beira, Moçambique, Mia Couto é considerado um dos nomes mais importantes da nova geração de escritores africanos de língua portuguesa. Nasceu na Beira, Moçambique, em 1955, foi director da Agência de Informação de Moçambique, da revista Tempo e do jornal Notícias de Maputo.
A escrita tem sido uma paixão constante, desde a poesia, na qual se estreou em 1983, com A Raiz de Orvalho, até à escrita jornalística e à prosa de ficção. Vencedor de vários prémios, (Prémio União Latina de Literaturas Românicas - 2007, Prémio Vergílio Ferreira - 1999) tem a sua obra traduzida em alemão, castelhano, francês, inglês, italiano, neerlandês, norueguês e sueco.

A obra: «Mia Couto firmou-se através de uma sábia, aturada e deslumbrante arte de «desreconstruir» a palavra, o fraseado, a língua comum.
Instaurou algo de imprevisto e criativo, uma estrutura que se compatibilizava com formas orais locais de manipular o português, e com a capacidade inerente a essas sociedades de lidarem com o sobrenatural, convivendo com ele, deixando que influencie o quotidiano enquanto elemento fulcral da cultura, da sua relação com o mundo, com os outros e com a peculiar ligação com a morte.
Destaque-se, então, a capacidade de escrita, mas também o sagaz olhar observador – enquanto, por via da sua outra profissão, a de biólogo, vai contactando os seus concidadãos pelo país fora – assumindo a construção do enredo ancorado nesse lado essencial da (co)existência moçambicana. Mas a pioneira laboração de reinventiva vocabular, compreendeu-o o autor, era limitada e ele abriu-se a novas formas. Entre elas, o desenvolvimento da vertente que assimila o sentido mágico da vivência dos seus patrícios.
Neste novo romance, Mia Couto trabalha-a em cada personagem e situação, e ao imaginarmos, no desenrolar da intriga, que convivemos com algum ser mirabolante, um autêntico marginal na trama, eis que, afinal, não é só ele, são dois, três, poderão ser todos, num rodopio que nos deixa sem sabermos se é a realidade a conter esses «tresandarilhos» roçando a ombreira da narrativa, se, pelo contrário, é a narrativa que nos armadilha e enreda na própria mágica.
Entre memórias da época colonial e sobressaltos e tiques da administração do país novo, afinal o sentido telúrico da relação com o impulso do sobrenatural está omnipresente e impõe-se, hoje, no espaço moçambicano.
Em alguns passos, tal escrita merecia mais rigor: demasiadas frases construídas para serem sentenciosas, tornando-se pesadas ao texto, e outras menos inspiradas, como «nessa noite um foi lençol do outro», ou «estaria submerso entre o frio cinzento», ou «segue até à obscuridade do ventre da casa». (António Loja Neves – Expresso)



MESSAGE
Autor: Fernando Pessoa

Editora: Oficina do Livro
Ano: 2008
Género: Poesia

O autor: Fernando António Nogueira Pessoa, mais conhecido como Fernando Pessoa, nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888 e ali a 30 de Novembro de 1935.
O maior autor da heteronímia.
Morreu de problemas hepáticos aos 47 anos, tendo sua última frase sido escrita na língua inglesa: "I know not what tomorrow will bring... " ("Eu não sei o que o amanhã trará").
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte
Entre uma e outra todos os dias são meus.
(Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos, escrito entre 1913-15)

A obra: É publicado agora em versão inglesa o grande poema épico do século XX, contando com um estudo de um reputado especialista Pessoano, Richard Zenith.
Mensagem é a única obra completa de Fernando Pessoa publicada em sua vida. A sua publicação foi no dia 1 de Dezembro de 1934, aquando das comemorações da Restauração.
Os 44 poemas que a constituem estão agrupados em três partes, correspondentes às etapas da evolução do Império Português: nascimento, realização e morte. Em Brasão, estão os construtores do Império; em Mar Português, surge o sonho marítimo e a obra das descobertas; em O Encoberto, aparece a imagem do Império moribundo.
Concorrente ao "Prémio Antero de Quental", foi preterida a favor de uma obra de um padre, que ilustrava a fé do povo conveniente ao regime, tendo de contentar-se com o segundo lugar no concurso. Hoje é reconhecida como uma obra fundamental da poesia portuguesa.

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Padre António Vieira - Grandes Pensamentos

Autor: José Eduardo Franco
Editora: Gradiva Publicações
Ano: 2008
Género: Literatura clássica (período barroco)

O autor: O Padre António Vieira (1608-1697) foi missionário, pregador, diplomata, político e escritor. Nasceu em Lisboa e aos sete anos parte com a família para a Baía, no Brasil, onde o pai exercia a função de secretário da Governação. Estuda no colégio jesuíta da Baía e ingressa na Companhia de Jesus, recebendo ordens em 1635 e iniciando nessa altura o seu trabalho como pregador. Em 1641 parte para Lisboa com o governador para apresentar ao rei D. João IV a adesão à causa da Restauração. O rei encarregou-o de várias missões diplomáticas na Holanda e em Roma. Não sendo bem sucedido nestes encargos, regressou novamente ao Brasil e dedicou-se à missionação dos índios. Após a morte de D. João IV, a Inquisição acusa-o de professar opiniões heréticas (1662-1667), mas é absolvido com a subida ao trono de D. Pedro II. Depois de novo e intenso período de trabalho como diplomata em Roma e como pregador, regressa definitivamente à Baía, onde morre com quase 90 anos de idade.

A obra: Os adágios, aforismos e pensamentos do Padre António Vieira seleccionados para edição nesta obra.
A partir do levantamento exaustivo das obras do Padre António Vieira, recolhe-se aqui um conjunto de expressões, de frases de tal modo consagradas, que se tornam aforismos e, por isso, referências inspiradoras.
Os grandes pensamentos sobre, entre outros temas, o amor, Deus, o Homem, a justiça, a paz, a ambição, a guerra, o ódio, o merecimento, o perdão, a amizade, a verdade, a auto-estima, os livros, o futuro e a liberdade povoam a magnífica produção retórica de Vieira.

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Pequenos mistérios

Autor: Bruce Holland Rogers

Editora: Livros de Areia
Ano: 2008
Género: Contos / Fantástico

O autor: Bruce Holland Rogers nasceu em Tucson (Arizona, USA), em 1958. Especializou-se na escrita de curtíssimas histórias, que lhe valeram inúmeros prémios, entre os quais o Pushcart Prize, dois Nebula Awards, o Bram Stoker Award, dois World Fantasy Awards, e nomeações para o Edgar Allan Poe Award e o Premio Ignotus, em Espanha. Vive actualmente entre o Oregon e Londres.
É um nome que chega pela primeira vez ao público leitor de língua portuguesa.

A obra: Trata-se uma colectânea de quarenta contos, que conquistou o muito cobiçado World Fantasy Award em 2006 (na categoria de “Colectâneas”). prefácio, escrito exclusivamente para esta edição, Jeff VanderMeer escreve: “invejo todos aqueles que se deparam com este livro pela primeira vez. Sentirão o prazer da descoberta e da revelação que eu próprio tive – um prazer divertido, horripilante e comovente. Espero que o leitor saiba reconhecer o talento aqui apresentado, bem como a sabedoria, e que dedique toda a sua atenção a esta colectânea. Quanto mais investir em pequenos mistérios, maior será e continuará a ser o retorno.”

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O Véu do Medo

Autor: Samia Shariff
Editora: Círculo de Leitores
Ano: 2008
Género: Sociedade

O autor: Samia Shariff nasceu em França, em 1959, no seio de uma família de origem argelina, mas com sete anos regressa com os pais à Argélia. Ainda adolescente é forçada a casar com um homem mais velho, conhecido pelo seu extremismo, que a viola e maltrata.
Obrigada a ceder o seu primeiro filho à avó, é com horror que vê nascerem mais cinco filhos, dois dos quais meninas. Começa então a temer pelo seu futuro.
Samia sabia da violência e humilhação que sofria todos os dias, pelo que queria salvar as filhas de tal destino. Uma fuga, mal sucedida, poderia custar-lhe a vida... Mas decide-se. Parte com cinco dos seis filhos primeiro para França, depois para o Canadá. E só do outro lado do oceano parece ter encontrado a paz que procurava.

A obra: Esta é a sua história de fuga, o medo com que viveu anos a fio, e como agora consegue, finalmente, tirar o véu, mostrar a cara.
Fugiu com os cinco filhos. Não tinha para onde ir, nem quem a ajudasse, mas sabia que não podia voltar atrás. Em denúncia, e como sinal de esperança para as tantas mulheres vítimas de maus-tratos, decidiu escrever a sua história.
«O Véu do Medo» é seu relato de vida – uma tentativa de ajudar todos os que, como ela, ousaram querer ser livres.
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A Presença Templária em Portugal
Autor: José Manuel Gomes Gonçalves Capêlo
Editora: Zéfiro
Ano: 2008
Género: História de Portugal

O autor: Nasceu a 29 de Janeiro de 1946 em Castelo Branco.
Poeta, ficcionista, investigador e editor, tem colaboração (poesia, recensão crítica, conto e ensaio) dispersa em jornais e revistas, quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Textos seus foram traduzidos e/ou publicados em algumas edições estrangeiras, nomeadamente, no Brasil, Espanha, França, Inglaterra, República Popular da China e USA.

A obra: Uma investigação detalhada, baseada exclusivamente em fontes historiográficas reconhecidas, sobre a presença templária em Portugal, os seus Mestres e a sua História, desde a sua origem, em 1124 ou 1125, até à sua extinção em 1314.



Chamam ao Telefone o Senhor Doutor Afonso Henriques

Autor: Nuno Nazareth Fernandes

Editora: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Nuno Nazareth Fernandes nasceu em Lisboa a 24 de Junho de 1942. É licenciado em Engenharia Mecânica (Aeronáutica) pelo Instituto Superior Técnico.
Compositor, letrista, cartoonista, fotógrafo, poeta e guionista, é sobretudo conhecido pelas suas participações nos Festivais RTP da Canção que venceu por três vezes, com O Vento Mudou, Desfolhada e Menina, pelos sketches de Eu Show Nico e EuroNico e como autor de texto e música de inúmeras Revistas, num percurso de mais de quatro décadas entre os mundos do Disco, da Rádio, da Televisão e do Teatro. Em todos esses campos trabalhou com os mais variados autores e poetas, sobretudo com José Carlos Ary dos Santos com o qual escreveu, entre muitas, uma das mais belas canções da música portuguesa: Canção de Madrugar.
Fez parte da Direcção e Administração da Sociedade Portuguesa de Autores ao longo de sete anos. Considera-se um "estudioso compulsivo" de História, principalmente no que diz respeito à de Portugal e da Ordem do Templo.
Chamam ao Telefone o Senhor Doutor Afonso Henriques, não sendo o seu primeiro livro, é, contudo, o seu primeiro romance.

A obra: Romance de acção, mistério, amor, sexo e violência, tem sempre, na sombra, como pano de fundo, a presença da enigmática Ordem do Templo, não na sua componente material, mas na sua mensagem gnóstica.
É uma metáfora. Uma história de suspense entre o thriller e a ficção científica, que decorre, aparentemente, numa Lisboa de hoje, entre o primeiro e o seguinte raio de sol de um dia que pode acontecer a qualquer momento.
Ao longo de um diálogo de 24 horas como fio condutor, em sucessivos flash-back, numa linguagem quase cinematográfica, desfilam os últimos sessenta anos da História de Portugal, mas também todo o seu milenário passado, entrecortado por momentos-chave da própria Civilização, num revisitar do nosso imaginário colectivo.

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Crónica da vida social dos ocultistas

Autor: Luís Filipe Sarmento
Editora: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais
Ano: 2007 ?

Género: Romance


O autor: Luís Filipe Sarmento nasceu a 12 de Outubro de 1956. É jornalista, escritor, tradutor e realizador de vídeo e televisão.
É autor de vários livros. Alguns dos seus textos encontram-se traduzidos em inglês, espanhol, francês, mandarim, japonês e romeno.

A obra:

«”A Crónica da Vida Social dos Ocultistas” é um livro instrutivo, irónico, corajoso, por vezes apaixonante, por vezes hilariante. Inicia-nos, com realismo e humor, em mistérios muito actuais. Assistimos a espectáculos mágicos, escutamos assombrosos discursos, planamos sobre o poder, a fraude e a ilusão, sobre crenças autênticas, mistificações e factos históricos. Só lendo…» (Urbano Tavares Rodrigues).

«Uma autópsia do grotesco, como esta a que Luís Filipe Sarmento procede com bisturi magistralmente afiado, corria talvez o risco de escandalizar quem anda pelos átrios do espírito com os olhos postos no folclore, no brilho das lantejoulas simbólicas, na superfície. Não é com esses que o Autor se entende. O filme sardónico que faz desfilar diante do leitor, este relato genial na captura dos pequenos e grandes ridículos, esta gargalhada saudável que desfere à face da parlapatice de capa esotérica – significam, afinal, o contrário do que parecem: sendo uma obra de crítica, mordaz e implacável quanto baste, este livro encerra ainda uma esperança, legível em tinta indelével nas entrelinhas. É esse duplo sentido, a um tempo arrasador e visionário, que faz da “Crónica da Vida Social dos Ocultistas” uma leitura tão compulsiva, a que uma mestria no domínio dos diálogos deu uma rara fluidez» (Jorge Morais).
«Esta “Crónica da Vida Social dos Ocultistas”, de Luís Filipe Sarmento, tem três grandes virtudes. Antes de mais, é uma história bem contada, que se lê de um fôlego. É, ao mesmo tempo, uma aventura divertida, cheia de inesperadas peripécias que nos levam, frequentemente, até à gargalhada. E subjacente ao talento da escrita – em que se sublinha a capacidade de chegar ao leitor sem supérfluos artifícios de estilo, mas com uma prosa rica de originalidade e, ao mesmo tempo, escorreita, simples e directa – o autor desoculta uma realidade esotérica, que conhecemos mal, numa dupla dimensão. Enquanto sociedade que cultiva o secretismo, e também enquanto grupo social que trilha vias, que os seus membros entendem ser as de saberes alternativos, só ao alcance dos iniciados. Em suma, uma delícia» (Mário Contumélias).

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A História de Um Rapaz Mau

Autor: Thomas Bailey Aldrich

Editora: Tinta da China
Ano: 2008
Género: Ficção

O autor: Thomas Bailey Aldrich (1836-1907), escritor, e editor dos Estados Unidos da América.

A obra: Em 1869, quando já se contava entre os escritores reconhecidos da América, Thomas Bailey Aldrich apresentou à literatura americana o «rapaz mau» – aquele que prega partidas inofensivas, engendra aventuras emocionantes, sofre as penas de um amor não correspondido, que se aborrece aos domingos e de quem a maior parte das pessoas gosta muito. Foi este romance que inspirou Mark Twain em «As Aventuras de Tom Sawyer» e «As Aventuras de Huckleberry Finn».
«A História de Um Rapaz Mau» é um clássico da literatura americana do século XIX, para os jovens de todas as idades.


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Um Olhar Sobre a Pobreza

Autor: Alfredo Bruto da Costa
Editora: Gradiva
Ano: 2008
Género: Sociologia

O autor: Alfredo Bruto da Costa é um político português. Ocupou o cargo de Ministro da Coordenação Social e dos Assuntos Sociais no V Governo Constitucional.
Tem larga experiência de estudo e investigação no domínio da pobreza, tema do seu doutoramento na Universidade de Bath (Reino Unido). Leccionou em diversos cursos de licenciatura e mestrado.
A obra: Em Portugal, a pobreza continua, de modo geral, a ser entendida como fenómeno residual e periférico. Os programas de combate à pobreza têm sido, igual e maioritariamente, residuais e periféricos. São residuais, na medida em que constituem um acrescento marginal às políticas económicas e sociais; e são periféricos porque não atingem os factores estruturais que residem na sociedade dominante.
Este é um livro sobre problemas estruturais da sociedade portuguesa. A «fragilidade» estrutural da sociedade portuguesa ressalta bem evidente no estudo longitudinal da pobreza em Portugal. Com efeito, durante pelo menos um dos anos do período entre 1995 e 2000 passaram pela pobreza 46% de portugueses.


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Grécia-Petteia

Autor: Carlos Pereira dos Santos e outros

Editores: “O Público” e “Visão”
Ano: 2008
Género: Matemática (entretenimento)

Os autores: -

A obra: Petteia é um célebre jogo que vem da Grécia, mas pode ter nascido no Egipto. É um bom exemplo da forma como a matemática se desenvolveu e alastrou até aos pensamentos dos filósofos que começaram a olhar para ela como uma forma ideal de atingir a verdade e de apoiar as suas conclusões em argumentos válidos e testáveis.
O jogo Petteia – ou Cidade (‘Pólis’) que significa tabuleiro de jogo – vem acompanhado de um pequeno livro de enquadramento histórico, que nos mostra que a matemática pode ter um lado lúdico e estimulante sem perder o seu carácter pedagógico.
“A matemática não tem que ser hermética e árida (…) não tem que ser uma seca e pode ser acessível a todos, se apresentada de uma forma leve e divertida” (Jorge Nuno Silva, professor universitário também presidente da Associação Ludus, cujo objectivo consiste em promover e divulgar a matemática recreativa)
Um jogo e livro para levar para as férias que se aproximam.




Já Não Se Escrevem Cartas de Amor
Autor: Mário Zambujal
Editora: A Esfera dos Livros
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Nasceu em Moura, em 1936. Trabalhou no semanário Os Ridículos e foi jornalista de A Bola e de O Jornal. Ocupou os cargos de chefe de redacção de O Século e do Diário de Notícias; de director-adjunto do Record; director do Mundo Desportivo, Tal & Qual e Sete. É autor de textos para rádio, televisão e teatro e de vários livros dos quais destacamos Crónica dos Bons Malandros, em 1980, que teve grande sucesso e deu origem a uma longa-metragem de Fernando Lopes; Histórias do Fim da Rua, em 1983; e À Noite Logo se Vê, em 1986. Mais recentemente publicou o livro Primeiro as Senhoras.
Autor de ficção.

A obra: Duarte é um jovem "bon vivant", que, entre as noites glamorosas passadas no Grande Casino Internacional do Estoril, as tardes de café no Chave D'Ouro, no Palladium ou no Martinho do Rossio e a vida boémia nas boîtes da capital, vê o seu coração ser arrebatado por uma jovem alta, esguia, loura e de sorriso luminoso, de nome Erika.
Mário Zambujal transporta-nos, nesta novela de prosa clara e original, pautada de humor, imaginação e sensibilidade, numa viagem de imagens e memórias, à Lisboa dos anos 50. Uma época de apetites e excessos. De paixões e desventuras. Era um tempo em que havia tempo. Até se escreviam cartas de amor.

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O Meu Nome é Salma
Autora: Fadia Faqir
Editora: Europa-América
Ano: 2008 ?
Género: Romance

O autor: Fadia Faqir é uma escritora jordana/britânica, defensora dos direitos humanos, sobretudo dos direitos das mulheres no mundo árabe. É autora de mais dois romances. Vive com o marido em Durham.

A obra: Uma jovem muçulmana à procura de asilo em Inglaterra, foge do irmão que a quer matar de modo a salvar a honra da família.
Quando, na sua pequena aldeia do Levante, Salma fica grávida antes de casar, os seus dias de inocência desaparecem para sempre. É encarcerada para sua própria protecção. Ao som dos seus gritos, a sua bebé é-lhe retirada.
No meio da mais inglesa das cidades, Exeter, ela aprende as maneiras ocidentais com a sua senhoria e torna-se companheira de um inglês. Mas fundo no seu coração ainda sente o ecoar do choro da sua bebé. E quando já não consegue aguentar mais, volta à sua aldeia em busca da filha. Uma viagem que mudará tudo… e nada.
Alternando entre as plantações de oliveiras do Levante e os passeios encharcados pela chuva em Exeter, "O Meu Nome é Salma" é um retrato pungente da coragem de uma mulher face a um destino insuperável.

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A Última Crise do Petróleo
Autor: David Strahan
Editora: Europa-América
Ano: 2008
Género: Actualidade

O autor: David Strahan é um jornalista de investigação premiado e realizador de documentários televisivos, especialista na análise de alguns dos temas mais importantes e difíceis do mundo dos negócios e da ciência. Ao longo dos últimos dez anos, tem colaborado extensivamente com a BBC (nomeadamente através dos programas Horizon e The Money Programme).

A obra: Drenando o fluxo vital da civilização industrial, o declínio terminal da produção de petróleo e de gás natural será responsável por uma crise mil vezes pior do que o terrorismo e tão urgente como as alterações climáticas. Os líderes mundiais sabem-no. Então, porque não somos informados?
Este livro é o segredo que se esconde por detrás das crises no Iraque e no Irão, o motivo por que a nossa conta do gás não pára de aumentar, a base das negociatas secretas entre George W. Bush e Tony Blair, o gatilho do mais que provável colapso económico e a razão por que, muito em breve, poderá ter de se despedir das chaves do seu carro.
O autor explica como chegámos a este ponto crítico, como o silêncio dos Governos, das companhias petrolíferas e dos ambientalistas representa uma conspiração para nos manter às escuras, qual o seu significado em termos de política energética e o que podemos fazer para nos protegermos, e às nossas famílias, dos ataques da última crise do petróleo.

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Entre Dois Rios e Outras Noites

Autora: Ana Luísa Amaral
Editora: Campo das Letras
Ano: 2008
Género: Poesia

A autora: Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, em 1956, e vive, desde os nove anos, em Leça da Palmeira. É Professora Associada na Faculdade de Letras do Porto.
É autora de nove livros de poesia e dois livros infantis. Representada em inúmeras antologias portuguesas e estrangeiras, a sua poesia encontra-se traduzida para várias línguas. Editada no Brasil. Em 2007, obteve o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas e recentemente foi galardoada em Itália com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi

A obra: Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE) 2008.
Depois de "A Génese do Amor", livro de 2005 com o qual venceu o Prémio Correntes d'Escritas 2007, a autora regressa com "Entre dois rios e outras noites" para mostrar com que fios se tece a linguagem do silêncio, qual a matéria da poesia e que halo a liberta e lhe dá forma.
Radicada na memória, a poesia de Ana Luísa Amaral tem a originalidade na forma de rasgar esse tempo, pois a poesia vive de "desconjunções" e do avesso, precisa de uma urgência, "o olhar que fala, fala de um ponto outro": "As linhas todas tortas outra vez, /e a meia muito em seda e muito preta, / espreitando da gaveta, /enovelada e do avesso /em verso".
"Teia de espelhos", jogo entre "dois rios e outras noites", o poema é, então, o resultado do acaso: "Que mística haverá /neste colocar versos, uns sobre os /outros, peças de jogar, pirâmides / de plástico ou madeira, /os faraós ausentes? //Convoco o sol, que é meu, /mas não aquece / E sou quase completa nessa /imperfeição"." (Teresa Sá Couto)

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O Tesouro dos Maruxinhos
Autor: Alexandre Parafita
Editora: Oficina do Livro
Ano: 2008
Género: Juvenil

O autor: Alexandre Parafita é investigador do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa, nas áreas do património imaterial e da mitologia nacional. Com o doutoramento em Cultura Portuguesa, é autor de alguns dos principais estudos e pesquisas realizados em Portugal nestes domínios, a par de uma vasta obra de literatura infantil. Actualmente, faz parte da equipa de investigação incumbida de realizar o "Arquivo e Catálogo do Corpus Lendário Português", no âmbito da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

A obra: Mitos e lendas para os mais novos.
"O Tesouro dos Maruxinhos dá-te a conhecer antigas lendas que perduram na memória dos povos da fronteira, no Norte de Portugal. Vais conhecer histórias que falam de uma raça de pequenos seres mitológicos, pequenos duendes, que viviam nas ruínas de velhos castros ou em grutas misteriosas que passam por baixo das aldeias. São os maruxinhos. Miudinhos de corpo, orelhudos, rosto enrugado, olhos vivos, garras em vez de mãos - tal é o aspecto destes seres elementares da natureza, conforme narram as lendas.
Ainda hoje o povo exclama: "És fino como um maruxinho!". Para dizer o quê? Duas coisas: que é esperto e matreiro; ou que é miudinho e esguio, e em qualquer frincha se esconde.
São assim os heróis destas histórias!"

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História da Primeira República Portuguesa
Autor: Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo(coord.)

Editora: Tinta-da-China
Ano: 2009
Género: História

O autor: -

A obra:

Em que cenário é que Portugal transitou da Monarquia para a República? Qual a intervenção e a atitude da população face ao novo regime? Quais as aspirações dos republicanos ao assumirem o poder? Que sucessos e que fracassos obtiveram? Porque caiu a República, abrindo caminho a meio século de ditadura?
A amplitude e profundidade de perspectivas é aqui assegurada por uma dinâmica equipa de investigadores do Instituto de História Contemporânea, cuja competência possibilitou, finalmente, a publicação de um volume que cobre todas as vertentes necessárias à compreensão plena do primeiro período republicano português: historiografia política, económica, social, cultural, religiosa.

"Propomos, neste volume, vários entendimentos para essa curta mas rica e complexa República de 16 anos que, longe de ser a aurora emancipadora e progressista que os seus apologistas e apoiantes anunciavam, desejavam e por que se bateram, acabou por se transformar na conturbada crise terminal do liberalismo português a que sucederia o longo ciclo de autoritarismo. Como venceu a República em 1910? Que contradições, que dificuldades viveu, como as resolveu, ou não, até à terrível aventura da participação na Grande Guerra? Que projectos delineou, que portas abriu ou tentou abrir nos vários campos em que procurou apostar? E como renasceu do pós-guerra, após o breve mas premonitório intervalo sidonista? Que República ou que repúblicas e anti-repúblicas foram essas que então se realinharam, também em Portugal, para a grande batalha social e política que anunciava na Europa a época dos fascismos? Afinal, porque venceu e porque morreu a Primeira República? E o que ficou dela como património de memória e reflexão para a democracia de hoje?" (da Introdução)

"A 1ª República teve como herança imediata um momento não menos conturbado e trágico da nossa história, principalmente a partir da crise generalizada motivada pelo Ultimato britânico de 1890, da bancarrota que lhe seguiu, e dos muitos conflitos que houve nestas duas décadas: "entre 14 de Outubro de 1890 e 5 de Outubro de 1910 sucederam-se 20 governos, dos quais seis apenas no reinado de D. Manuel", em média, um governo por ano, situação que desembocou na ditadura de João Franco e no regicídio e, por último, na implantação da República em 5 de Outubro de 1910.
Implantada a República, o Governo Provisório, sob a direcção do Partido Republicano Português (PRP) - em funções até à aprovação da Constituição de Agosto de 1911 - levou a cabo uma profunda reforma na sociedade portuguesa de então, na generalidade aceite por todos como necessária e positiva.
Poucos meses depois de aprovada a Constituição Política da República Portuguesa em Agosto de 1911, o PRP desmembrava-se em três partidos: era criado o Partido Democrático, de Afonso Costa; em 24 de Fevereiro de 1912, António José de Almeida fundava o Partido Evolucionista e, dois dias depois, Brito Camacho fundava a União Republicana. A República que se seguiu ao desmembramento do PRP não evoluiu para o bipartidarismo, como outrora o rotativismo parlamentar monárquico, em vez disso, prevaleceu o multipartidarismo, dominando o Partido Democrático.
A partir daqui a sucessiva saga de governos não ia parar: o 1º governo constitucional de João Pinheiro Chagas pouco mais durou que dois meses. Durante os 16 anos de vida da República sucederam-se:

7 Parlamentos, 8 Presidentes da República, 46 governos [4].
68 Ministros da Fazenda/ Finanças (1910-1926)
19 Ministros do Fomento (1910-1917)
41 Ministros de Trabalho (1916-1925)
22 Ministros do Comércio (1917-1921)
47 Ministros da Agricultura (1918-1926)
6 Ministros de Abastecimento (1918-1919)
3 Ministros de Subsistência e Transporte (1918)
22 Ministros do Comércio e Comunicações (1921-1926) [5]."

(António Mota de Aguiar)

Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?
Autor: António Lobo Antunes

Editora: Dom Quixote
Ano: 2009
Género: Romance

O autor: (resumo da biografia, em semanas anteriores)

A obra:
Chega às livrarias o novo romance de João Lobo Antunes, há muito anunciado. No seu estilo único, o autor retrata-nos
personagens inesquecíveis.
«Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?– título que retoma um verso de uma cantiga popular de Natal – narra a história de uma família ribatejana em processo de decadência acelerado: a mãe “vai morrer às seis horas”. O pai, viciado no jogo, já faleceu, há uma criada velha, Mercília, misto de Cassandra e Gata Borralheira carcomida pelo reumático e pela vida madrasta, e há os filhos. Beatriz, abandonada pelos homens e amada pelo pai; Rita, levada prematuramente por um cancro; Ana, consumida pelo pó que injecta nas veias; João, que gosta de rapazes e é o preferido da mãe; Francisco, possuído pelo ódio e aguardando a vingança inscrita nos livros das contas; e o bastardo, aquele cujo nome nunca se pronuncia e que não se mostra às visitas.
Cada uma das personagens (incluindo os mortos e os quase mortos...) fala em momentos distintos e sequenciais, cosidos entre si de acordo com a estrutura de uma corrida de touros: “Antes da Corrida”, “Tércio de Capote”, “Tércio de Varas”, “Tércio de Bandarilhas”, “A Faena”, “A Sorte Suprema”, “Depois da Corrida”.
Por vezes atropelam-se e o autor atropela-os a todos.A morte, e o prenúncio de morte, atravessa o romance do princípio ao fim, mas é sobretudo a memória que importa. Uma memória quase sempre terrível que funda a identidade de cada uma das vozes, todas, afinal, apenas uma, unidas pela impossibilidade de regressar à “paz da infância”. (
Ana Cristina Leonardo



Ainda Alice
Autor: Lisa Genova

Editora: Do autor
Ano: 2009
Género: Romance

O autor:
Formada em Psicologia e doutorada em Neurociência pela Universidade deGenova foi investigadora em áreas como a depressão, a doença de Parkinson e a perda de memória.
Interessou-se pela Alzheimer quando a sua avó deu os primeiros sinais da doença. Interrogando-se sobre como se sentiriam as pessoas que a vivem, vendo o mundo desagregar-se à sua volta, decidiu escrever este romance. Pagou a sua publicação do próprio bolso e vendeu-o a partir do porta- bagagens do carro.
Logo na semana de relançamento, entrou para a lista dos
best-sellers do “New York Times” e venceu o prémio Bronté 2008.
É o seu primeiro romance.

A obra:
«O mundo de Alice é perfeito. Professora numa conceituada universidade, é feliz com o marido, os filhos, a carreira. E tem uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia, porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal de que o mundo de Alice começa a ruir.as idas ao médico e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, Alice vê a vida a fugir-lhe. Amada pela família, unida à sua volta, é ela que se afasta, suavemente arrastada para o esquecimento, levada pela Alzheimer.
Ainda Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo, o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória de uma vida e de um amor imenso.»
"Para mim, o livro foi tão especial porque retrata a doença do ponto de vista do paciente. Isso é uma forma esclarecedora e até revolucionária de tratar esse mal, já que, como a doença faz com que os pacientes se esqueçam de tudo, a gente só tem informações sobre os cuidadores, sobre como agir com quem possui o mal, sobre os sintomas e sobre os avanços no tratamento. E sobre quem possui a doença? E sobre o que eles passam nesse período de transição? E sobre os lapsos que ocorrem nesse processo?
As pessoas acabam esquecendo que a doença toma conta do cérebro aos poucos e simplesmente ignoram os pacientes, como se só quem cuida e convive com um portador de Alzheimer precisasse de conforto, informações e auxílio. Até piorar e esquecer as informações mais importantes de sua vida, Alice ainda lembrava-se que tinha uma carreira, que tinha uma família e que tinha Alzheimer, mas precisou decidir como criar um plano para sua vida sozinha, já que não encontrou ajuda especializada para pacientes, só para cuidadores."

De uma entrevista com Lisa Genova:
Porque razão escolheu contar a história do ponto de vista de uma pessoa jovem? A personagem Alice só tinha 50 anos.
Quando a maioria das pessoas pensa em Alzheimer, pensa num idoso de 80 anos, um avô confuso que já não conhece ninguém. Mas cerca de 10% das pessoas afectadas têm menos de 65 anos. São independentes e os seus dias estão recheados de responsabilidades, têm sonhos para os seus futuros. Por ela ser tão nova, eu conseguiria associar uma cara e uma voz às pessoas com Alzheimer precoce, e levar os leitores a identificarem-se com ela.


Ulisses
Autor: James Joyce

Editora: DIFEL
Ano: 2009
Género: Romance

O autor:
James Augustine Aloysius Joyce (1882-1941) nasceu em Dublin, Irlanda. É considerado um dos autores de maior relevância do século XX, particularmente da língua inglesa.
Embora tenha vivido fora de seu país natal na maior parte da vida adulta, as suas experiências irlandesas são essenciais para a sua obra e fornecem-lhe toda a ambientação e muito da temática.
As suas obras mais conhecidas são o volume de contos
Dublinenses (1914) e os romances Retrato do Artista Quando Jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans Wake (1939).

A obra:
É uma obra de 1922, agora reeditada em Portugal.
Por descrever, em diversos pontos, aspectos da fisiologia humana então considerados não publicáveis, o livro foi censurado em diversos países, como nos Estados Unidos e Inglaterra.

"A 16 de Junho de 1904, Leopold Bloom, um judeu irlandês, sai de casa para comprar os rins que a mulher adora comer ao pequeno-almoço, ir à Posta Restante buscar as cartas de amor da amante, cumprir as suas obrigações de angariador de publicidade e assistir ao enterro de um velho conhecido no cemitério.
O Sr. Bloom, como Ulisses através dos mares, vai ser arrastado através de Dublin numa odisseia trivial e aventureira. A ilha dos Lotófagos, a gruta de Polifemo e a caverna de Circetomam aqui nomes de praças de Dublin, de bares e de bordéis irlandeses; Nausicaa, Penélope, Telémaco e os pretendentes são empregadas de bares, uma cantora, um jovem professor de História falador e boémio, um velho empresário corrupto ou ébrios eloquentes.
Será apenas na madrugada seguinte, bem comido e melhor bebido, que Leopold Bloom regressará a casa - Ítaca, após ter sido expulso de um bar por um sujeito intratável, depois também de ter apanhado no bordel uma bebedeira memorável que termina num pandemónio fabuloso e repercorrido, titubeante, a história da vida de um pobre diabo judeu irlandês, enganado pela mulher e que corre atrás de qualquer saia que lhe passa perto.
Terá pelo caminho refeito todo o percurso da História, paródica e sublime, a história de tudo o que a Humanidade inventou para atravessar a terra: línguas, culturas, metafísicas, filosofias, teologias, erotismos, ritos, brincadeiras, preces, magias, sem esquecer o whisky, o vinho tinto e os rins fritos em manteiga, sem esquecer também os prodígios da palavra humana, única alavanca de Arquimedes que poderia, sem ponto de apoio, levantar o mundo.
Considerada, unanimemente, uma das mais importantes e controversas criações literárias da literatura mundial, Ulisses criou formas inusitadas de expressão, inaugurou uma nova linguagem, inventou voz e estilo, e, por muito tempo, devido às suas transgressões literárias, permaneceu censurado."



A Perspectiva da Morte: 20 (-2). Poetas Portugueses do Séc. XX
Autor: Manuel de Freitas

Editora: Assírio & Alvim
Ano: 2009
Género: Poesia

O autor:
Nasceu em 1972, no Vale de Santarém. Vive desde 1990 em Lisboa, onde tem exercido as actividades de tradutor, crítico literário e editor
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A obra:
Antologia de poetas portugueses nascidos entre 1900 e 1950, “numa viagem estritamente pessoal por uma parte talvez muito significativa do nosso século XX, onde se acolhem poetas (ou, se preferirem, me visitam)”, segundo as palavras do autor.
Pela ordem que surgem no livro (ordem cronológica da data de nascimento), são: Vitorino Nemésio, Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade, António Manuel Couto Viana, Mário Cesariny, Herberto Helder, António José Forte, Fernando Assis Pacheco, Armando Silva Carvalho, Luiza Neto Jorge, A.M. Pires Cabral, Fátima Maldonado, António Franco Alexandre, Manuel Gusmão e José Amaro Dionísio.
As duas ausências, assinaladas no título, são as de João Miguel Fernandes Jorge e Joaquim Manuel Magalhães.

«Esta antologia tem uma dimensão crítica bem marcada e nasce de uma sólida consciência literária. Polémica, é certo, e para alguns odiosa. Mas o autor deste livro sempre se apresentou, enquanto poeta, crítico, editor e antologiador, como alguém que assume a responsabilidade de escolher e motivar com argumentos as suas escolhas»
Com este título,
A Pespectiva da Morte, «pode-se pensar que se trata de um princípio temático. Mas é mais do que isso: onde está “morte” também poderia estar “vida”, porque aquilo de que se trata é um parti pris da vitalidade, da poesia que sai para fora de si e não se deixa encerrar nos seus meandros internos» (António Guerreiro)



Grandes Momentos da História da Humanidade
Autor: Stefan Zweig

Editora: A Esfera dos Livros
Ano: 2009
Género: História

O autor:
Stefan Zweig(1881-1942) é um dos mais importantes autores europeus da primeira metade do século XX.
Nasceu em Viena, Áustria, filho de uma família burguesa, tendo sido educado na Áustria, França e Alemanha, graduando-se em filosofia e letras.
Dedicou-se a quase todas as actividades literárias, tendo deixado uma extensa obra. Foi poeta, ensaísta, dramaturgo, novelista, contista, historiador e biógrafo.
Judeu, humanista, pacifista e crítico do nazi-fascismo, teve os seus livros proibidos e queimados em praça pública. Decidindo-se pelo exílio voluntário da Áustria, então sob dominação alemã, iniciou uma peregrinação pelo mundo, tendo vivido em Inglaterra, que lhe concedeu cidadania, e Nova York, mudando-se depois para o Brasil. Aqui, na cidade de Petrópolis, deprimido com o crescimento da intolerância e do autoritarismo, e sem esperanças no futuro da humanidade, escreveu uma carta de despedida e suicidou-se com a mulher.

Entre os seus romances, merecem destaque "Carta de uma Desconhecida", "A Novela de Xadrez", "Amok", "Vinte e Quatro Horas na Vida de uma Mulher".
Escreveu várias biografias, entre elas, "Maria Antonieta", "Fouché", "Maria Stuart", "Fernão de Magalhães".
Na área da história, escreveu, entre outros, "Momentos decisivos da Humanidade" e "Brasil, um país do futuro", que constitui não só um retrato do Brasil, como também uma interpretação do espírito brasileiro.
De realçar uma auto-biografia intitulada "O Mundo Que Eu Vi", onde relata episódios da sua vida tendo como base os contextos históricos do período em que viveu (Monarquia Austro-Húngara, Primeira e a Segunda Guerras Mundiais).


A obra:

Foi agora reeditado este livro, ao longo do qual Stefan Zweig dá-nos a conhecer 14 momentos fundamentais que marcaram a História da Humanidade.

«"Grandes Momentos da História da Humanidade"(no original "Sternstunden", "horas estelares") representa o lado mais popular, quase didáctico da obra zweiguiana.
Essencialmente, trata-se de contar histórias de grandes figuras, centrando cada narrativa num momento particular em que a História deu um passo substancial. Seja a primeira vez em que olhos ocidentais viram o oceano Pacífico ou em que o telégrafo ligou diferentes continentes; a descoberta do Pólo Sul; a fuga e morte de Marco Túlio Cícero; o regresso de Lenine à Rússia em 1917, num comboio alemão; a batalha de Waterloo; o falhanço da Sociedade das Nações; a ressurreição de Händel e a composição do "Messias"; ou a conquista de Bizâncio pelos turcos no século XV.
Vários dos textos levam títulos como 'Instante Heróico' (sobre Dostoievski), 'Fuga para Deus' (sobre Tolstoi), ou 'Génio por Uma Noite' (sobre o compositor da 'Marselhesa').
Um dos textos é em verso, e imaginamo-lo fascinante em alemão. Os restantes são em prosa.
Para um leitor de hoje em dia, mesmo um leitor que aprecia novelas de Zweig ou os seus ensaios e biografias históricas, ao princípio entram em jogo algumas prevenções mentais. Não será o tom um pouco antiquado, a exploração interior dos personagens demasiado arbitrária? Sim e não. Há um conhecimento real, maior nuns casos do que noutros, mas mesmo a especulação parece legítima, tanto quanto possível.
Quanto ao tom, Zweig é um escritor de charme num tempo em que o charme implicava uma sólida cultura clássica e longos parágrafos onde o tamanho nem se sente. Um escritor comercial, no melhor sentido.
Sem ser uma obra-prima, este foi o livro que primeiro fez dele um autor universal, e percebe-se porquê.» (Luís M. Faria)

Nuno Álvares Pereira
Autor: Jaime Nogueira Pinto
Editora: A Esfera dos Livros
Ano: 2009
Género: História

O autor:
Jaime Alexandre Nogueira Pinto, nasceu no Porto, em , professor universitário (licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboae doutor em Ciências Sociais, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticasda Universidade Técnica de Lisboa), escritor português e pensador político.
Tem publicado variadas obras de tema histórico e político. Autor de obras de História Contemporânea como O Fim do Estado Novo e as Origens do 25 de Abril, A Direita e as Direitas, Introdução à Política. Publicou em 2007 António de Oliveira Salazar – O Outro Retrato, que se encontra já na 6.ª edição, e em 2008 Jogos Africanos, que se encontra em 3.ª edição. Dirige, actualmente, a revista Futuro Presente e preside à Fundação Luso-Africana para a Cultura.
Foi administrador da Bertrand, director de O Século e colaborador regular de orgãos da imprensa, rádio e televisão.
Em 2007 no programa televisivo da RTP, Os Grandes Portugueses, foi o defensor do estadista português António de Oliveira Salazar, vencedor do dito concurso.


A obra:

«Foi graças à vontade política de Nuno Álvares Pereira, ao seu génio militar e à sua integridade que os portugueses, na grande crise do século XIV, conseguiram derrotar as forças de D. João de Castela. E foi ele quem guardou a nação independente, preparando-a para o novo tempo português de navegação e expansão além-mar.
Mas o que sabemos desta grande figura da nossa História que nas últimas décadas caiu no esquecimento? Quase 600 anos após a sua morte, a canonização solene em Roma do Santo Condestável de Portugal não deixou de causar espanto e de levantar velhas questões. Pode um chefe de guerra chegar aos altares? Pode um santo ser guerreiro e um guerreiro ser santo? Nuno Álvares Pereira mostra-nos que sim. E não por um qualquer arrependimento tardio, por uma troca aparentemente súbita e em fim de vida da cota de malha pelo hábito de monge: entre as intrigas da corrupta corte fernandina e o poder e a glória da Casa de Avis, nas horas difíceis da revolução de Lisboa e nas batalhas de Aljubarrota, Atoleiros e Valverde que marcaram a Guerra da Independência, S. Nuno de Santa Maria sempre procurou ser, no espírito e na letra, o cavaleiro perfeito, indo contra muito daquilo que, na guerra e na paz, era regra no tempo.»



O Outro
Autor: Ryszard Kapuscinski(1932-2007)

Editora: Campo das Letras
Ano: 2009
Género: Sociologia / História

O autor:
Nasceu em 1932 na cidade polaca de Pinsk, hoje situada na Bielorrússia.Licenciado em História, iniciou a sua actividade como jornalista em 1955. Foi correspondente na Ásia, no Médio Oriente, na América Latina, em África e estando em países, como a Etiópia, o Gana, o Ruanda e o Uganda, cujos movimentos nacionalistas foram retratados através da sua visão crítica e imparcial.

Presenciou 27 revoluções, viveu 12 frentes de guerra e foi quatro vezes condenado à morte por fuzilamento.
Considerado um dos grandes mestres do jornalismo moderno, tendo sido eleito em 1999 o melhor jornalista polaco do século XX e distinguido, em 2003, com o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades.
Morreu em 2007.
É o autor polaco mais traduzido e publicado no estrangeiro. Algumas das suas obras em português:
Mais um Dia de Vida – Angola 1975 (1998), Ébano – Febre Africana (2001), O Imperador ( 2004), O Império (2005) e Andanças com Heródoto (2007).

«Kapuscinski é o verdadeiro mestre do jornalismo» (Gabriel Garcia Marquez).

«Poucos autores escreveram de forma tão bela sobre coisas indizíveis. Poucos tiveram a sua coragem, quase nenhum o seu talento. Os seus livros mudaram a forma como muitos de nós olhamos para a não-ficção.» (New York Times Book Review).

A obra:
O autor evidencia uma visão do mundo idealista e pragmática, defendendo que numa época em que a humanidade se transforma rapidamente numa sociedade global, não é mais possível ignorar que, para o Outro, nós também somos Outros.
«Neste livro reúnem-se seis pequenas conferências sobre o Outro, onde Kapuscinski procura compreender o que é ser europeu ou não-europeu, colono ou colonizado, branco ou negro, numa viagem pela filosofia, pela história e pela antropologia.»

«É um livro que conta África com os seus vínculos coloniais, com as suas regras, as suas hierarquias, os seus ritmos, os seus humores e que também mostra a todos nós, europeus, os defeitos de uma mentalidade eurocêntrica pouco dada ao adequado entendimento das culturas, sociedades, religiões e civilizações que nos circundam (Francisco Sena Santos

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Quanta Terra
Autor: Filipa Martins

Editora: Guimarães Editores
Ano: 2009
Género: Romance

O autor:
Filipa Martins (1983) é uma jovem jornalista e escritora portuguesa. Em 2004, foi distinguida com o Prémio Revelação, na categoria de ficção, pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), pelo seu livro
Elogio do Passeio Público.
Inspirando-se no projecto “Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo” (que já inclui Brasil, Cabo Verde, Malaca Ormuz, Ilha de Moçambique, Macau e Goa), acaba de lançar este seu romance.

A obra:
Trata-se de uma fantasia sobre os feitos dos portugueses, do Oriente ao Novo Mundo. “Seleccionei sete monumentos que fazem a narrativa da história", explica a autora.

Uma das personagens, é Afonso de Albuquerque, natural de Alhandra (1453) e falecido em Goa (1515).
’Nosso Senhor o quer pegar de todo’ concluiu Albuquerque, perante o desleixo do Sultão ao deixar o inimigo cirandar como os locais, não montando defesa. Não há provas de que Afonso de Albuquerque fosse mais abençoado do que qualquer um, não perdendo Deus tempo a segredar-lhe ao ouvido. Por outro lado, é de convir que a fome de pilhagem e a tentação que exerce sobre a pele e as vontades uma cidade cheia de riquezas nada tem a ver com o divino, sendo uma manifestação bem mais própria da carne do homem. Malaca era, à vista dos portugueses, a galinha anafada do vizinho, que se perdeu em quintal alheio. Só os estúpidos não carregavam.
O governador fixou o ataque para o dia 25 de Julho. Restavam-lhes dois dias de espera, não mais do que isso sob pena de os marinheiros se aborrecerem. Pouco coisa entretinha aquelas almas e quanto mais conheciam do mundo, menos se espantavam com ele. As mulheres malaias, apesar de diferentes das que tinham tido, eram menos doces ou demasiado carentes ou aborrecidas, não porque fossem de poucas falas, pelo contrário, fiavam conversas intermináveis aos ouvidos dos marinheiros numa língua incompreensível e aguda, que os fazia tombar de bêbedos antes de tirarem as calças. Uma estratégia inteligente, se fosse premeditada. Não era o caso. Há povos que não são talhados para o romance.’


Lugar de Estudo
Autor: Fernando Echevarría

Editora: Edições Afrontamento
Ano: 2009
Género: Poesia

O autor:
Fernando Echevarría nasceu em 1929, em Cabezón de la Sal, Cantábria. Poeta português, filho de pai português e mãe espanhola. Cursou Humanidades em Portugal, Filosofia e Teologia em Espanha. Exilado em Paris desde 1961, parte para Argel em fins de 1963, regressando àquela cidade em meados de 66. Aí reside desde então.
É autor de uma vasta obra literária e representado em diversas antologias de poesia.

Algumas delas:

Entre Dois Anjos
Tréguas para o Amor
Sobre as Horas
Ritmo real
A Base e o Timbre
Introdução à Filosofia
Fenomenologia
Figuras
Uso da penumbra
Geórgicas
Introdução à Poesia
Epifanías
Obra Inacabada

Prémios recebidos:
Grande Prémio de Poesia do Pen Club (1981 e 1998)
Grande Prémio de Poesia Inasset (1987)
Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1991)
Prémio de Eça de Queiroz (1995)
Prémio de Poesia António Ramos Rosa (1998)
Prémio Luís Miguel Nava (1999)
Prémio Padre Manuel Antunes (2005)
Prémio D. Dinis (2007)
Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (2007), por toda sua trajectória poética
compilada em 'Obra Inacabada'
Condecorado pelo Presidente de República portuguesa com a Ordem do Infante D.
Henrique.


A obra:

«…Num ritmo vagaroso, em que a substância de cadaé extremamente valorizada, o poema vaio lugar da presença ou de uma correspondênciade diversos planos da realidade». (António Ramos Rosa)

«… Mas em todos este percurso feito em meditação háém uma concepção musical que se implanta, umafeita de ritmo e de imagem sonora…». (Ana Hatherley)


«Aos 80 anos, Fernando Echevarría confirma a sua condição de poeta inactual.»

Desta sua colectânea, retiramos (p. 272):

Às vezes a velhice reconhece
o júbilo crescente de irmos indo.
Os passos, graves, contam. Mas só esse
esplendor vagaroso de caminho
que eleva o corpo a condição celeste
onde estremece o espírito.
E a unidade profunda, quando exerce
o ponderado ofício
e a lucidez de mover-se
segundo o assentimento do sentido.
É então que a velhice resplandece.


Barroco Tropical
Autor: José Eduardo Agualusa

Editora: D. Quixote
Ano: 2009
Género: Romance

O autor:
José Eduardo Agualusa Alves da Cunha nasceu na cidade de Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa.
É autor dos livros A Conjura (romance, 1988), Prémio Revelação Sonangol,A Feira dos Assombrados (contos,1992), Estação das Chuvas (romance, 1996), Nação Crioula (romance, 1998), Grande Prémio de Literatura RTP, Fronteiras Perdidas (contos, 1999), Grande Prémio de Conto da APE, A Substância do Amor e Outras Crónicas(crónica, 2000), Estranhões e Bizarrocos, com Henrique Cayatte, (infantil, 2000), Prémio Nacional de Ilustração e Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian, Um Estranho em Goa 2000), O Ano em Que Zumbi Tomou o Rio (romance, 2002), Catálogo de Sombras(contos, 2003),O Vendedor de Passados (romance, 2004), Passageiros em Trânsito (contos, 2006), As Mulheres do Meu Pai (romance,2007), Na Rota das Especiariascom João Queiroz (2008) e Barroco Tropical (romance,2009).
As suas obras estão traduzidas para diversas línguas europeias.

Também escreveu várias peças de teatro: "Geração", "Chovem amores na Rua do Matador", juntamente com Mia Couto, e o monólogo "Aquela Mulher".
Escreve crónicas para a revista LER e para o jornal angolano A Capital. Realiza para a RDP África "
A hora das Cigarras", um programa de música e textos africanos.
É membro da
União dos Escritores Angolanos.

A obra:

Sinopse:

«Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.»

Flor de Mel
Autor: Alice Vieira

Editora: Caminho
Ano: 1986 (1ª edição)
Género: Literatura juvenil

O autor:
Alice Vieira nasceu em Lisboa no ano de 1943.
Em 1967, concluiu a licenciatura em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dedicou-se ao jornalismo, trabalhando em alguns dos principais jornais portugueses.
Em 1979, escreveu o primeiro romance para jovens
, Minha Irmã Rosa,uma obra premiada com o Prémio de Literatura Infantil “Ano Internacional da Criança”.
Actualmente Alice Vieira dedica-se somente ao trabalho literário, tendo editado cerca de quatro dezenas de livros para crianças e jovens. É também conhecida pelos artigos e crónicas que continua a publicar em jornais e revistas. Constantemente Alice Vieira é convidada para palestras e encontros com os seus jovens leitores, em escolas e bibliotecas. Várias das suas obras foram editadas no estrangeiro.

«Porque escrevo para crianças?
Todos nós gostamos de encontrar um culpado para as aventuras em que nos metemos... É cómodo, é fácil, a gente aponta e diz: “foi por causa dele”.
Pois eu também tenho um culpado: posso espetar bem o meu dedo indicador e dizer: - O culpado foi ele. Ele é que me levou para esta vida...
Neste caso foi ela. Acho que se não tivesse sido a queixa da minha filha, já lá vão uns sete anos, eu não me teria metido nisto... Portanto, a culpa foi toda, toda dela!
Um dia a Catarina chegou a casa e disse:
- Já li todos os livros que há para ler.
Fez uma pausa e disse:
-E agora, o que é que leio?
A Catarina tinha então nove anos, lia muito: não, evidentemente todos os livros que existiam, mas todos os que habitualmente se davam a quem tinha a sua idade .
-E agora ? – repetia ela, com aquele ar solene que arranja nas ocasiões difíceis... Eu ia tentando dar uma ajuda (lê este, e mais este, e mais aquele) mas eram ajudas inúteis (já li, já li, já li...). Foi então que dei comigo a dizer-lhe:
-Então, se já leste tudo o que há, vamos nós as duas escrever um livro!
Meti papel à máquina e do bater dos dedos nas teclas saiu esta frase: «Quando a minha irmã nasceu o meu desapontamento foi tão evidente que a minha mãe, abafada entre lençóis e cobertores da cama do hospital, me disse: Ela vai crescer num instante!»
Olhei para esta frase, uma, duas, muitas vezes, e, a partir dela, outras vieram, e mais outras, até que o primeiro capítulo do livro estava feito. E cada capítulo que nascia era lido e discutido com a Catarina, feliz de participar naquela aventura...
E nunca mais parei. Tudo por causa da Catarina. Que hoje continua a ler tudo, e que escreve melhor do que eu.»


A obra:
Flor de Melconta a história de Melinda, uma criança muito imaginativa que vive com o pai, mas a quem nunca ninguém fala da mãe e para quem ela imagina destinos fabulosos.
"É uma história muito poética", confessa a autora.

«Acompanhar esta criança no seu constante mudar de casa; vê-la confiada aos cuidados ora de uns, ora de outros; espiá-la na pobreza dos exíguos quartos que o pai ia alugando, - onde ambos se foram acomodando, - até ao momento em que o pai decide entregá-la a uma ama… dói.Ver Melinda, feliz, em casa da Mãe Joana e a sua dedicação a André Pequeno …comove.Saber que, um dia, o pai consegue endireitar a sua vida e anuncia a posse de uma casa própria para ambos, surge como uma mensagem de esperança.
A reacção de surpresa e desespero com que Melinda se debate, quando sabe que uma outra mulher entra na vida do pai, é chocante.
A dificuldade em aceitar que alguém substitua a mãe só é verdadeiramente compreensível para o leitor que, por ironia do destino, alguma vez viu alguém ocupar o lugar do pai ou da mãe. A aceitação final ou o simples acomodar-se à situação, por parte de Melinda, é também passível de leituras várias, de acordo com a percepção do leitor.
Alice Vieira ao escrever “Flor de Mel”, esboçou, há trinta anos, o retrato de tantas e tantas “Melindas” dos nossos dias.»

De uma entrevista ao "Círculo de Leitores":
Em Busca da Identidade. O Desnorte
Autor: José Gil

Editora: Relógio d’Água
Ano: 2009
Género: Social

O autor:
José Gil é um filósofo português que se consagrou recentemente na sociedade portuguesa com o livro Portugal Hoje, O Medo de Existir – uma radiografia social da realidade portuguesa contemporânea.

Além de filósofo, é professor universitário, ensaísta e ficcionista.
Nasceu em 1939, em Moçambique. Formou-se em Filosofia na Sorbonne, em Paris, tendo sido professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa, incidindo particularmente o seu trabalho sobre a estética e sobre a poética de Fernando Pessoa. Exerceu também docência noutras universidades, como o Collège International de Philosophie, em Paris, e a New School for Dance Development, em Amesterdão.
Foi adjunto do secretário de Estado do Ensino Superior e da Investigação Científica no VI Governo Provisório.

Entre outras obras, é autor de Metamorfoses do corpo, Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações (1987), O Espaço Interior (1994), Os Monstros (1994), Salazar: A Retórica da Invisibilidade (1995), A imagem nua e as pequenas percepções (1996), Movimento Total - O Corpo e a Dança (2001), A Profundidade e a Superfície - Ensaio sobre “O Principezinho de Saint-Exupéry" (2003). E, claro, de Portugal, Hoje - O Medo de Existir (2004), com quatro edições em três meses.
A revista francesaLe Nouvel Observateur, em número especial comemorativo do seu 40º. aniversário (Janeiro de 2005), considerou-o um dos «25 grands penseurs du monde entier».

A obra:

«José Gil prossegue neste livro a sua investigação sobre os processos individuais e colectivos de subjectivação em Portugal.
Quais são esses processos neste período marcado pela globalização, a crise económica e a hegemonia política do PS?
Que formas assume essa subjectivação quando “a falha de sentido que as promessas por cumprir do 25 de Abril não conseguiram colmatar” foi suprida por antigos hábitos e “mentalidades”?Reinventando conceitos de Ferenczi e Foucault no sentido de uma abordagem original, José Gil mostra como os portugueses tentaram conquistar “formas de subjectivação individuais em desfasamento ou inadequação aos quadros de vida colectiva que se iam edificando progressivamente”.O autor dePortugal Hoje: O Medo de Existirconsidera que “fizemos da identidade o território da sujectividade” e “esforçamo-nos por resistir ao ‘fora’ que aí vem, do exterior ou do interior, que ameaça destruir as nossas velhas subjectividades”. Em sua opinião, a única maneira de remover o obstáculo da ”identidade” é “deixarmos de ser primeiro portugueses para poder existir primeiro como homens”.
É à luz dessa preocupação que se analisa o discurso dos actuais governantes que consideram que Portugal entrou “num processo irreversível de modernização”, um discurso “anti-ideológico e de via única” em que a avaliação “surge como método universal de formação de identidades”.José Gil aborda em particular o “chico-espertismo” enquanto fenómeno que atravessa todo o “tipo de subjectividade da nossa sociedade, sendo transversal a todas as classes, grupos, géneros e gerações”».


Um mundo sem regras
Autor: Amin Maalouf

Editora: Difel
Ano: 2009
Género: Político e social

O autor:

Um dos mais populares escritores contemporâneos.

Nasceu em 1949, perto de Beirute, Líbano. Frequentou os colégios jesuítas de Beirute e, após a conclusão dos seus estudos em Economia e Sociologia, continuou uma longa tradição familiar no jornalismo.
Inserido no
an-Nahar, um jornal libanês de importância, foi enviado para países como a Argélia, a Índia, o Bangladesh, a Etiópia, a Somália e o Quénia, muitas das vezes para fazer a cobertura de guerras e conflitos armados. Realizou missões em mais de 60 países. Foi chefe de redacção do Jeune Afrique e mais tarde editorialista do mesmo.
Em 1975, exilou-se em Paris com a família, onde continuou a exercer a carreira. Em 1983 publicou o seu primeiro livro,
As Cruzadas Vistas Pelos Árabes, que teve por mérito dar a possibilidade de aceder às fontes árabes medievais nos capítulos respeitantes à História das Cruzadas, reescrevendo convicções mantidas ao longo de quase mil anos.
Em 1986 fez a sua estreia no romance com
O Leão Africano, que conta a história de um geógrafo, nas suas deambulações, desde Granada onde nasceu, pela bacia do Mediterrâneo e por terras africanas até à sua residência em Fez. Amplamente autobiográfico, o livro relembra os episódios do exílio do próprio Maalouf.
Em 1991, publicou
O Jardim da Luz, cultivando a ideia de que a harmonia universal entra em conflito com o sistema de convicções humano. Seguiu-se O Rochedo de Tanios (1993), Escalas do Levante (1996) e As Identidades Assassinas (1998), O Périplo de Baldassare (2000) e Origens (2004).
No ano de 2000, escreveu um libretto de ópera
L'Amour de Loin, estreada em Salzburgo em 2000 e em Paris no ano seguinte.
Grande parte da sua obra foi escrita no retiro de uma cabana de pescador numa ilha do Canal da Mancha.
Foi galardoado com “Prix des Maisons de la Press” e “Prémio Goncourt 1993”.


A obra:

Acaba de lançar o ensaio Um mundo sem regras, uma reflexão sobre o desregramento intelectual, económico, geopolítico e ético do mundo no século XXI, defendendo que esse desregramento nos pode destruir.
Esteve este mês em Lisboa, dando entrevistas e uma conferência. Fez um diagnóstico arrasador quanto ao esgotamento em que o mundo mergulhou. À tese do conflito de civilizações, contrapõe a união numa só civilização como única hipótese de sobrevivência.

«É urgente criar uma ‘nação humana’, com os mesmos valores universais e enriquecida por todas as diversidades culturais, se não queremos ‘perecer numa barbárie comum’. Se não agirmos no espaço de quatro a oito anos, não sei se teremos outra oportunidade.»

«O problema não está nos textos sagrados mas nas interpretações que a partir deles são feitas. Na
Bíblia, como no Corão, por cada frase que apela à tolerância há uma outra que incita ao uso da espada.»

«A influência dos povos sobre as religiões é maior do que a influência das religiões sobre os povos.»

«É pela cultura, e sobretudo pela literatura, que os povos se revelam, com todos os seus medos e frustrações.»

«O Ocidente precisa de sair do excesso de confiança em si mesmo, enquanto o mundo árabe precisa de sair do ‘poço histórico’ em que caiu.»

«Os preconceitos ocidentais contra os árabes são hoje os mesmos de há 50 anos, de há 100 anos, de há 200 anos. E vice-versa.»




A Gaiola de Ouro
Autor: Shirin Ebadi

Editora: Esfera dos Livros
Ano: 2009
Género: Ficção

O autor:
O Prémio Nobel da Paz 2003,"Por seu trabalho na luta pela democracia e pelos direitos das mulheres e crianças"
.em 1947, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Teerão em 1969 e tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de juiz em 1975. Em 1979, com a Revolução Iraniana, foi forçada a deixar o cargo e a trabalhar como advogada. Ajudou a fundar a Sociedade Protectora dos Direitos das Crianças no Irão em 1994. Seis anos mais tarde, em 2000, foi advogada das famílias de intelectuais e escritores vítimas de perseguições sistemáticas e assassínios, levados a cabo nos dois anos anteriores, o que a levou à prisão sob a acusação de tentar influenciar a opinião pública sobre estes casos.
Tanto pela sua pesquisa como pela sua actividade, é conhecida para promover soluções pacíficas em problemas sociais.
Foi galardoada com vários prémios ligados à defesa dos direitos humanos, como o prémio da Human Rights Watch em 1996 e o Prémio Rafto, o prémio dos Direitos Humanos da Noruega.
Em 2003 recebeu o prémio Nobel da Paz pelos esforços empreendidos em nome da democracia e dos direitos humanos.
Escreveu livros e diversos artigos cujo tema central são os direitos humanos, entre eles estão os livros
The Rights of the Child, A Study of Legal Aspects of Children's Rights in Irantradução inglesa) eHistory and Documentation of Human Rights in Irantradução inglesa).

A obra:
Um livro para compreender as últimas cinco décadas do Irão, a antiga Pérsia. A história de uma família de Teerão dividida pela queda do Xá e pela revolução dos ayatollahs, até aos actuais dias. Os seus protagonistas não são personagens de ficção, mas gente que vive, ou viveu, os dramas desta sociedade.




História dos Judeus Portugueses
Autor: Carsten L. Wilke

Editora: Edições 70
Ano: 2009
Género: História

O autor:
Carsten L. Wilke é doutor em Estudos Judaicos pela Universidade de Colónia e estudou na Escola Prática de Altos Estudos de Paris. Foi professor nas universidades de Heidelberg, Düsseldorf e Bruxelas, e é actualmente investigador no Instituto Steinheim de História Judaica Alemã, em Duisburg. Autor de numerosos livros e artigos, Carsten Wilke tem-se dedicado ao estudo das transformações vividas pelo judaísmo europeu, desde o criptojudaísmo do Renascimento ibérico até o modernismo rabínico do século XIX.

A obra:
Segundo o autor, este livro constitui uma síntese de vinte séculos de civilização judaico-portuguesa, destinando-se a um público não especializado.
Carsten L. Wilke referencia quatro pontos essenciais da história dos judeus portugueses: o período medieval; a conversão forçada, a dispersão e o ”renascimento judaico” em 2000.
No período medieval,“Portugal garantia aos judeus mais protecção e segurança que qualquer outro país europeu”.
Seguiu-se a conversão forçada em 1497, com D. Manuel I e a “retracção do judaísmo”, promovendo uma clandestinidade precária, e depois a dispersão da comunidade judaica por todos os cantos do mundo. Esta dispersão, foi “confortada por um judaísmo reinventado” e fez criar uma consciência judaico-portuguesaque “forneceu um dos exemplos mais acabados de um particularismo étnico no seio do povo judaico”.
A data de 1964 torna-se essencial, quando se estabelece o primeiro contacto com a comunidade judaica de Belmonte, “a única que perdurou”. Especialmente depois da década de 1980, foram-se constituindo espaços da comunidade como locais de oração até que, em 2000, se deu o que o autor considera um ”renascimento judaico”, quando é inaugurado um cemitério judeu em Belmonte. Quatro anos depois foi inaugurado um Museu.



Leite Derramado
Autor: Chico Buarque

Editora: Dom Quixote
Ano: 2009
Género: Romance

O autor:
Francisco Buarque de Hollandanasceu no Rio de Janeiro, em 1944. Énão somente considerado um dos maiores nomes da, mas também um importante e
Publicou as peçasRoda viva(1968),Calabar (1973),Gota d’água(1975) e Ópera do malandro (1979), a novelaFazenda modelo(1974) e os romances Estorvo(1991), Benjamim (1995) eBudapeste(2003).

A obra:

Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e económica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos.

«Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tetraneto, garotão do Rio de Janeiro actual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e económica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A visão que o autor nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.
A saga familiar marcada pela decadência é um género consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao género, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela concentra-se em 200 páginas. Outra originalidade é a sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do género é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
O texto é construído de maneira primorosa, no plano narrativo como no plano do estilo. A fala desarticulada do ancião, ao mesmo tempo que preenche uma função de verosimilhança, cria dúvidas e
suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar.
Em suas leves variantes, as lembranças obsessivas revelam subtilezas ideológicas e psíquicas. E, como essas lembranças têm forte componente plástico, criam imagens fascinantes. É o caso do “vestido azul” comprado pelo pai para a amante, objecto de alta concentração significante. Esse objecto expande-se, no nível da narrativa, como índice de elucidação da intriga, no nível fantasmático, como obsessão repetitiva do filho, e no nível sociológico, como ilustração dos usos e costumes de uma classe. Tudo, neste texto, é conciso e preciso. Como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.
Há também um jogo com os espaços onde ocorrem os acontecimentos narrados. As várias casas em que o narrador morou, como as décadas acumuladas em suas lembranças, sobrepõem-se e revezam-se. Recolocá-las em ordem cronológica é assistir a uma derrocada pessoal e colectiva: o chalé de Copacabana, “longínquo areal” dos anos 20, é substituído por um apartamento num edifício construído atrás de seu terreno; esse apartamento é trocado por outro, menor, na Tijuca; o palacete familiar de Botafogo, vendido, torna-se estacionamento de embaixada; a fazenda da infância, na “raiz da serra”, transforma-se em favela, com um barulhento templo evangélico no local da velha igreja outrora consagrada pelo bispo. Em baixo da última morada do narrador, nesse “endereço de gente desclassificada”, está o antigo cemitério onde jaz seu avô.
Percorre todo o texto, como um baixo contínuo, a paixão mal vivida e mal compreendida do narrador por uma mulher. Os múltiplos traços de Matilde, seu “olhar em pingue-pongue”, suas corridas a cavalo ou na praia, suas danças, seus vestidos espalhafatosos, ao mesmo tempo que determinam a paixão do marido e impregnam indelevelmente sua lembrança, ocasionam a infelicidade de ambos. Os preconceitos e o ciúme doentio do homem barram a realização plena da mulher e levam-na a um triste fim, que, por não ter nem a certeza nem a teatralidade dos desfechos de uma Emma Bovary ou de uma Ana Karenina, tem a pungência de um desastre. Embora vista de forma indirecta e em breves
flashes, Matilde torna-se, também para o leitor, inesquecível.O fato de nem no fim da vida o homem compreender e aceitar o que aconteceu torna seu drama ainda mais lamentável. Os enganos ocasionados por seu ciúme são tragicómicos, e o escritor expõe-los com uma acuidade psicológica que podemos, sem exagero, qualificar de proustiana.Outras figuras, fixadas a partir de mínimos traços, também se sustentam como personagens consistentes: o arrogante engenheiro francês Dubosc, que a tudo reage com um “merde alors”; a mãe do narrador, que, de tão reprimida e repressora, “toca” piano sem emitir nenhum som; a namorada do garotão com seuspiercingse gírias. É espantoso como tantas personagens conseguem vida própria em tão pouco espaço textual.Leite derramadoé obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem.»
(Leyla Perrone-Moisés)


O que será

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque - Milton Nascimento



No Inferno

Autor: Arménio Vieira

Editora: Editorial Caminho
Ano: 2001
Género: Romance

O autor:
Arménio Vieira, de nome completo Arménio Adroaldo Vieira e Silva, nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de Janeiro de 1941.
Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o “Boletim de Cabo Verde”, a revista “Vértice”, de Coimbra, “Raízes”, “Ponto & Vírgula”, “Fragmentos” e “Sopinha de Alfabeto”. Foi redactor no jornal “Voz do Povo”.
É autor de quatro livros, dois de poesia e dois de romance. O primeiro,
Poemas, em 1981, reúne a sua produção desde os anos 60 até essa altura. Seguiu-se O Eleito do Sol, em 1989, um romance situado no Antigo Egipto. Dez anos depois, foi No Inferno, o livro que hoje referimos e, em 2006, voltou à poesia, com Mitografias (este o único ainda não editado em Portugal). Está incluído em várias antologias e revistas.
“Irreverente, influenciado pelos anarquistas e surrealistas franceses”.

A obra:

«[...] imaginei uma personagem enclausurada, anónima, ou quase anónima, e sem memória. Dei-lhe um enigma a deslindar - o da própria identidade - e um razoável acervo de livros pelos quais ele, despojado do resto, se reconheceu como possuidor de muitas leituras. [...] No que respeita ao autor - eu, neste caso -, consciente ou inconscientemente, pus-me a par da minha personagem, isto é, fui ficcionando aos saltos,marimbandológica e no encadeamento natural dos acontecimentos, umas vezes com base em ocorrências de natureza autobiográfica e outras vezes a partir de ideias e motivos tomados de empréstimo a uma vasta literatura pretérita. [...]» (A. V.,“Nota Prévia”.)

CONSTRUÇÃO NA VERTICAL

Com pauzinhos de fósforo
podes construir um poema.

Mas atenção: o uso da cola
estragaria o teu poema.

Não tremas: o teu coração,
ainda mais que a tua mão,
pode trair-te. Cuidado!

Um poema assim é árduo.
Sem cola e na vertical,
pode levar uma eternidade.

Quando estiver concluído,
não assines, o poema não é teu.


Arménio Vieira



Os Passos da Cruz

Autor: Nuno Júdice

Editora: Dom Quixote
Ano: 2009
Género: Romance

O autor:
Nasceu em 1949, no Algarve. Licenciado em Filologia Românica, na Faculdade de letras de Lisboa. Professor da Universidade Nova de Lisboa, onde se doutorou em 1989, com uma tese sobre Literatura Medieval. Esteve em Paris, onde termina em 2003 uma estadia de seis anos como Conselheiro Cultural e Director do Instituto Camões.

Poeta, ficcionista e tradutor, publicou antologias, como a da poesia do Futurismo português, edições críticas, ensaios, ficção, estudos sobre teoria da literatura e literatura portuguesa, possuindo ainda uma colaboração regular em antologias, revistas e jornais, em poesia, crónicas e crítica literária.
Colaborou igualmente em acções de divulgação cultural, como as “Letras Francesas”(1989), e organizou a “Semana Europeia de Poesia” no âmbito de Lisboa Capital Europeia da Cultura(1994). Foi comissário para a área da “Literatura de Portugal como país – tema da 49ª Feira do livro de Frankfurt”(1997). Dirigiu a revista “Tabacaria”, da casa Fernando Pessoa.
Tem obra publicada em países diversos, como a Venezuela, Espanha, México, França, Bélgica, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bulgária, Israel, República Checa, Inglaterra e Vietname.
Recebeu alguns dos mais importantes prémios de poesia portugueses, nomeadamente o “Pen Clube”(1985), “D. Dinis” – Fundação Casa de Mateus(1990), “APE” – Associação Portuguesa de Escritores (1994), Prémio “AnaHatherly” e o Prémio da Crítica(2001) pela sua “Poesia Reunida – 1967/2000”. Recebeu ainda o prémio de poesia “Pablo Neruda” e foi finalista do Prémio Europeu de Literatura,Aristeion.

A obra:
Um homem procura reconstituir os lugares onde viveu uma fidalga do século XVII que, para fugir a um marido violento, se refugiou na vida conventual.

«O autor segue os passos literalmente de Antónia Margarida de Castelo Branco, uma portuguesa obscura que, em 1670, casou com um homem "muito nobre, muito pobre e muito terrível", uma combinação explosiva que ditaria a violência sobre a mulher e o posterior recolhimento desta, num convento.
O mais interessante é que, no Mosteiro de Santos, em Lisboa, já livre do jugo conjugal, Antónia Margarida escreveu uma Autobiografia, um maná de informações sobre o percurso desta mulher, o seu tempo e os (maus) modos de uma sociedade em polvorosa, quando a corte dava os seus maus exemplos e a população vivia permanentemente à beira de catástrofes. A curiosidade em relação a essa época - o barroco com a sua "confusão dos sentimentos e das emoções; a retórica que impõe a decisão dos conflitos, criando outros conflitos no interior da razão que os resolve... (pág. 11) "- leva o autor por ínvios caminhos em busca de um tempo perdido e nunca totalmente reencontrado.
O escritor viaja até uma aldeia com o estranho nome de Lamarosa, para os lados de Coruche, onde Antónia Margarida viveu algum tempo. A partir deste percurso - estradas secundárias, planícies desertas, um funeral na praça, um café quase deserto, aparições misteriosas - vai desenvolvendo uma meditação sobre o Tempo e sobre o seu movimento, ora circular ora pendular.
Apoiando-se nas figuras sucessivas de mulheres que vão surgindo - da fantasmagórica Antónia Margarida a Rosa, a antiga amiga, clandestina e sinuosa, passando por uma historiadora sensual e provocadora - a narrativa avança entre passado e presente, entre a melancolia e a exaltação dos sentidos, entre a morte e a vida, entre a ternura e a violência. Lamarosa é como um "buraco negro" onde se cai para penetrar em dimensões/outras, poço de sensações e mistérios.
É claro que, para lá da trama propriamente dita, o que mais conta aqui é a linguagem, encantatória e sedutora, a lembrar Henry James e um certo desvario próprio da literatura fantástica. Uma das imagens recorrentes - aqui e na vasta obra poética do autor - é a do vidro, do cristal, simultaneamente revelador na sua transparência e enganador quando se estilhaça ou quando a luz aí se refracta. Cito: " Tal como, através do cristal, o olhar não encontra obstáculos para atingir o centro da própria transparência do objecto, e parece que passa para o outro lado numa ilusão óptica de transcendência, também os corpos ganham essa imaterialidade onde é mais importante a sua função do que a sua essência". Creio que este extracto do primeiro texto, chamado "Memória e Esquecimento", poderá servir de introdução para o resto, para o desvendar da árdua tarefa de traçar caminhos na estrada ensombrada da memória, neste elegante e poético exercício que questiona a História e os seus actores.»


Contos

Autor: Miguel Torga

Editora: Dom Quixote
Ano: 2009
Género: Contos

O autor:
Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, médico, poeta e escritor. É autor de uma extensa e variada obra, em poesia, diário, ficção (contos e romances), teatro, ensaios e textos doutrinários.
Nasceu em S. Martinho de Anta em 1907. Cursou medicina em Coimbra, onde passou a viver, exercendo a sua profissão, e onde veio a falecer em 1995. Foi poeta numa primeira fase, abordando quer temas bucólicos como sociais, como a angústia da morte, a revolta, a justiça e a liberdade, o amor. Com uma ligação à terra muito forte, a Trás-os-Montes e a Portugal, no seu todo.
Estreou-se com
Ansiedades, destacando-se no domínio da poesia comOrfeu Rebelde, Cântico do Homem, e muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seuDiário. Na obra de ficção, A Criação do Mundo, Bichos, Novos Contos da Montanha, entre outros. O Diárioum lugar de destaques. Como escritor dramático, três obras intituladasTerra Firme, MarO Paraíso.
Participou no movimento da “Presença”, mas por pouco tempo, em virtude do seu impulso individualista. Forte contestatário do Estado Novo, revelou-se também crítico do Portugal democrático, combatendo por um país respeitador da história e construtor de um futuro responsável.
Recebeu o Prémio Camões em 1989 e o prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1992.

A obra:
Neste volume reúnem-se todos os seus livros de contos: Bichos(1940), Contos da Montanha (1941), Rua(1942), Novos Contos da(1944) ePedras Lavradas (1951).

«Temas como a vida em total comunhão com a natureza, com todas as alegrias e agruras que isso implica, histórias de animais e das gentes transmontanas, narrativas profundamente humanas e dramáticas que ilustram a luta do homem contra as leis que o aprisionam – divinas e terrestres»

Miséria e Grandeza do Amor de Benedita

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Editora: Edições Nelson de Matos
Ano: Reedição de Março de 2009
Género: Literatura brasileira

O autor:
João Ubaldo Ribeiro será talvez o escritor brasileiro vivo com maior renome no seu país e no estrangeiro.
O romance "Viva o Povo Brasileiro" é considerado a sua obra mais importante.baiano escritor foi distinguido com o Prémio Camões 2008,o mais importante galardão atribuído a autores de língua portuguesa.
(Ver mais dados biográficos neste portal, em “As nossas escolhas da semana”, de 4 de Agosto de 2008).


"Se não entendo tudo, devo ficar contente com o que entendo. E entendo que vejo estas árvores e que tenho direito a minha língua e que posso olhar nos olhos dos estranhos e dizer: não me desculpe por não gostar do que você gosta; não me olhe de cima para baixo; não me envergonhe de minha fala; não diga que minha fala é melhor do que a sua; não diga que eu sou bonito, porque sua mulher nunca ia ter casado comigo; não seja bom comigo, não me faça favor; seja homem, filho da puta, e reconheça que não deve comer o que eu não como, em vez de me falar concordâncias e me passar a mão pela cabeça; assim poderei matar você melhor, como você me mata há tantos anos."

A obra:
Apresentado em 2000. Foi o primeiro e-book lançado no Brasil, estando disponível apenas em formato electrónico durante cinco meses.
Narrado com muito humor e “suspense”, o livro conta a história de Deoquinha Jegue Ruço, a versão nordestina de um Don Juan, casado com a ingénua Benedita, esposa exemplar e compreensiva, que perdoa as incontáveis aventuras amorosas do marido.

A morte de Deoquinha dá partida à narrativa que reconstrói a trajectória desse conquistador, pai de vários filhos bastardos. Mas é a figura de Benedita que motiva toda a trama. O livro é marcado pelo extremo cuidado de João Ubaldo em construir seus personagens.

«Um gozo delicioso. Um grande forrobodó para o leitor. Óbvia influência de Jorge Amado, até pela zona geográfica em que ambos se enquadram, o Recôncavo baiano.linguagem é barroca, tropical, magnificamente excessiva, carregada de ironia e sarcasmo. Pode mesmo dizer-se que se trata de um pequeno tratado de cinismo pela forma safada e muito exposta como o autor, sem se despir de óbvia ternura, consegue desmascarar os sucessivos podres dos habitantes da Ilha de Itaparica, desde a puta mais reles (coisa que aliás não existe entre as Itaparicanas) até ao próprio padre, modelo de rara depravação e pouca vergonhice.A história é quase só uma anedota. O importante é a linguagem. Poderíamos continuar a visitar esta sequência quase interminável de personagens deliciosas sem ter outro desejo que não o de nos abandonar aos apartes, comentários e desvios que fazem da escrita do autor uma verdadeira pérola. (José Fanha)»


O coração do Rei

Autor: Iza Salles

Editora: Planeta
Ano: 2009
Género: História romanceada

A autora:
Formada em Jornalismo em 1965 pela então Universidade doIza Salles começou como repórter no Jornal do Brasil eário de Notícias. Em seguida, foi bolseira do governo francêsdes Sciences Politiques, 1966-1967).
Presa pela ditadura em 1970, respondeu a processos em Sãoe Rio de Janeiro, trabalhou nos jornais de resistênciaão e Pasquim com o nome de Iza Freaza e voltou àem 1977 com nova bolsa de estudos (Journalistes enViveu dois anos entre Madrid e Paris e cinco emRegressou ao Brasil em 1984 como correspondente doário Expresso (1981-2003).
Publicou em 2005 a obra
Um Cadáver ao Sol.O Coração do Rei é o seu segundo livro.

A obra:

Nesta biografia romanceada, escrita numa linguagem leve e acessível, fica-se a conhecer a vida secreta de D. Pedro, imperador do Brasil e rei de Portugal.
É a história da vida de D. Pedro, narrada dos bastidores da corte, por Freiónio de Arrábida, que se manteveao lado do futuro imperador dodesde que nasceu, em 12 de Outubro de 1798, e começou a serpara reinar, até 24 de Setembro1834, quando morreu em Lisboa, após derrotar o seuão Miguel.
Frei António de Arrábida fazia parte dode mestres responsáveis pelação do Príncipe. Mais do que tutor foiconfidente e conselheiro de D.Através do seu testemunhoquem verdadeiramente foihomem destemido e autoritário quea independência do Brasil e deupaís leis mais justas, que levaram oósofo suíço Benjamin Constant a afirmarele foi «o grande herói das Américas».
Iza Salles, através de uma pesquisaórica minuciosa, reconstrói o ambienteépoca sem abandonar o rigor dospolíticos.


«Porque o acordo ortográfico já permite certas liberdades, dá vontade de dizer, como os brasileiros ”É gostoso demais”.
Repare o leitor. Esta é a história de D. Pedro, I do Brasil mas IV de Portugal (por uma questão de fusos horários, lá diz a anedota), o príncipe que foi rei e imperador, que declarou a independência do Brasil num arroubo de cólera e abdicou duas vezes, - a primeira, do trono de Portugal, por ser brasileiro, a segunda, do império do Brasil, por ser português. A história, que é também um romance e uma grande peça jornalística (ou não tivesse a autora praticado a arte durante décadas), é um primor de boa escrita e bom humor (…)
Iza Salles não se reclama historiadora, nem pensar. Mas no Brasil (onde o seu livro foi considerado um dos melhores em 2008) e, agora, em Portugal, haverá que agradecer-lhe pela tarefa de divulgar a figura desse homem ímpar (para brasileiros) e invulgar (para portugueses) e que em tão breve tempo e com tanto fulgor mudou a História do velho reino. (…)»
(Expresso - Luísa Meireles)


Poesia Reunida

Autora: Maria Teresa Horta

Editora:Dom Quixote
Ano: 2009
Género: Poesia

O autor:
Escritora e poetisa portuguesa.
Maria Teresa Mascarenhas Horta nasceu em Lisboa em 20 de Maio de 1937. Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dedicou-se ao cine-clubismo, como dirigente do ABC Cine-Clube, ao jornalismo e à questão do feminismo tendo feito parte do Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. Em conjunto lançaram o livro
Novas Cartas Portuguesas.Tornou-se uma das vozes mais sonantes do feminismo em Portugal.
Maria Teresa Horta começou a publicar poesia em 1960 e nela abordou sobretudo o erotismo. F
ez parte do grupo “ Poesia 61”.
Publicou diversos textos em jornais como Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e , tendo sido também chefe de redacção da revista Mulheres.
Na década de sessenta, publica os seguintes livros: Tatuagem, em «Poesia 61»; Cidadelas Submersas, 1961; Verão Coincidente, 1962; Amor Habitado, 1963; Candelabro, 1964; Jardim de Inverno, 1966; Cronista Não É Recado, 1967.
Na década de setenta, destacam-se, no campo da poesia, os seguintes títulos:
Minha Senhora de Mim, 1971; Candelabro, 2ª edição, 1972; Educação Senti1976; Poesia Completa 1 e II, 1983; Destino, 1997. O seu livro de poemas mais recente foi publicado em 1999 e tem por título Só de Amor.

«A poesia de Maria Teresa Horta afasta-se contudo dos imperativos definidores e delimitadores das formas mais radicalizadas do feminismo actual. A sua visão do erotismo funda-se no desejo de uma autêntica complementaridade entre a mulher e o homem e esclarece-se, quanto a nós, à luz da tese platónica da cisão originária dos seres em duas metades e da trajectória de cada uma delas em busca da outra, através do amor. Daí que a sua poesia se reconheça dentro de uma belíssima definição do erotismo dada por Bataille: “uma imensa aleluia perdida num silêncio sem fim”»
(Maria João Reynaud)


A obra:
Poesia Reunida é o título do volume que abrange toda a poesia publicada desde Espelho Inicial, de 1960, até Inquietude, editado em 2007.
Além das obras já publicadas, inclui um inédito em livro,
Feiticeiras, uma cantata musicada pelo compositor António Chagas Rosa e que ganhou um prémio Victoire de la Musique, em França, em 2007.
Em
Poesia Reunida são abordados temas como o erotismo e a intervenção social, constantes na sua obra. A luta pela liberdade, a desobediência e a luta contra os estereótipos são outros temas presentes na obra da poetisa.

Extractos de uma recente entrevista

Maria Teresa Horta, o erotismo é uma marca da sua poesia. A emancipação da mulher, uma outra. Pode dizer-se que houve sempre da sua parte a necessidade de exaltação da beleza e das capacidades de sedução exercidas pela mulher?
Primeiro, não gosto de falar de emancipação da mulher e sim de libertação. Segundo, acho que não há esse lado na minha poesia, o que existe é uma escrita veementemente feminina, uma desobediência, uma audácia desde sempre interdita às escritoras, às poetisas. E como a minha poesia sou eu, ou se quiser, eu sou aquilo que escrevo, e sou feminista, é natural que o feminismo faça parte, de uma forma subjacente, de todo o meu trajecto poético, mas nunca de forma panfletária, primariamente militante.

E quanto à exaltação da beleza e das capacidades de sedução das mulheres?
Isso das capacidades de sedução das mulheres vai, inevitavelmente, ter à imagem da mulher fatal, um dos mais arreigados estereótipos de sempre... Afinal, os homens também possuem capacidades de sedução, só que isso nunca é apresentado como um seu traço importante, marcante. Mas, neste caso, prefiro referir antes a assombrosa capacidade de sedução da poesia. Quanto à beleza, em si mesma, foi e será sempre um dos maiores desafios da minha escrita.

A pergunta não é nova porque as respostas são sempre interessantes: quando é que sentiu o ímpeto da escrita, em geral, e da poesia em particular?
Comecei a tentar escrever ficção mal aprendi a escrever, por volta dos meus seis anos. Anteriormente eu já inventava histórias, mas como se fossem acontecimentos reais. A poesia chegou na minha adolescência, por volta dos meus treze anos.

Lembra-se do seu primeiro poema?
Lembro-me muito bem, era um longo poema romântico, que eu fiz sentada na mata do Buçaco, para onde fora passar o fim-de-semana, com o meu pai e as minhas irmãs.

A Maria Teresa tem uma obra multifacetada. Podemos saber o que mais a influenciou ao longo dos anos?
Sou desde muito pequena uma leitora compulsiva, dependente, ler dá-me um prazer tão grande, que estremeço de antecipação quando pego num livro! Portanto, ao longo destes tantos anos que tenho de leitura, muito dela foi-me por certo marcando.

Podemos saber quem foram os autores que mais a marcaram?
É difícil escolher uns em detrimento de outros... Mas, como tenho vindo a dizer, Simone de Beauvoir mudou o rumo da minha vida com "Le Deuxième Sexe"; Marguerite Duras mudou a minha ficção com a sua obra;
Emily Dickinson propôs-me a quebrar os limites com os seus poemas; Sylvia Plath deu-me a ler a queda e a vertigem da poesia; Emily Brontë desencadeou diante dos meus olhos as ondas inquebrantáveis da paixão, sem o medo do fogo; Judite Teixeira mostrou-me a coragem de se ser frágil; Hildegarda de Bigen explicou-me o poder da visão e o voo das asas; Teresa de Ávila alumbrou aquilo que escrevo, com os seus êxtases; Virginia Woolf ensinou-me o rigor da escrita e o poder das vozes, Anna Akhmátova a solidez da linguagem e Marina Tsvétaïeva o desvario do imaginário.

O que tem lido nos últimos tempos?
Como sempre, tenho lido o mais que consigo: ficção, ensaio, muita poesia. Neste momento, especialmente, os poemas, as cartas, os textos da Marquesa de Alorna, e de outras escritoras do seu tempo, como Catarina de Lencastre, Teresa de Mello Breyner, Teresa Isabel Forjaz...

Quem a conhece sabe que tem vários projectos em curso e que a criatividade continua a brotar a cada dia que passa. Quer falar-nos dos seus novos planos?
Tenho múltiplos projectos, sim, e alguns até já concluídos, como é o caso do novo livro de poesia "Poemas do Brasil", a ser lançado em Setembro deste ano em São Paulo e Natal durante o Congresso Mulher e Literatura, onde serei homenageada. Por outro lado, estou a terminar o romance "As Luzes de Leonor", baseado na vida da Marquesa de Alorna, minha penta avó. Tenho também um outro livro de poesia "As Palavras do Corpo", em fase de organização, um volume de contos "As Meninas", em fase de escrita, e ainda projectos em conjunto com o compositor António Sousa Dias e, muito provavelmente com o compositor António Chagas Rosa, com quem já trabalhei.


Roteiro de Lisboa
Vejam meus senhores
é uma cidade
com suas crianças
homens sem idade

É uma cidade
cercada colhida
é uma cidade
uma rapariga

Casas de ocultar
os homens lá dentro
mulheres que se mostram
envoltas no vento

Vejam meus senhores
é uma cidade
com seus monumentos
histórias de braçado

Histórias de braçado
que ensinam na escola
um castelo um rei
mais uma glória
vejam meus senhores
é uma cidade
com suas crianças
homens sem idade

Lá em baixo o Tejo
que é nome do rio
a lamber as armas
com suas colunas

Com seus prédios velhos
um rio lá em baixo
a lamber as pedras
as pernas-guindastes

De onde o seus bateis
partiam diurnos
vejam meus senhores
é uma cidade
de mãos empurradas
no fundo sem idade
com suas crianças
homens dos olhos

De bruços o céu
com seus girassóis
Lisboa é cidade
com heróis de luto


(Maria Teresa Horta)




S. NUNO DE SANTA MARIA - NUNO ÁLVARES PEREIRAAntologia de Documentos e Estudos sobre a sua Espiritualidade
Autor: J. Pinharanda Gomes(Selecção e Apresentação)

Editora:Zéfiro
Ano: 2009
Género: História

O autor: Gomes nasceu a 16 de Julho de 1939, dia de Nossa Senhora do Carmo, no concelho de Sabugal. Conhecido pensador e investigador português, é um autor multifacetado e pesquisador. Foi membro da Comissão Histórica do Processo da Causa da Canonização do Beato Nuno de Santa Maria. A sua obra abrange a literatura, a história religiosa, a antropologia cultural e a filosofia. Tem vários textos publicados e é co-autor de O Perdão dos Templários.

A obra:

Antologia inédita sobre a espiritualidade de S. Nuno De Santa Maria, Nuno Álvares Pereira, (vulgo Santo Condestável), cuja canonização teve lugar em Roma no passado domingo, 26 de Abril.
É o primeiro livro em que se invoca o seu título canónico, após o reconhecimento pelo Vaticano das suas virtudes e milagres.
Inclui uma cronologia fundamental, uma selecção bibliográfica, memórias e estudos, hinos e poemas, e outros documentos fundamentais para a compreensão da vida e obra de Nuno Álvares Pereira, que conduziram à sua canonização.

«Trata-se de uma obra que constitui um extraordinário contributo para um melhor conhecimento desta gigantesca figura de Santo, e, em particular, da sua rica e profunda espiritualidade.» (Cardeal D. José Saraiva Martins)

A obra é apadrinhada e prefaciada por figuras dedicadas a esta Causa: o Padre Frei Francisco J. Rodrigues, O. Carm., Vice-Postulador da Causa da Canonização do Beato Nuno de Santa Maria,S. E. o Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos.
Um enxerto da
Apresentação

O processo de elevação de Nun’Álvares Pereira aos altares encontrou inúmeras dificuldades no trânsito do tempo. Nascido em 1360, na adolescência sonhava ser um novo “Galaaz”, influenciado pelas novelas de cavalaria, que muito gostava de ler. A crise dinástica de 1383-1385 dá-lhe oportunidade de provar que ser Galaaz era, muito mais do que sonho, uma realidade. Sê-lo-ia, antes de mais, em nome da Pátria, na qualidade de Condestável do Reino, em defesa da independência nacional e da unidade católica da Igreja.

Naquele tempo, Castela aceitara obedecer ao anti-Papa de Avinhão (Clemente VII), pelo que a entrega da coroa portuguesa a D. João de Castela poria o Reino em situação de cisma e infidelidade a Roma. O triunvirato (D. João Mestre de Aviz, o Condestável Álvares Pereira, o jurista Dr. João das Regras) lutava em duas frentes: a independência nacional e a lealdade à Igreja Universal. Não fora a luta por esta lealdade, e Roma teria certa dificuldade em reconhecer o primado da soberania portuguesa face a Castela.

O título de “Nação Fidelíssima” foi ganho, sem dúvida, nestas difíceis circunstâncias. O sentido de catolicidade eclesial motivou a Casa de Aviz para a Reconquista cristã em África. Cumpre lembrar que o Norte de África, então sob o império muçulmano, fora em parte cristão, e que o domínio árabe abafara as comunidades cristãs, algumas delas do tempo de Santo Agostinho; e que, por conseguinte, a Reconquista abrangia, para além do Algarve, os Algarves, a África do Norte. Nun’Álvares esteve em Ceuta, participando da gesta inicial da Expansão e da Missionação.

Tendo fundado o Convento de Nª Sª do Vencimento em Lisboa, no morro acima do Vale Verde (Rossio) enfrentando o Castelo de S. Jorge, Convento esse que doaria com inúmeros dos seus bens temporais à Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora do Carmo, que desde logo povoou a nova casa com frades provindos de Moura, ele mesmo, Nun’Álvares, iniciou a segunda fase da sua vida de Galaaz, agora Galaaz de Deus, ao professar na Ordem que escolhera e na casa que erguera, em 1423. Oito anos depois (1431) faleceria em odor de santidade, a fama de santo ecoando por todo o Reino.


A Casa de Aviz, ainda no tempo de D. Duarte, fez tudo quanto esteve ao seu alcance para obter desde logo uma elevação canónica, mas sem efeito. Novas tentativas foram feitas em 1641, em 1674, em 1894, mas só em 1918, na sequência de sólida campanha iniciada pela Associação Nun’Álvares, apoiada pelos Bispos, pelas Ordens Terceiras, e propagandeada pela Ala do Santo Condestável, a Santa Sé deu um primeiro passo, reconhecendo a muito antiga fama de santidade, e autorizando um culto público, se bem que restringido a Portugal, cujo Directório Litúrgico situa a memória festiva em 6 de Novembro.

Conforme se depreende do título, esta Antologia contempla Nuno de Santa Maria in specie. Não cuidamos de uma escolha de textos relativos à integral personalidade de Nuno – o militar, o patriota, o guerreiro, o monge, o santo – que são facetas inerentes aos nomes em que o identificamos: Conde de Ourém, Nuno Álvares Pereira, Condestável…, cuidamos sobretudo de Frei Nuno de Santa Maria, da sua espiritualidade, dos carismas e das virtudes (cardeais e teologais) segundo os testemunhos, ou de quem o conheceu, ou de quem o estudou.
A Apresentação é muito breve. O que nela tem relevo é a Cronologia Fundamental, pois, com ela, evitamos escrever um esboço biográfico, pois há muitos, e deveras excelentes, e facultamos ao leitor uma visão sequencial e sinóptica das datas mais apelativas – por um lado, as da sua vida, e, por outro lado, as subsequentes e consequentes à morte e projecção na história da Igreja e da Pátria, chamando a conclave as diversas ocasiões em que se pugnou pela beatificação (que muito demorou) e se tem pugnado pela justa canonização (na expectativa da qual vivemos). A completar, uma Selecção Bibliográfica.

A Bibliografia acerca de Nun’Álvares é vastíssima e contempla todas as principais facetas: o Condestável, o Cidadão, o Religioso, tanto do ponto de vista da personalidade, como da interacção na sociedade portuguesa da sua época, como da predominância do seu exemplo nos estudos históricos e culturais relativos à Pátria, à Ordem Carmelita e à Igreja. O primeiro grande documento de âmbito geral personalizado é a
Crónica do Condestabre, de Autor anónimo do século XV, mas a sua biografia e a sua gesta são tópico fundamental na Crónica de D. João I, de Fernão Lopes. A partir da Crónica do Condestabre, (que Jaime Cortesão adaptou paraservir de leitura a jovens, pondo-a em português moderno), Nun’Álvares suscitou imensidade de títulos, entre os quais a biografia segundo Oliveira Martins, tantas vezes citada, e reeditada, a Vida de Nun’Álvares (1891). Existem, aliás, muitas outras biografias, entre elas as modernas devidas a D. António dos Reis Rodrigues e a Henrique Barrilaro Ruas. O culto a Nuno de Santa Maria acha-se documentado em inúmeras instituições que o tomaram para seu padroeiro (Arma de Infantaria), ou titular, Colégios, Escolas, Institutos, Movimentos laicais (Ala do Santo Condestável, Fraternidade Nun’Álvares, Cruzada Nun’Álvares…) e para designações toponímicas em Praças, Ruas, Capelas e Igrejas Paroquiais, etc.

Motivou e motiva poetas (Junqueiro, Corrêa d’Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Augusto Casimiro, Fernando Pessoa, Couto Viana, Moreira das Neves…) desde Luís de Camões; e também músicos, que produziram variedade de cânticos e de hinos (Manuel Nunes Formigão, Venceslau Pinto, Inácio Aldossoro, M. Pacheco, Luiz Gonzaga Mariz, José Ferreira…) desde as remotas chacóinas ou músicas com que os habitantes da zona saloia de Lisboa abrilhantavam as suas
peregrinações ao túmulo do Conde Santo na Igreja do Convento do Carmo.
Do ponto de vista bibliográfico estimamos que o tema se inclua entre aqueles que maior volume de títulos tem produzido – Santa Isabel, Santo António, S. João de Deus, com a diferença em excesso porque, em vista da história política, Nuno Álvares é muito mais referenciado, tanto directa como indirectamente. Por isso, a Selecção Bibliográfica apresentada é muito restrita, considerando apenas títulos inevitáveis porque atentos à espiritualidade. O leitor desejoso de saber mais achará complemento nos Inventários que na Selecção indicamos, sobretudo o devido ao Padre Bernardo Xavier Coutinho (fal. 1981) e também ao legado por outros investigadores, entre eles Fr. Balbino Velasco, O. Carm., na excelente
História da Ordem do Carmo em Portugal (2001) (…)
J. Pinharanda Gomes (Membro da Comissão Histórica do Processo da Causa da Canonização do Beato Nuno de Santa Maria)




Uma Longa Viagem com José Saramago
Autor: João Céu e Silva
Editora: Porto Editora
Ano: 2009
Género: Literatura

O autor:
João Céu e Silva é natural de Alpiarça, nasceu em 1959, é licenciado em História e, desde 1989, jornalista do Diário de Notícias. Publicou um livro de viagens (
Caravela Tropical) e um romance (28 Dias em Agosto). Uma Longa Viagem com José Saramago é o terceiro volume de uma série que pretende fazer o retrato biográfico de alguns portugueses ilustres, através de uma longa entrevista e dos testemunhos de quem os conheceu. Foram já publicados: Uma Longa Viagem com Álvaro Cunhal (2005) e Uma Longa Viagem com Miguel Torga (2007).

A obra:
O livro relata as conversas havidas entre o jornalista e o escritor durante dois anos.

«José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, é certamente o escritor português mais traduzido e mais lido, no estrangeiro. E, no entanto, talvez não seja tão profundamente conhecido no seu próprio país como seria de esperar. Portugal reconhece-o pelos livros que escreveu e que surpreenderam muitos milhares de leitores, mas desconhece-o porventura em muito da sua intimidade e até do seu pensamento. Durante as dezenas de horas de conversas sem tabus de que resultou
Uma Longa Viagem com José Saramago, procurou-se ir além de algumas verdades feitas sobre o autor que reinterpreta o Evangelho, que optou pelo exílio ou que profetiza a inevitabilidade da União Ibérica.
As respostas de José Saramago foram analisadas por vinte e quatro outros entrevistados, que comentam as suas declarações e a sua prática da escrita, tudo isto num cenário de reportagem dos lugares por onde a sua vida passou e de investigação e análise da sua obra.
Há palavras nunca ditas e outras reditas sob o olhar da actualidade. Sem reticências, como compete a quem durante tão grande conversa começou e acabou um novo livro, e a meio achou que não teria mais vida para terminar o desafio de se revelar num diálogo pouco habitual por tão extenso.
Uma Longa Viagem com José Saramago será, a partir de agora, uma peça imprescindível para conhecer melhor a vida e a obra de um grande escritor português.»

Sem tabus. Sem reticências. Eis José Saramago, como nunca antes retratado.
Uma Longa Viagem com José Saramago, da autoria de João Céu e Silva, éo resultado de dezenas de horas de conversas, realizadas ao longo de dois anos, e tendo como cenárioso Bairro do Arco do Cego, Azinhaga, Mafra e Lavre, sem esquecer Lanzarote. Um livro escrito ao ritmode uma entrevista em discurso directo, como deve ser quando se procura desvendar o outro lado de umescritor lido por muitos milhares de leitores.
Nesta grande conversa, José Saramago liberta-se de todas as amarras e responde a todas as questõescolocadas por João Céu e Silva, mesmo as que entram na esfera mais pessoal do escritor. O seupercurso literário, as suas opiniões sobre Portugal e o mundo, o seu relacionamento com Pilar Del Río,tudo foi falado, tudo está registado neste livro.
Não menos interessante é o facto de todas essasrespostas serem comentadas por 24 personalidades, todas elas com presença marcante na vida de JoséSaramago, como Zeferino Coelho, José Carlos Vasconcelos, José-Augusto França e a própria Pilar delRío.»


Um excerto retirado da obra:

A sua tese do voto em branco no Ensaio Sobre a Lucidez foi considerada na altura uma grande provocação. Esse era o objectivo?
Sim. Porque uma democracia que não se decide, que não sabe que uso fazer dos votos expressos – ou que às vezes sabe muito bem o que é que há-de fazer dos votos expressos, exactamente o contrário daquilo que foi prometido aos eleitores – chega a um momento em que faz uma pessoa perder a paciência. (…)
Recordo a eleição descrita na Morgadinha dos Canaviais, do Júlio Dinis, em que os labregos lá da terra já estavam todos munidos do seu papelinho e depois, entre as personagens importantes da história, há uma mudança e no último instante os papéis que votavam numa pessoa foram substituídos para passar a votar noutra. Esses homens – essas mulheres não, porque nessa época não tinham direito a voto – votaram com igual inconsciência, votaram consoante alguém ordenou, no caso o patrão, que por ter interesses próprios deixou de apoiar um e passou a apoiar outro e pôs os seus empregados e subalternos – gente em muitíssimos casos analfabeta – a votar noutra pessoa.
Isto é democracia? Isto é também uma comédia, só que uma comédia que tem consequências muito graves e uma delas é que da democracia à demagogia vai um passo – que está constantemente a ser dado, pois os políticos não respeitam a sua própria palavra –, mesmo quando se diz que a democracia é o menos mau dos sistemas. É possível que sim, mas como nunca se fez nenhum esforço para encontrar outro melhor alguém tem de o criticar. Mas não serei eu a dizer «acabemos com a democracia». E haverá que acabar com esta democracia, este modo de pensar e de viver, e este sistema tem de passar por uma mudança radical, mas como sou contra a abstenção – aí sim, sou radicalmente contra – o que eu pensei foi que a participação do cidadão num acto eleitoral pode não se limitar à escolha entre um partido e outro e outro e outro, pode pôr lá um papel em branco que significa que não votou em nada e em ninguém em particular mas que foi ali dizer «não fiquei em casa, mas para mim o sistema funciona mal».



A Vida da Poesia
Autor: Gastão Cruz

Editora:Assírio & Alvim
Ano: 2009
Género: Poesia

O autor:
Poeta, crítico literário e encenador. Natural de Faro, onde nasceu em 1941. Licenciado em Filologia Germânica, professor do ensino secundário e leitor de português no King’s College, em Londres.
Como poeta, começou por se destacar com a sua participação na revista
Poesia 61, no início da década de 60, sendo autor de uma vasta obra.
Colaborou com vários jornais e revistas como crítico literário, tendo traduzido autores como William Blake, Strindberg e Shakespeare. Um dos fundadores do grupo Teatro Hoje, onde encenou várias peças.
A sua obra foi distinguida com vários prémios, entre os quais o Prémio PEN Clube de Poesia, em 1985, e o Prémio D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus. Em 2002, o seu livro de poesia
Rua de Portugal foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, e em 2005, com Repercussão, ganhou o Grande Prémio de Literatura dst. O seu livro A Moeda do Tempo conquistou o prémio literário Correntes d'Escritas - Casino da Póvoa (2009).

A obra:
«Quem exerce a crítica durante décadas produz um corpo de textos que constitui muitas vezes uma pequena história da literatura, uma intervenção doutrinária e uma colecção de manias. A Vida da Poesia, reunião de textos críticos de Gatão Cruz, é tudo isso.
Escritos entre 1964 e 2008, os ensaios deste volume (recensões, apresentações, prefácios) retomam boa parte de
A Poesia Portuguesa Hoje (1973, aumentada 1999) e acrescentam textos novos, pecando apenas pela omissão de datas e ocasiões.» (Expresso)

«A tensão e o rigor exigidos para o poema deverão igualmente consolidar a reflexão que toma por objecto a poesia: um texto de que a emoção não pode estar excluída e em que o poder da palavra continua a ser essencial. Falar de poesia, se não é tentar o impossível aprisionamento do poema ou do seu fugidio sentido entre as linhas do quadrilátero onde eles não hão de caber, não poderá ser, também, o desajustado divagar extrapolante que tantas vezes encontramos na chamada crítica de poesia.
O entendimento do poema, o acerto com que dele se fala, são fenómenos tão infrequentes quanto o é a criação de verdadeira poesia. E assim como não é fácil dizer por que razão um poema é um poema e não um simples amontoado de versos ou de frases com pretensões poéticas, difícil será explicar por que um texto sobre poesia não falha (quando não falha) o seu objectivo, que é entrar no “lago escuro”, não para o iluminar, mas para lhe conhecer a escuridão.»

* * *


Sobre a Cama de Roupa o teu Cadáver

Sobre a cama de roupa o teu cadáver
do corpo morto não inerte ou vivo
do corpo não contente ou triste ou vivo
de morto não inerte ou de cadáver

sobre a cama de roupa morto ou vivo
sobre o teu corpo morto de cadáver
à luz do corpo vivo de cadáver
descontente ou alegre morto ou vivo

como pude chorar ou morto ou vivo
sob a chuva da morte do cadáver
do corpo morto teu ou como vivo

pude olhar-te e chorar-te e o cadáver
sobre a cama de roupa inerte ou vivo
do teu corpo e de morto o teu cadáver


(Gastão Cruz, em "Escassez”)

* * *

A Vida da Poesia


Hoje sei como se exprime a vida da poesia
com a sinceridade das emoções linguísticas
com que o mundo devasta e enche as nossas vidas

Aprendi a clareza das imagens fictícias
recolhidas na luz do corpo nu e vivo
entre os golpes orais errante desferidos

(Gastão Cruz, em "Campânula”)



Retrato da “ramalhal figura”

Autor: A. Campos Matos

Editora: Livros Horizonte
Ano: 2009
Género: História da Literatura

O autor:
Campos Matos, arquitecto, nasceu na Póvoa de Varzim em 1928.

No seu curriculum predominam os estudos sobre Eça de Queiroz, com Imagens do Portugal Queirosiano (1976). Foi autor da iniciativa e de grande parte do corpus do Dicionário de Eça de Queiroz (1988). Esta obra daria lugar, em 1993, a uma segunda edição muito aumentada, com novos colaboradores. Publicou também Algumas reflexões sobre uma cidade em crescimento: a Póvoa de Varzim, in Boletim Cultural da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim (1976); Bibliografia de António Sérgio, in Revista da História das Ideias, Coimbra, Faculdade de Letras, (1983); Diálogo com António Sérgio, Lisboa (1983). Tem colaborado no JL e outros periódicos e revistas de especialidade. Em Maio de 1994 foi encarregado pela Fundação Eça de Queiroz de transcrever, anotar e organizar a correspondência inédita de Emília de Castro para Eça de Queiroz: Eça de Queiroz-Emília de Castro, Correspondência Epistolar (1995). No prelo Cartas de Amor de Anna Conover e Mollie Bidwell para José Maria Eça de Queiroz, Cônsul de Portugal em Havana (1873-1874)) (1999). É também autor de Diálogo com Eça de Queiroz (1999); A Casa de Tormes, Inventário de Um Património (2000); Viagem no Portugal de Eça de Queiroz (Roteiro), (2000); A Igreja Românica de S. Pedro de Rates (Guia para Visitantes) (2000) e E. Q. Marcos Biográficos e Literários (1845-1900), catálogo de exposição do Instituto Camões (2000) E. Q. Realidade e Ficção, guião do vídeo-filme para o Instituto Camões (2000).

A obra:

O Retrato da “ramalhal figura” é um desmascaramento de Ramalho Ortigão, que nos dá a conhecer as controversas atitudes de Ramalho para com Eça de Queiroz, em particular a partir do falecimento deste em Paris. A indiferença perante a morte do amigo; a negligência inacreditável com que trata a obra póstuma de Eça e, simultaneamente, as suas tentativas de apropriação da autoria de romances conjuntos; os seus comentários dúbios; enfim, um quadro inédito que se desvela em doze cartas de Ramalho (uma delas inédita) numa lúcida e documentada análise de A. Campos Matos (da Caminho).

«Nessas cartas, por exemplo, é impossível não causar estranheza, no relato do convívio com Eça, uns dias antes da morte deste, e por ocasião do recebimento de tal notícia, a passagem súbita de plangentes expressões de dor, para sentimentos de grande gozo turístico e pormenorizadas descrições de trivialidades de foro pessoal.
Igual perplexidade causa o diminuto papel na publicação da obra póstuma de Eça, essencialmente limitado à revisão das últimas páginas d
’A Cidade e as Serras. Tarefa que lhe tinha sido confiada pela viúva do amigo, junto com o espólio de manuscritos, a que Ramalho acabou por votar uma negligência incompreensível.
Ramalho Ortigão reverá também o texto d’
O Mistério da Estrada de Sintra, em 1902, tendo praticado em ambos os casos revisões muito discutíveis e atrabiliárias. Neste caso (como já o fizera com As Farpas), Ramalho reclama para si a autoria principal.
Campos Matos chama a atenção para o facto de que “a apreciação do comportamento de Ramalho ao longo dos anos que viveu após a morte de Eça, transcende os episódios por vezes insólitos que podemos historiar, para se assumir, no que a Ramalho diz respeito, num caso muito especial de difícil interpretação psicológica e até literária”. Para o autor trata-se de “um caso deveras estranho o deste relacionamento, que pela primeira vez se analisa na sua rica e complexa totalidade, constituindo valiosa contribuição para a biografia de ambos”».

«O investigador A. Campos Matos demonstra no seu livro, Retrato da “ramalhal figura”, que Ramalho Ortigão foi um "falso amigo" que levado pela "grande prosápia" esqueceu a "profunda amizade" que Eça de Queiroz lhe devotou.
"Evitei os juízos de valor, e apenas apresentei factos, tudo que se afirma está documentado, mas o Ramalho foi completamente um falso amigo", disse à Lusa Campos Matos.
A atitude do autor de
As farpas é justificada pelo investigador, segundo o qual, Ramalho Ortigão, "tinha uma certa inveja e a consciência perfeita que como criador de prosa e escritor, Eça está muito acima dele, mas por isso é que também não se percebe, sendo ele autor de páginas de um português de lei, as intervenções que fez em textos do Eça".
Campos Matos refere-se às intervenções feitas no romance
O mistério da estrada de Sintra em que "num disparate total Ramalho substituiu a palavra máscara do original pela francesa loup".
Sobre este romance, a obra agora editada pelos Livros Horizonte traz a lume uma carta que Ramalho Ortigão escreveu ao director e fundador do Diário Notícias, Eduardo Coelho, reivindicando para si a ideia e a maioria da autoria de
O mistério da estrada de Sintra.
"Nós tínhamos conhecimento de uma outra carta de Ramalho escrita no mesmo sentido a Alfredo da Cunha, sucessor de Eduardo Coelho, 15 anos mais tarde, mas esta é uma carta que tive acesso através de um bibliófilo", explicou Campos Matos.
A carta tem a data da primeira publicação de
O mistério da estrada de Sintra, Eduardo Coelho não lhe dera dado qualquer importância "pois já conhecia o Ramalho e como se tratou de uma carta privada não ligou".
Campos Matos reconhece a "escrita exemplar" de Ramalho e até uma "certa osmose perfeita com o Eça em algumas páginas d’
As Farpas, mas considera que Ramalho agiu com "perfídia" relativamente ao amigo, não se tendo importado com os manuscritos que este deixou, e não apoiou a viúva e os filhos.
"Quando Eça morreu em Paris e a família estava cheia de dívidas, Ramalho quando soube continuou a passear-se de gôndola em Veneza e nada fez", referiu.
Para Campos Matos nem a viúva nem os filhos estavam completamente cientes relativamente à perfídia de Ramalho, "e se algum deles se apercebeu dela foi o filho mais velho".
Campos Matos refere que António Eça de Queiroz "terá tido contacto com a tal perfídia" quando recebeu um pacote do Rio de Janeiro com papéis do pai.
Após a morte de Ramalho todo o seu espólio foi enviado para o Rio de Janeiro onde se encontrava o seu herdeiro que devolveu à família do autor de
Os Maias os seus papéis.
Entre esses papéis encontravam-se várias cartas de Fradique Mendes,
A tragédia da rua das flores e A capital, que tinha 80 páginas já impressas".
Ramalho negligenciou a revisão de provas desculpando-se com a "escrita hieroglifica" de Eça.
"Uma mentira colossal - atesta Campos Matos -, a letra hieroglífica, o que de facto é nos manuscritos de criatividade, de primeiro jacto, mas nas cartas é muito regular e no caso d`
A Capital, não tinha problema nenhum, podia ter perfeitamente publicado".
"Ele [Ramalho] queria, era passear e estava-se nas tintas para o que o amigo tinha deixado", desabafou.
Segundo o ensaísta, a preocupação de Ramalho "era ficar para a história" e exercia grande influência em Eça, "talvez pelos tempos do Colégio da Lapa, onde Eça foi aluno e Ramalho professor".
"Vaidoso" e "pedante" são dois adjectivos que utiliza para se referir a Ramalho, tendo contado à Lusa a história em que este chegou a "pedir uma comenda para a levar na lapela quando chegasse a Paris".
Ramalho corresponde, assinalou o investigador, a uma das muitas personagens que eram zurzidas pelo Eça, "ele é um personagem queirosiano", rematou»



Passaporte
Autor: Maria Filomena Mónica
Editora:Aletheia Editores
Ano: 2009
Género: Viagens

A autora:
Nasceu em Lisboa em 1943. Licenciada em Filosofia pela Universidade de Lisboa em 1969. Doutorada em Sociologia pela Universidade de Oxford, em 1978. Actualmente, é investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Colaboradora da revista Análise Social. Autora de vários artigos na imprensa periódica.
Como escritora, alcançou grande sucesso com
Bilhete de Identidade (2005) e suscitou grande polémica pela forma desassombrada como descreveu o seu passado e relatou a sua vida até 1976, tendo sido a primeira a fazê-lo na sociedade portuguesa.
Mas a sua obra é já extensa. Entre outros, publicou os seguintes livros:
Educação e Sociedade no Portugal de Salazar (1978), O Retrato da Lisboa Popular (em colaboração com António Barreto), 1982, Artesãos e Operários, (1986), A Queda da Monarquia (1987), Os Grandes Patrões da Indústria Portuguesa (1990), O Tabaco e o Poder (1992), Visitas ao Poder (1992), Turista à Força (1996), Vida Moderna (1997), Os Filhos de Rousseau (1997), Cenas da Vida Portuguesa (1999), Fontes Pereira de Melo (1999), Dicionário de História de Portugal, (org. em colaboração com António Barreto) (1999), Eça de Queirós, Lisboa (2001), Eça de Queiroz, Jornalista (2003), Isabel, Condessa de Rio Maior (2004), Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834/1910, (org.) (2004), As Farpas (org.) (2004), Bilhete de Identidade (2005), D. Pedro V (2005), Eça de Queiroz, London and New York (2005), Ensaios sobre Eça de Queirós (2007), Confissões de uma Liberal (2007), D. Pedro V (2007), Cesário Verde, (2007).

A obra:
O livro reúne um conjunto de notas e observações sobre viagens e lugares, que Filomena Mónica realizou entre 1994 e 2008.
As suas viagens começam primeiro pelos livros e a eles retorna quando regressa dos lugares que visitou.

"Leio bastante antes de ir, uns 20 ou 30 livros, mas parto para os locais com um olhar ingénuo, porque me esforço para compreender a cultura do país que visito. Umas impressões são confirmadas, outras não", explicou.
Por exemplo, confessou, antes de visitar Istambul, leu o livro de Orham Pamuk, "ainda antes de ter recebido o Prémio Nobel".
A autora reconhece que as suas opiniões "estão enfronhadas no que pensa" e cita o caso do Islão, que considera "o grande inimigo da civilização ocidental", afirmando que "a tolerância e o renascimento no al-andaluz de Córdova e Granada é um mito"

Em Portugal, Fátima, Trás-os-Montes, Porto, Lisboa, Évora, Algarve ou Águas Belas são algumas das regiões sobre as quais escreve.No Porto, o seu olhar centrou-se na Casa da Música que qualifica de "meteorito" na paisagem urbana, acusando o arquitecto Rem Koolhaas de "espoliar o Estado português" por esta ter custado mais 230 por cento do que o previsto."Não gosto como cidadã, o Estado gastou ali o nosso dinheiro, o arquitecto aldrabou o Estado português, o que é típico, pois olham para Portugal como se fosse Marrocos", disse.Segundo a autora, o projecto inicial de Koolhaas "era uma casa para um cliente excêntrico que não se queria encontrar com a família na sua própria casa, e que o arquitecto aproveitou o projecto, vendeu um projecto que já estava feito", rematou.
"Sobre Fátima, procurei-me informar ao máximo sobre o culto mariano, como é vista Nossa Senhora pelos católicos e pelos protestantes, antes de ir".
Em Évora o seu olhar debruçou-se sobre o Bairro da Malagueira, projectado por Álvaro Siza Vieira, que qualifica de "horrendo" e "totalitário", em contraste com outras obras do arquitecto, que aprecia como a casa de chá em Leça ou uma igreja em Marco de Canaveses.Referindo-se ao bairro afirmou: "Chocou-me a ideia de que para os pobres as casas podiam ser pequeninas e com janelas minúsculas e que não podiam pôr vasos".
Águas Belas, aldeia nos arredores de Tomar, foi o único local que visitou e sobre o qual não fez qualquer investigação, "pelas raízes" que tem, pois é a aldeia dos seus avós.

"Eu gosto é de viajar em grande estilo, de estar meses e não ir em massa com máquina fotográfica a tiracolo e correr os sítios todos".
A autora afirma que gostar de "estar" e não de "ir", sem "as tribos de Lisboa". "Não sou o turista típico do século XXI".



Assobiar em público
Autor: Jacinto Lucas Pires

Editora: Livros Cotovia
Ano: 2008
Género: Contos

O autor:
Jacinto Lucas Pires nasceu no Porto a 14 de Julho de 1974. Estudou Direito na Universidade Católica de Lisboa e Cinema na New York Film Academy. Publicou o seu primeiro livro em 1996, Para Averiguar do seu Grau de Pureza, e trabalha como dramaturgo e cineasta.
A sua obra encontra-se publicada em português em espanhol, croata e tailandês. Várias peças suas estão traduzidas em francês, espanhol, inglês e norueguês. Alguns dos seus contos foram incluídos em colectâneas na Alemanha, em França, em Itália, na Bulgária, no Brasil e em Espanha. Tem contos em várias antologias portuguesas.
Escreveu e realizou duas curtas-metragens:
Cinemaamor (1999), prémio cine-clube no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, e B.D. (2004).
Venceu o Prémio “Europa - David Mourão-Ferreira”, atribuído pela Universidade de Bari e pelo
Instituto Camões, cujo objectivo é difundir a língua portuguesa e as culturas dos países lusófonos, homenageando o poeta David Mourão-Ferreira.

A obra:

Assobiar Em Público é uma recolha de vinte e dois contos, alguns dos quais inéditos.

P - O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Assobiar em Público»?
R - É uma síntese, já que junta o essencial dos contos que venho escrevendo, desde o primeiro livro, saído há mais de dez anos. E – porque também traz textos novos, inéditos em livro – é igualmente um passo em frente, na direcção do precipício (como na anedota!).

P - Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R - Uma ideia de respiga. Juntar pequenezas espalhadas por aí, demasiado soltas, meio perdidas. E ganhar distância para continuar a olhar em frente.

P - Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R - Estou a traduzir uma peça de Wallace Shawn, “A Febre”. Um monólogo brilhante de um dramaturgo americano que devíamos conhecer melhor.



Livros com Ideias Dentro

Autor: António Rego Chaves

Editora: Campo das Letras
Ano: 2008
Género: Literarura

O autor:
António Rego Chaves nasceu em 1939, tendo-se licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi jornalista profissional e repórter internacional de 1968 a 2003 no Diário Popular e no Diário de Notícias, jornal onde também desempenhou funções de editorialista e colunista. Colaborou, antes do 25 de Abril, na revista Seara Nova e no semanário O Comércio do Funchal, sobretudo na área da política internacional. No suplemento DNA, do Diário de Notícias, e na página “Livros” do mesmo matutino, assinou numerosos ensaios e recensões críticas de âmbito filosófico, bem como os textos “Vinte e Quatro Diálogos Bíblicos" e “Encontros em Florença”. Juntamente com Ana Marques Gastão e Armando Silva Carvalho é autor de “Três Vezes Deus”.

A obra:

O livro pretende chamar a atenção para obras que, embora muito importantes, correm o risco de ser preteridas em favor de múltiplas temáticas fúteis que cada vez mais parecem ir ao encontro da procura de grande parte de leitores.
Nestas recensões críticas, escolhidas entre cerca de duas centenas publicadas no Jornal de Negócios, aborda-se o pensamento de dezenas de intelectuais, portugueses e estrangeiros, cujo pensamento não deveria ser ignorado pelo nosso tempo – de Amos Oz, António Sérgio, Arendt, Beauvoir ou Camus a Manuel Laranjeira, Simone Weil, Unamuno, Voltaire ou Wittgenstein.
«Durante muitos anos, décadas, os jornais constituíram-se, entre outras coisas, em difusores de informações sobre os livros que iam sendo publicados (e sobre os filmes e peças de teatro que estreavam…). Faziam-no com cariz mais ou menos profundo, variando do simples registo de saída à avaliação do seu significado, estilo, interesse... Neste caso, pela mão de gente que, de uma forma ou outra, estava abalizada para o efeito. Havia os suplementos, mas também a divulgação esparsa, em muitos deles…
Os jornais têm mudado, os leitores também, às vezes por causa de uns e dos outros, quando não mais destes do que daqueles. Ou seja, não consta que alguma vez os leitores tenham manifestado rejeição pela informação literária, entendendo-a não só como referente a livros, mas também a autores, a editoras, ou ao que a tal se referisse.
Não consta esse desinteresse, mas a pouco e pouco os periódicos foram deixando cair o que a esta matéria se referia, a menos que alguma janela de interesse comercial aparecesse. E chegou-se ao que há hoje: nem suplementos com vocação para as artes e letras, nem informação avulsa ou organizada sobre esse mundo. Há excepções, mas mesmo entre os jornais ditos de referência a sobrevivência parece custosa.
Vem isto a propósito de António Rego Chaves, um jornalista que atravessou uma boa parte da segunda metade do século XX, homem formado na Filosofia, mas que pela mão do jornalismo viu o (nosso) mundo, e o registou sob a forma de reportagem. Mas também das tais notas de leitura, ou de textos de opinião, e o mais que levou o jornalismo à categoria de fonte de poder – mais do que exercício do poder.
Ao longo da vida, este jornalismo repartiu-se nesses dois registos, e outros. No caso, tendo passado por jornais generalistas, como o Diário Popular e o Diário de Notícias, acabou por seleccionar de larga colaboração no Jornal de Negócios um conjunto de 44 referências a obras – que na verdade eram justificação para abordar o pensamento dos seus autores. E porque estes eram nomes importantes, tanto da literatura pura como de sectores e actividades a que se dedicaram, o leitor era realmente encaminhado para o ângulo de leitura pretendido.É o caso, por exemplo, de uma biografia de Maquiavel, com a defesa de que não se deve tomar na sua obra o que é descritivo por normativo, ou seja, é de lê-lo como «um arguto repórter e um lúcido historiador de comportamentos dos políticos».
Ou seja, este jornalista da política da sua época mais não queria do que «aprender a jogar com inteligência e eficácia o jogo que seriam forçados a jogar no interior do temível ninho de víboras habitado pela ‘classe política’». Assim sendo, Maquiavel acabaria por ter o destino dos mensageiros das más notícias: o que levou à conotação dicionarística do maquiavelismo com amoralismo.Juntas, em livro, estas críticas de livros têm mais do que um mérito. Mas, desde logo, ressalta o de dar unidade à leitura de um conjunto de edições não muito antigas, e que em alguns dos casos, pelo menos, com o sopro do calendário se apagam nas memórias – e nas páginas dos jornais que inicialmente as acolheram.»

«“Livros com Ideias Dentro” de António Rego Chaves é um percurso que nos revela um conjunto diversificado, mas de grande interesse, de obras e de autores. Com grande cuidado na escolha dos livros e no tratamento das ideias que estes contêm, o autor organizou uma obra de qualidade, que nos permite ver pelos olhos de quem nos conduz um verdadeiro caleidoscópio que nos faz compreender melhor o mundo em que vivemos. Trata-se de textos jornalísticos de uma grande sensibilidade e exigência, que correspondem a uma concepção de elevado sentido cívico e ético sobre o serviço público cultural do jornalista, o que é de realçar.
COMO NUM PEQUENO DICIONÁRIO, o jornalista (que é sobretudo ensaísta) apresenta-nos os diversos livros analisados por ordem alfabética de autores, o que nos permite construirmos o nosso próprio percurso de leitura ou seguir, de modo aleatório, sem continuidade cronológica, as obras que nos são propostas. Ambos os caminhos reservam-nos um contacto muito estimulante com as reflexões feitas. De facto, estamos perante obra de ideias, que estimula o sentido crítico, o que é uma virtude que tem de ser elogiada. Logo de início, lemos sobre o Abbé Pierre: “Não foi o único, mas poderá ter sido, no século XX, um dos raros ‘santos’ cristãos”. A afirmação dá o tom do livro. António Rego Chaves nunca deixa o leitor em descanso ou em atitude conformista. Gosta de desinquietar, mobilizando os leitores para a sua atitude de agitar águas e de lançar desafios inteligentes. E nesse primeiro texto, ressalta a afirmação do próprio Abade: “A luta pelo meu pão pode ser materialismo; mas a luta pelo pão dos outros já é espiritualismo”. De facto, num tempo em que o dinheiro faz correr todo o mundo, o sacerdote francês foi sempre motivado por esse estranho mas apaixonante desafio que é o Amor. E a análise do livro “Porquê, meu Deus?”, de um “santo” que era cristão, é centrada, no essencial, nessa procura e nesse constante pôr em causa das considerações redutoras que, às vezes, em nome da pureza dos princípios, escondem a desconfiança e a idolatria. Aliás, logo a seguir fala de Amos Oz e de “Contra o Fanatismo”. E Rego Chaves põe especial ênfase na resposta à pergunta: qual a essência do fanatismo? Trata-se do “desejo de obrigar os outros a mudar” – diz Amos Oz. (…) “O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio”. (…) O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita os braços ao pescoço porque nos ama de verdade, ou se atira à nossa garganta no caso de sermos irrecuperáveis”… E depois António Sérgio vem-nos alertar (sobre a inexistência de uma Civilização Cristã) para que “não seria possível servir a dois senhores, Deus e o dinheiro. Uma forma de civilização caracterizada pela competição e pela guerra entre os homens para chamarem a si o dinheiro não seria digna de ser classificada como cristã”. De facto, ao apresentar-nos um conjunto de comentários a livros, publicados no “Jornal de Negócios”, Rego Chaves vai pondo pedras no caminho que assinalam estimulantes sentidos de responsabilidade crítica.
TEMAS SUCEDEM-SE. Hannah Arendt, Beauvoir, Camus, Celan, Heidegger, Jünger, Küng, Hobsbawm, Malraux, Marx, Sartre, Simone Weil e Wittgenstein… Eis um percurso não exautivo. O totalitarismo de Arendt fica subalternizado perante a deslumbrante magia de “A Vida do Espírito”. Sobre Simone de Beauvoir e Sartre fala-se das polémicas do tempo e de estranhas reacções a “Le Deuxième Sexe” e ao seu sentido emancipador, que levariam Jean-Marie Domenach a dizer “é necessário não impor ao cristianismo os óculos da moral burguesa”. E Jean Paul Sartre aparece-nos a afirmar não só que foi “conduzido à descrença, não pelo conflito dos dogmas, mas pela indiferença dos meus avós”, mas também que “a esperança é a relação do homem com o seu fim, relação que existe mesmo se o fim não é atingido”. Camus é visto pelos olhos de uma decepção, a propósito de um número do “Magazine Littéraire”, onde algumas simplificações não retratam por inteiro o cidadão – correndo-se o risco de cair no anacronismo histórico. O diálogo Celan-Heidegger, de um poeta e de um filósofo, revela-nos o claro e o escuro de uma relação equívoca, em que o poeta romeno alimenta sentimentos contraditórios a propósito do pensador, que transportou sempre consigo a terrível contradição de ter contribuído para a “malignidade do mal” nazi e de ser um dos filósofos mais estimulantes do seu século. E uma última carta, que teria ficado por enviar, dá bem conta desse paradoxo de admiração e repulsa: “pelo vosso comportamento enfraqueceis de maneira decisiva o poético e ouso suspeitá-lo o filosófico na vontade séria de responsabilidade que pertence a ambos”… Ernst Jünger é um curioso paradigma do século XX. Indiscutivelmente um grande escritor, faz-se no cadinho de um século de belicismo e de violência. A sua originalidade está na tentativa de “elevar a literatura à categoria de experiência de vida”. Diz-nos, assim, que “como instinto sexual, a guerra não é instituída pelo homem, é lei da natureza, e por isso nunca poderemos fugir do seu império”. E Rego Chaves comenta: “dir-se-ia que o fantasma de Nietzsche, enfim reconciliado com o de Wagner, tomara Bayreuth de assalto para a transformar em capital da ópera bufa”. Por outro lado, a coerência de Hans Küng é recordada na sentença: “quando a Igreja não realiza a causa de Jesus Cristo ou a distorce, peca contra o seu próprio ser e perde esse ser”. Eric Hobsbawm, historiador marxista, cujos brilhantismo e força intuitiva servem para ultrapassar quaisquer barreiras ideológicas para os seus leitores, surge na força da sua persistência: “Não devemos depor as armas, por mais ingratos que os tempos de mostrem. É necessário continuar a denunciar e a combater a injustiça social. Se nos limitarmos a deixá-lo entregue a si próprio, o mundo não se tornará automaticamente melhor”. A propósito de André Malraux, o autor fala-nos de uma leviana idiotice, de uma profecia desmentida pelo próprio: “o século XX será religioso ou não será”. Nunca o disse, e a citação só poderia fazê-la quem ignorasse o homem desolado do fim da vida, para quem, apesar de perseguido pelos espectros de Pascal, de Kierkegaard e de Dostoievsi, “o incognoscível absoluto não é um domínio de dúvida; é tão imperioso como as fés sucessivas da humanidade”. Sobre Karl Marx, António Rego Chaves fala do desconhecido – que “não era determinista, nem inimigo das liberdades individuais, nem da propriedade privada, nem da fé e da religião”. Estamos perante outro lado do problema quando se trata de analisar (à luz quiçá cartesiana) o autor dos “Manuscritos de 1844” e do “Manifesto do Partido Comunista”, e é sempre fundamental desmontar as ideias falsamente feitas e condicionadas pelas próprias vicissitudes da história. Com “A Gravidade e a Graça” de Simone Weil, o autor cita: “o mundo tem necessidade de santos que tenham génio, tal como uma cidade com peste tem necessidade de médicos”. E ARC comenta: “o mesmo é dizer que a força da gravidade (natureza) precisa de ser atraída, elevada e transfigurada pela luz da graça, do sobrenatural, da caridade”…
SILÊNCIOS E O GRITO – “Os Cadernos” de Wittgenstein, dos anos de 1914 a 1916 constituem motivo para uma reflexão especial, na linha do que Rego Chaves já tem trabalhado. O percurso do pensador austríaco não é isento de dúvidas, hesitações, perplexidades e aproveitamentos. E, como afirmou, Eckard Nordhofen: “A velha disputa sobre o famoso silêncio que aparece no final do Tractatus é um silêncio sobre algo ou é um silêncio sobre nada, ficou sem dúvida resolvida. É um silêncio sobre algo, sobre o mais importante, sobre aquilo que não se deixa dizer. É teologia negativa no seu grau mais puro”. Ou não fosse a obra um constante apelo a ler mais, para tentar compreender melhor!

(Guilherme d'Oliveira Martins)




O Pensador, de Rodin.

A actualidade do implacável Maquiavel
Saindo em louvor do politicólogo Maquiavel e do seu implacável “O Príncipe”, no texto titulado, precisamente, “Em louvor de O Príncipe”, António Rego Chaves relembra o que disse Francis Bacon daquela obra: “Estamos muito reconhecidos a Maquiavel e a outros como ele, que escreveram aquilo que os homens fazem, e não aquilo que devem fazer.”
Salientando que o autor quinhentista continua a ser incompreendido pela generalidade dos seus leitores, A. Rego Chaves remete, ilustrando, para o
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa que define “levianamente o “maquievalismo” como sistema político, baseado nas ideias do escritor e político florentino Maquiavel e caracterizado pelo princípio amoral de que os fins justificam todos os meios e que a arte de governar deve estar acima de todas as preocupações de carácter ético, religioso…”. O italiano, defende-se, “queria desvendar aos seus contemporâneos os segredos do realismo político, a invenção, a táctica e a estratégia, a ‘ciência’ do Poder”, limitando-se a proclamar “não apenas que o rei ia nu, mas que os príncipes antigos e os da sua época sempre tinham andado em pelota, ainda que nenhum deles tivesse admitido tal prática.”
A enformar a argumentação, o texto chama Jean Giono, que se pronunciou sobre as “Concepções psicológicas, sociais e políticas” de Maquiavel: o seu grande conhecimento da alma humana fá-lo crer que “para ele, um homem de confiança é um homem que se pode comprar”, sabendo que “não se pode confiar totalmente senão nas fraquezas e, em particular, no interesse pessoal
.
E António Rego Chaves acrescenta: «Pessimista, Maquiavel? Tememos bem que não. Considerava que
é necessário ser um príncipe para compreender totalmente a natureza do povo e ser um vulgar cidadão para compreender totalmente a natureza dos príncipes.” Talvez tenha encarado o cruel César Bórgia, filho do não menos cruel Papa Alexandre VI e aventureiro sem escrúpulos, como o “governante perfeito”, pois aprendera à sua custa que “aquele que negligencia aquilo que é feito em benefício daquilo que devia ser feito efectiva mais rapidamente a sua ruína do que a sua preservação”. Também sabia, por saber de experiência feito, que os homens “são ingratos”, inconstantes, mentirosos e velhacos, fogem do perigo e são gananciosos” e não vislumbrava qualquer espécie de “salvação” para aquilo que considerava ser a natureza humana, estando convicto de que ninguém poderia ser ao mesmo tempo um bom cristão e um governante forte, condição esta indispensável ao eficaz exercício do poder.

Segundo A. Rego Chaves, o «arguto repórter» e “lúcido historiador de comportamentos dos políticos” que foi Maquiavel, permitiu-lhe constatar que o objectivo da acção dos políticos “não seria, segundo lhe foi dado a observar, pôr em prática grandes ideais capazes de conduzir a Humanidade à formação e consolidação de sociedades mais perfeitas, mas apenas jogar o jogo do Poder – para o ganhar, seja a que preço for, retirando qualquer carga moral aos meios utilizados para alcançar os seus fins egoístas. Para os governantes – mas não para o repórter e historiador Maquiavel – tais mesquinhos fins, justificariam, de facto, todos os meios.”
Pertinentemente pois temos de aquiescer, António Rego Chaves refere que
a denúncia do florentino em nada contribuiu para alterar a prática dos líderes políticos que nos últimos cinco séculos se têm assenhoreado dos destinos dos povos.”».

(Teresa Sá Couto)




Algumas das Palavras.
Poesia reunida 1956-2008
Autor: Fernando Guimarães
Editora: quasi edições
Ano: 2009
Género: Poesia

O autor:
Fernando Guimarães nasceu no Porto em 1928. Tem-se notabilizado como poeta, ensaísta e tradutor.
A sua obra poética encontra-se reunida nos seguintes livros:
Casa: o seu Desenho, IN-CM, 1985; Poesias Completas, vol. I: 1952-1988, Edições Afrontamento, 1994; A Analogia das Folhas, ed. Limiar, 1990; O Anel Débil, Edições Afrontamento, 1992.
A sua obra ensaística orienta-se para o estudo de questões teóricas, ligadas à estética, e da evolução da poesia portuguesa nos últimos cem anos, a partir de grandes movimentos como o Simbolismo, o Saudosismo ou o Modernismo. Nestes dois domínios publicou:
A Poesia da "Presença" e o Aparecimento do Neo-Realismo, Ed. Brasília; Linguagem e Ideologia, ed. Lello; Simbolismo, Modernismo e Vanguardas, ed. Lello; Poética do Saudosismo, ed. Presença; A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim do Modernismo, Editorial Caminho; Poética do Simbolismo em Portugal, IN-CM; Conhecimento e Poesia, ed. Oficina Musical; Os Problemas da Modernidade, ed. Presença.
É também autor de um livro de narrativas:
As Quatro Idades, ed. Presença, 1996.
Traduziu, em livro, poemas de Byron, Shelley, Keats, Dylon Thomas e, em colaboração com Maria de Lourdes Guimarães, Hugo von Hofmannsthal e Elaine Feinstein.
Robert Bréchon (em Georges Le Gentil,
La Littérature Portugaise) refere-se à sua obra poética nestes termos: «Il chante à mi-voix, avec une ardeur contenue, l'intimité du jour et de la nuit, des saisons et des heures, des fleures et des corps. Mais ce chant si simple a quelque chose de secret, en raison de ce que Rémy Hourcade appelle les "glissements métaphysiques" et les autres "procédés très stricts", qui constituent toute une savante rhétorique».

A obra:
“Que limites existem para a luz? Veio alguém acender esta candeia. À nossa volta, uma pequena chama principia a erguer-se, mas em vão é que ela se conserva perto de nós, quando abrimos devagar as leves páginas cujo sentido de ignora e as fechamos depois sem esperança, como se fosse este o seu destino no interior da noite. Estamos ali adormecidos e havemos de encontrar uma outra luz, maior, que as permita ler.”

* *

ANNA AKHMATOVA

Estou agora sozinha. A noite pronuncia os nomes necessários. Havia outrora alguém que deixava cair sobre os meus ombros a areia rugosa. Dissera mesmo, com um sorriso: «Os teus ombros de clepsidra...» E eu sentia esse rumor límpido, que levava as pessoas a fitarem-se durante instantes, com uma suspeita inesperada; uma espécie de veneno, digo-vos. O olhar pousado neste espelho imobiliza-se; os dedos que teceram os dourados ícones esperam ainda. Ficou à minha volta apenas um ligeiro odor de tabaco, porque há muito as conversas esmoreceram. Recomeço a maquillage e sei como os dedos perseguem um corpo frágil e destruído; ao tocarem com cuidado as sobrancelhas ainda poderão erguer esse pó azul que as transforma numa espécie de versos, quando Tomachevski nos vinha explicar: «a rima é a forma canonizada, métrica da eufonia.» E sinto ainda esse rumor triste, que ficou perdido entre as vozes ciciadas, agora tornadas cúmplices. Uma mulher aparecera com uma ave destruída nas mãos; o ar ficou iluminado e sabíamos que ela pensava ainda num voo que se tornara impossível. Foi assim que pude ver à minha volta esta renda que chegava da idade, o tremor límpido que percorria os braços, o contorno apenas adivinhado das veias. Sabia que devagar começara o tempo a envolver-me; atravessei um jardim e olhava para as folhas que ali alguém tinha calcado. Pensei nos bolbos, nas escamas da terra. Junto às portas entreabertas podia-se ver alguns sinais que não sabia interpretar: talvez as sementes que nasciam da própria casa, e sozinha escutava o rumor que atravessa estes corredores vegetais. Tornava-se maior a minha sombra em cada quarto, um pouco inclinada para os móveis abandonados onde ficou um pano estendido como se esquecêssemos o seu peso. Recebo daqueles que amei a luz; assim me inclino um pouco sobre esta mesa e inicio uma leitura morosa, paciente. Por vezes, em qualquer recanto, escuto ainda o grito agudo dos que se suicidaram e reparo num vestígio de sangue nas suas têmporas: como um fio vermelho que marca as páginas de um livro. – Ficou caída, sobre os joelhos esta manta cujas pregas componho devagar; atravessada pelo frio húmido, desce até ao soalho que cuidadosamente enceraram. Quase em surdina, alguém ao meu lado disse: «Espero a noite e os cavalos que a seduzem.» A noite... É nela que irei procurar os limites silenciosos destas paredes a que me acolhi; a sombra e a luz confundem-se sobre os meus cabelos que sempre gostei de ter um pouco curtos. Reparo nos favos da casa; há uma janela próxima que estremece quando as folhas a vêm tocar, e principio a escrever ali as palavras que ficaram esquecidas. Era assim que começava um poema? Tornaram-se mais cansados os gestos. Apenas sei que caminho ao encontro dos companheiros que nunca pude esquecer, e agora os meus passos são de água.
(pp. 30-32)



Breve História do Século XXI
Autor: Fabrice d’Almeida

Editora: Editorial Teorema Lda
Ano: 2008
Género: História

O autor:
Historiador francês, nascido a 15 de Novembro de 1963, especialista da propaganda por imagem e da manipulação.
Os seus trabalhos têm incidido particularmente sobre a cultura e a iconografia políticas em França e Italia durante o sec. XX. Actualmente é Professor na Universidade de Paris II Panthéon-Assas. Foi cofundador do Grupo de Estudos sobre as Imagens Fixas (GEIF), tendo dirigido o Instituto de História, de 2006 a 2208.

A obra:
Um livro que ajuda a pensar o mundo neste tempo de crise, nas suas contradições e conflitos, emque nos confrontamos com o tempo presente, onde muita coisa tínhamos como certa e segura.

“Algumas perguntas simples marcam este ensaio: teremos saído da história do século XX? Quando começou o século XXI? Quais os grandes traços da história do século XXI que se anuncia e como escrever a sua história? E porquê? Que ilações podemos tirar da evolução dos saberes e da informação?
As respostas a estas perguntas passam pela reinvenção de um olhar histórico, liberto dos seus hábitos e preconceitos, da sua terrível tendência para a rotina burocrática, rompendo com a sua timidez característica em matéria de antecipação. Essa forma de proceder supõe um exercício metodológico particular, a fim de se extrair das ideias feitas e reencontrar um pouco de pensamento onde passa um fluxo tonitruante de informação.” (da p. 13)


«Fabrice d’Almeida é especialista em história da propaganda pela imagem e director do “Institut d’Histoire du Temps Présent” de Paris. Esta condição é essencial para se compreender melhor o seu interesse por um tempo curto, extremamente próximo do nosso, que pode parecer de uma quase impossível materialização histórica. Mas é justamente esse o seu desafio na Breve História do Século XXI: num texto arrojado, d’Almeida parte de alguns acontecimentos relevantes da segunda metade do século de Novecentos para mostrar de que maneira passámos de facto, sem que para tal fosse necessária a intervenção simbólica introduzida pela viragem de milénio, de uma época para outra.
O livro apresenta-se como um primeiro ensaio de história geral do século XXI, construído a partir de algumas questões simples que orientam o trabalho do autor: quando e como acabou o século passado?, em que preciso
momento começou realmente um novo?, de que forma pode o historiador trabalhar já sobre este, com que fontes e seguindo que métodos? Para responder ao desafio, procede então a uma revisão da nossa forma de observar o mundo, insistindo em como é preciso desviar o olhar do trágico século XX, que tanto pesa ainda nas nossas consciências, contornando a parasitagem mediática e procurando em todos os documentos possíveis, incluindo-se nestes os mais anódinos, as novas matrizes e os renovados paradigmas que estão já a penetrar a nossa forma de olhar o mundo e de reflectir sobre ele.» (Rui Bebiano)



Henriqueta, a Tartaruga de Darwin
Autor: José Jorge Letria
Editora
: Texto Editores
Ano: 2009
Género: Literatura Juvenil

O autor:
José Jorge Letria nasceu em Cascais, em 1951.
Foi escritor, jornalista e cantor-autor português. Frequentou os cursos de História e de Direito, em Lisboa, com uma pós-graduação em Jornalismo Internacional. Iniciou-se no jornalismo no Diário de Lisboa e trabalhando depois em diversos outros jornais. Em 1993, foi eleito vereador do pelouro da cultura da Câmara Municipal de Cascais, onde esteve até 2002.
Como poeta ou ensaísta, romancista ou compositor musical, em todas estas facetas revela o seu apurado sentido estético e singular estilo narrativo.
É hoje um dos maiores nomes da nossa literatura. Com quase duzentos trabalhos publicados, é dos autores portugueses mais traduzidos de sempre.
Tem publicado obras de diversos géneros literários, como poesia, peças de teatro, ensaios, aforismos, ficção, mas são as obras infantis que constituem a grande parte da sua obra literária.
A sua obra tem sido premiada, nomeadamente na área de poesia, como o “Prix International des Arts et des Lettres”. Entre outros prémios, recebeu o Prémio Gulbenkian para o Melhor Texto de Literatura para Crianças e o Prémio Ferreira de Castro (3 vezes).
É, desde Setembro de 2003, vice-presidente e administrador da Sociedade Portuguesa de Autores.

A obra:
Na altura em que se comemora o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, a sua história vem-nos contada por uma
tartaruga centenária.
Este livro dá a conhecer às crianças a vida e a obra do famoso naturalista inglês, pela voz de uma tartaruga centenária das Ilhas Galápagos, que em tempos, Darwin encontrara nas ilhas Galápagos.
A partir da leitura dos relatos de Henriqueta, é possível descobrir como foi que Charles Darwin chegou às fantásticas conclusões que mudaram a nossa forma de olhar para a evolução das espécies e que estão na base de “A Teoria da Evolução das Espécies”, concebida pelo cientista.A sua obra A Origem das Espécies foi publicada, pela primeira vez, faz agora 150 anos.

Galápagos mantêm viva a memória de Darwin
O naturalista inglês Charles Darwin tinha apenas 25 anos quando, a bordo do navio H.M.S. Beagle da Marinha britânica, desembarcou no arquipélago de Galápagos, a mil quilómetros da costa equatoriana. O ano era 1835. Passou por aqui apenas cinco semanas e visitou apenas quatro ilhas: São Cristóvão, Floreana, Isabela e Santiago. Conversou com locais — na época 200 ou 300 pessoas enviadas a Galápagos quando cometiam crimes no Equador —, colectou espécies de plantas e animais, fez anotações, impressionou-se com as características diferentes de cada uma das ilhas.
Darwin voltou para a Inglaterra, onde passou anos estudando até publicar “A origem das espécies”, muitos anos depois, em 1859, com sua revolucionária Teoria da Evolução. Mas, se Darwin passou tão pouco tempo em Galápagos e o estudo sobre as ilhas resulta em somente 1% do conteúdo de “A origem das espécies”, porque o arquipélago é, até hoje, conhecido como o principal motivador do darwinismo?

— Porque a qualidade do que Darwin viu em Galápagos foi imensa. E o melhor, diferentemente do que muita gente pensa, ele não percebeu isso enquanto estava lá e sim anos depois - diz ao GLOBO Frank Sulloway, historiador da ciência da Universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA.

Sulloway é considerado um dos maiores especialistas em Darwin da actualidade, e a relação do naturalista com as ilhas é sua área de maior interesse. O pesquisador americano acaba de concluir sua 11ª visita às ilhas, onde não apenas refez (muitas vezes) a rota de Darwin como outras viagens, conhecendo locais onde o naturalista não foi — como o extremo-norte do arquipélago onde está a ilha Darwin, homenagem mais do que justa àquele que impulsionou Galápagos ao
status que tem até hoje, de “laboratório vivo da evolução”.
Sulloway explica que Galápagos foi determinante para Darwin especialmente por dois motivos: tentilhões e tartarugas gigantes. Foi em Galápagos que Darwin percebeu que o bico dos pássaros era adaptado para funções específicas, como a quebra de sementes. A partir daí, esboçou parte importante de sua teoria, de que as estruturas análogas evoluem para se adaptar ao meio ambiente. Os habitantes de Galápagos também falaram para o naturalista que as tartarugas gigantes eram diferentes em cada ilha.

— Na época, ele não deu muita atenção para isso, mas depois, ao pesquisar mais, viu em suas anotações sobre as tartarugas, e exemplares delas que levou para a Inglaterra, a base para a percepção da diferenciação das espécies - explica o historiador americano.
Darwin também analisou o solo, colectou plantas, insectos e percebeu como o meio ambiente de Galápagos é único, por causa da formação geológica em si, e pelo isolamento das ilhas do continente. Em seu diário sobre a viagem do Beagle, escreveu: “A história natural dessas ilhas é certamente curiosa, e merece atenção. A maioria das produções orgânicas são criações nativas não encontradas em nenhum outro lugar.”

— As muitas vezes em que segui os passos de Darwin vi por que Galápagos desempenhou papel tão importante em sua mente. Foi ali que ele percebeu que são os longos períodos de selecção natural, os responsáveis pela diversidade das espécies ao nosso redor, que sempre tiveram que lutar pela sobrevivência. É aquela famosa frase: “não são os mais fortes que sobrevivem, e sim os que têm maior capacidade de adaptação” - conta Sulloway (do jornal
O Globo)

Evolucionismo, uma teoria ainda mal interpretada.
A teoria evolucionista é fruto de um conjunto de pesquisas, ainda em desenvolvimento, iniciadas pelo legado deixado pelo cientista inglês Charles Robert Darwin. Em suas pesquisas, ocorridas no século XIX, Darwin procurou estabelecer um estudo comparativo entre espécies aparentadas que viviam em diferentes regiões. Além disso, ele percebeu a existência de semelhanças entre os animais vivos e em extinção.

A partir daí, ele concluiu que as características biológicas dos seres vivos passam por um processo dinâmico onde, factores de ordem natural, seriam responsáveis por modificar os organismos vivos. Ao mesmo tempo, ele levantou a ideia de que os organismos vivos estão em constante concorrência e, a partir dela, somente os seres melhores preparados às condições ambientais impostas poderiam sobreviver.

Contando com tais premissas, ele afirmou que o homem e o macaco teriam uma mesma ascendência a partir da qual as duas espécies se desenvolveram. Contudo, isso não quer dizer, conforme muitos afirmam, que Darwin supôs que o homem é um descendente do macaco. Em sua obra, A Origem das Espécies, ele sugere que o homem e o macaco, devido às suas semelhanças biológicas, teriam um mesmo ascendente em comum.

A partir da afirmação de Charles Darwin, vários membros da comunidade científica, ao longo dos anos, lançaram-se ao desafio de reconstituir todas as espécies que antecederam o homem contemporâneo. Entre as diferentes espécies catalogadas, a escala evolutiva do homem se inicia nos Hominídeos, com mais de quatro milhões de anos.

Logo depois, o
Homo habilis (2,4 – 1,5 milhões de anos) e o Homo erectus (1,8 – 300 mil anos) compõem a fase intermediária da evolução humana. Por fim, o Homo sapiens neanderthalensis, com cerca de 230 à 30 mil anos de existência, antecede ao Homo sapiens, surgido à cerca de 120 mil anos, que corresponde ao homem com suas características actuais.

Mesmo cercada por uma larga série de indícios materiais sobre as transformações da espécie humana, a teoria evolucionista não é uma tese comprovada por inteiro. O chamado “Elo Perdido”, capaz de remontar completamente a trajectória do homem e seu primata original, é uma incógnita ainda sem resposta. (Rainier Sousa – Equipe Grasil Escola)


Nota – Recomendamos a exposição “A evolução de Darwin”, inaugurada esta semana na Gulbenkian, em Lisboa. Embarca-se num longo percurso da evolução da natureza através dos últimos séculos, até chegar aos dias de hoje, à dupla hélice de ADN, à descoberta do código genético. Tudo feito com mestria, com animais vivos e vídeos.
A não perder, jovens e adultos de todas as idades. Só estará até 24 de Maio; depois a expsição vai andar em digressão e só volta em 2011.




Quando escreve descalça-se

Autor: Miguel Manso

Editora: Trama
Ano: 2008
Género: Poesia

O autor:
Miguel Manso nasceu em Santarém em 1979 e vive em Lisboa. Este é o seu segundo livro, depois de ter publicado Contra a manhã burra, em Maio de 2008.
Entre os críticos literários, há quem afirme ser uma “das mais interessantes vozes poéticas”, e “um dos mais sólidos poetas revelados em Portugal na última década”.
António Guerreiro, no Expresso de Dezembro passado, escrevia «Miguel-Manso, por sua vez, com dois livros publicados este ano, é a mais segura revelação no campo da poesia»
.
Esta semana, no mesmo jornal, Manuel de Freitas, diz: «…o que importa assinalar é que o segundo livro de M. M. vem fortalecer as promessas de inquietação contidas no seu título de estreia. Acentua-se pois um apaixonado desencantamento para com a poesia, como se pode ler em “Poemeto”.
(…)
a poesia é aquilo que neste
desalinho todo se apresenta
tão exacto como a morte

Por ironia ou por auto-sabotagem uma página depois, é referido o “erro juvenil” de “fechar um poema com a palavra morte”».
O suplemento do jornal dedica-lhe uma página inteira com a sua foto, e uma outra preenchida com a crítica, ou melhor, com informações da sua vida particular.

Quando a crise se instala, chega a todo o lado. Mas o importante de facto é não abdicarmos da “mais absoluta liberdade de escolha”, como acima refere Richard Bach (um escritor americano do século passado). No nosso caso, liberdade para quem queira escrever, liberdade para quem queira fazer crítica, liberdade para quem queira ler…

A obra:
Inserimos alguns dos seus poemetos, sem quaisquer comentários:

POEMETO

O paradoxo de fermi
a hipótese da terra rara
o poeta trabalha com o que tem

um muro com hortênsias
ao fim da tarde um punhado de
estrelas sobre a baía

ainda assim
a poesia é aquilo que neste
desalinho todo se apresenta

tão exacto como a morte


CADERNO DO PORTO VELHO

escrevo o espaço que vai das
tuas mãos ao renque de alfazemas
sombra aprendida em aromáticos versos

desconheço ainda esta cidade
depois de tantos anos
mas aprecio

pela tarde o lento rir das áleas
avenidas de timbre meridional
casas onde ainda se pode descascar a fruta

atirar a casca para um alguidar partido
e onde na trégua do calor maior as crianças costeiras
tomam o alcatrão das ruas a areia das praias

rompem este silêncio de vagar portuário
de palavras como ruína que envolvem
o sentido do que escrevo

as tuas mãos ou o espaço que vai das
tuas mãos ao renque de alfazemas


O PREC EM 2008

o deus Silêncio ostenta as Inumeráveis
águas nesta apertada livraria de Lisboa
também ainda o primeiro título (poesia) de Manuel
António Pina em ano de revolução que

nesse tempo eram mesmo
a sério as revoluções e podíamos acrescentar-lhes pela rua
o nosso carme as madrugadas flores

agora um amigo diz-me: "esta
revolução não dá um passo!"

concedo, mas não desisto

incorro em certos delicados actos de guerrilha
por exemplo deixo poemas em cafés ou em pequenas
livrarias que ainda apoiam em segredo esta causa

revolucionária
depois mando as coordenadas sigilosas à amada
que no dia seguinte quase sempre
pela tarde os vai buscar






101 Heróis – As aventuras dos maiores ídolos da Humanidade

Autor:Simon Sebag Montefiore

Editora: Guerra & Paz
Ano: 2008
Género: História

O autor:
Nasceu em 1965, em Inglaterra, numa família de banqueiros.
Teve uma breve passagem pelo jornalismo, tendo passado a maior parte dos anos 90 a percorrer o ex-Império Soviético, em particular o Cáucaso, a Ucrânia e a Ásia Central, e escreveu abundantemente sobre a Rússia, sobretudo para o Sunday Times, o New York Times e a Spectator.
Só no início deste século é que o seu nome se tornou uma referência na disciplina que estudou em Cambridge: História. Três livros de temática russa – Catherine the Great & Potemkin (2000), Stalin: The Court of the Red Tsar (2003) e Young Stalin (2007) – trouxeram-lhe reconhecimento crítico, vários prémios e o estatuto de figura emergente no meio cultural britânico.
Membro da “Royal Society of Literature”, autor de dois romances e apresentador de documentários televisivos, vive em Londres com a mulher, a romancista Santa Montefiore, e os dois filhos do casal.

A obra:
O livro resulta de uma selecção feita pelo autor dos heróis e heroínas da história mundial. Guerreiros e imperatrizes, estadistas e espiões, profetas e conquistadores ombreiam com cientistas e poetas, exploradores e artistas, filósofos e actrizes ao longo de três milénios. Uns são muito familiares, outros não tanto.

«A ideia original do projecto era oferecer exemplos de grandeza que iluminem uma “era não-heróica”. A nossa, claro. Na introdução, SSM aponta o dedo: ”O heroísmo está fora de moda. Ignoramos os verdadeiros heróis e propagandeamos, em vez deles, ídolos sem valor.” É então à procura dos “verdadeiros heróis” que este livro parte. Ou seja, dos homens e mulheres que souberam, ao longo da História, aliar “a coragem, a tolerância e o altruísmo” à defesa dos mais fracos e da liberdade.
Embora seja discutível que algumas destas virtudes estejam presentes em muitas das figuras escolhidas, a lista alterna entre as propostas óbvias (Leónidas de Esparta, Joana d’Arc, Fernão de Magalhães, Newton, Florence Nightingale, Gandhi, Churchill, Schindler ou Mandela), as que surpreendem (Safo, Casanova, Tchaikovski, Toulouse-Lautrec, Proust, Marechal Jukov) e as que resgatam histórias menos conhecidas (Lady Hester Stanhope, Toussain Louverture, Odette Sansom).
Num projecto desta natureza, há sempre ausências difíceis de justificar, embora algumas sejam mais difíceis de justificar do que outras. Por exemplo, de Spartacus nem se ouve falar, mas os fundadores de religiões, que dificilmente encaixam na definição de herói, estão lá todos (Buda, Confúcio, Jesus, Maomé). Como é que se inclui Elvis Presley e não Neil Armstrong, o Capitão James Cook e não Simon Bolívar? Pior: como é que se escolhe o arquitecto renascentista Brunelleschi e se esquece Leonardo da Vinci?
A principal limitação deste volume, porém, está no facto de Montefiore olhar para a História a partir de Inglaterra, o que minimiza o alcance da sua panorâmica. Dos 101 heróis escolhidos, 27 são britânicos (mais de um quarto), seguidos de longe pelos franceses (11), pelos norte-americanos (nove) e pelos gregos (seis), sendo que estes últimos só se safam porque houve uma coisa chamada Antiguidade Clássica.
O enviesamento ideológico é também evidente. Fora Garibaldi, não há qualquer revolucionário na lista. E as figuras de esquerda contam-se pelos dedos. Já políticos conservadores não faltam, incluindo Margaret Thatcher (sim, a Dama de Ferro que “quebrou o poder dos sindicatos”), de quem Montefiore traça um perfil desavergonhadamente hagiográfico.»
(da revista
Ler)






Sinto muito

Autor:Nuno Lobo Antunes

Editora: Verso da Kapa
Ano: 2008
Género: Memórias

O autor:
Nuno Lobo Antunes é o quinto de seis irmãos. Nasceu no dia 10 de Maio de 1954. Seguindo as pisadas do pai, tirou o curso de Medicina e especializou-se em Neurologia Pediátrica. Começou a exercer em 1977, nos Hospitais Civis de Lisboa. E oito anos depois foi para os Estados Unidos. Aí continuou a sua formação, no Instituto Neurológico da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.
Regressou a Portugal em 1989, tornando-se Assistente Hospitalar de Pediatria no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Mas a ligação aos Estados Unidos manteve-se e alguns anos depois atravessou de novo o Atlântico. Investigador, médico e professor universitário, dedicou-se, nessa altura, de corpo e alma ao estudo do cancro em crianças.
Mas, a Neuropediatria sempre foi a sua grande paixão.
Hoje é consultor de Neurologia Pediátrica no IPO de Lisboa e consultor de Neuropediatria no Hospital Amadora-Sintra.desde 2003 um grande projecto entre mãos: é director clínico do CADIn, o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil. Trata-se de um centro criado para ajudar as crianças com problemas de desenvolvimento e as suas famílias.
Disse um dia que “um projecto desta natureza constitui a razão de ser duma vida profissional” e que pretende “construir o melhor centro de Desenvolvimento da Europa ou até do mundo”.

A obra:

É um livro de memórias e de confissões de um neuro-oncologista pediátrico e hoje neurologista, sobre doenças de défice de atenção. Uma reflexão sentida sobre aquilo por que muitas pessoas têm que passar ao longo da vida ou já no fim dela.
Um médico que, texto a texto, rememoria doentes que perdeu e a luta destes.

De recensões:
«
Sinto muito é sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, mas recompensa-o grandemente, tornando-o mais leve e melhor. Nuno Lobo Antunes pretende, com bom propósito e bons resultados, deixar que o seu coração se pronuncie, que se liberte a sua voz, que seja conhecida a sua humanidade. E, na verdade, a alma fala.
Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito.
Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba.
O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda. O médico provoca o Criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.»

«Não é fácil combinar objectividade clínica com sensibilidade artística. Este e outros textos do livro, que remetem tantas vezes para a morte e que revelam uma sensibilidade extraordinária, fazem-nos pensar no valor incalculável da vida, na sorte em que temos de estar aqui e agora, eu a escrever, os meus leitores de jornal na mão, num fim-de-semana banhado de sol e de luz.»

«Os 44 textos reunidos em
Sinto Muito formam um bloco coeso, tendo por fio condutor as mil histórias da vida de um médico que escolheu a pediatria “porque gostava do aristocrata dos pediatras do [seu] tempo” (a neurologia já era tradição na família). Escrito no tom compassivo de quem acredita nas grandes palavras, “fé, amor, vergonha, coragem”, não admira que estas memórias de Nuno Lobo Antunes cativem tantos leitores.»





Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português
Autor (Coordenador): Fernando Cabral Martins

Editora: Caminho
Ano: 2008
Género: Literatura

O autor:
Nasceu a 4 de Fevereiro de 1950.

Licenciado em Literaturas Românicas e Mestre em Literatura Francesa, com uma tese sobre Alfred Jarry e o Simbolismo, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Doutor em Literatura Portuguesa, com uma tese sobre Mário de Sá-Carneiro e o Modernismo literário, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Professor de Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea no Departamento de Línguas e Literaturas Românicas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.
Principal área científica de investigação: literatura e cultura portuguesas dos séculos XIX e XX.
Tem cerca de três dezenas de livros publicados, nos campos do Ensaio, Antologia, Ficção e da Tradução.

A obra:
Ao coordenar o Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, Fernando Cabral Martins quis fazer um mapa, uma “panorâmica” do estado actual das leituras críticas sobre o autor de Mensagem, devidamente enquadradas no contexto do seu tempo, “mas um mapa em que se encontram surpresas, coisas que não se estava à espera de descobrir”.
Ao longo de quase mil páginas e mais de 600 verbetes, que começam com a análise do poema “À memória do Presidente - Rei Sidónio Pais” e terminam na comparação entre os versos de Alberto Caeiro e a poesia Zen, os mais atentos descobrirão, no manancial de factos e teses já conhecidas, algumas novidades. “Certos colaboradores, para aprofundarem os temas que tratavam, foram investigar directamente no espólio de Pessoa, guardado na Biblioteca Nacional. E assim surgiu informação nova, fruto do trabalho feito para este projecto”, garante Cabral Martins.
Mais do que uma enciclopédia definitiva, o professor de Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa quis fazer um ponto da situação. “Limitei-me a dar conta do que existe. O Dicionário sintetiza o saber acumulado após décadas de estudo e discussão sobre a obra de Pessoa. E nós precisamos de sínteses para fazer avançar o conhecimento.”
A ideia inicial era fazer simplesmente um dicionário do Modernismo português. Para isso, convinha desde logo definir com clareza as fronteiras de um movimento que “pode ir de 1890 até 1960”, o que se revelou “muito difícil”. A resolução do impasse nasceu de uma proposta de Zeferino Coelho: “Ele sugeriu que fizéssemos um dicionário só sobre Pessoa, uma ideia de editor, mas depois, em conversa, verificámos que os dois caminhos se podiam fundir. Aliás, nem podia ser de outra maneira. Não é possível falar de Pessoa sem o integrar no contexto modernista e também não é possível falar do Modernismo sem abordar Pessoa.”
Tendo como vago modelo um dicionário dedicado a Proust, Cabral Martins procurou ser “o mais inclusivo possível”, integrando as várias correntes pessoanas e abrindo o leque de participação a investigadores estrangeiros. Entre os 90 colaboradores, encontram-se vários ingleses e franceses, além de uma dezena de brasileiros, porque “há muito mais trabalho feito no Brasil sobre Pessoa do que em Portugal”. Os estudos pessoanos, de resto, estão hoje cada vez mais internacionalizados.
“Há umas semanas, estive em Jerusalém num congresso sobre Pessoa e fiquei surpreendido com os conhecimentos profundos dos literatos e tradutores judaicos.”
Para um dicionário com estas características, o tempo de concretização foi invulgarmente rápido: dois anos. “Havia aqui um carácter de urgência, porque a obra de Pessoa, ao contrário do que acontece nos casos de Garrett ou Camões, por exemplo, não está ainda inteiramente sedimentada. Se o dicionário demorasse muito tempo a sair, alguns artigos arriscavam-se a ficar desactualizados.”
Agora que o livro já está à venda, Fernando Cabral Martins diz-se satisfeito com o resultado final: “Eu esforcei-me no sentido de pôr tudo, mesmo sabendo que isso era impossível. Um trabalho destes é por natureza incompleto, mas não creio que falte um único dos aspectos fundamentais da obra pessoana.” Fora deste núcleo duro, porém, haverá sempre detalhes a melhorar. “Admito, por exemplo, que o compositor Luís de Freitas Branco, apesar de citado várias vezes, merecia um verbete autónomo.”
Sem prescindir do rigor, o dicionário pretende chegar a toda a gente. “Eis a equação mais difícil: escrever com o máximo de exigência, não deixando de ser acessível.” Isto é, pensar ao mesmo tempo no leigo e no académico, em quem não sabe nada sobre Pessoa e em quem sabe (quase) tudo. Alguns verbetes são apenas súmulas, mas outros vão tornar-se textos de referência, acredita Cabral Martins. “Não olho para o dicionário apenas como um instrumento útil para os outros, mas também como algo que já foi e vai ser útil para o meu próprio trabalho de investigação.”
[Texto publicado no
Expresso]






A Espuma do Tempo. Memórias do Tempo de Vésperas
Autor: Adriano Moreira

Editora: Almedina
Ano: 2008
Género: Memórias políticas

O autor: Adriano José Alves Moreira nasceu em Grijó de Macedo de Cavaleiros, em 6 de Setembro de 1922.
Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa em 1944, ingressou no corpo docente da Escola Superior Colonial, que transformou no actual Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, onde autonomizou o ensino da Ciência Política, das Relações Internacionais e da Estratégia. Foi ali Director durante doze anos, e depois Presidente do Conselho Científico até à jubilação. É Doutor por aquele Instituto e Doutor em Direito pela Universidade Complutense de Madrid.
Professor de Relações Internacionais, durante cerca de quarenta anos, no Instituto Superior Naval de Guerra, da Escola de Comandos e Estado Maior e da Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde organizou o Instituto de Relações Internacionais e Direito Comparado (IRICO).
Professor da Universidade Católica Portuguesa.
Professor Emérito da Universidade Técnica de Lisboa.
Doutor
Honoris Causa pelas Universidades Aberta, da Beira Interior, Manaus, Brasília, S. Paulo, Rio de Janeiro.
É membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia de Marinha, da Academia de Ciencias Morales y Politicas de Madrid e da Academia Portuguesa da História.
Foi Ministro do Ultramar entre 1961-1963, criando os Estudos Gerais Universitários de Lourenço Marques (Maputo) e Luanda.
Foi deputado desde 1979 e Vice-Presidente da Assembleia da República entre 1991-1995, deixando então a vida política.
Foi Curador da Fundação Oriente, e é Curador da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro.

Obras principais: Direito Corporativo, Lx., 1950; Política Ultramarina, Lx., 1956; Portugal e o Artigo 73 da Carta das Nações Unidas, Lx., 1957; A Jurisdição Interna e o Problema do Voto na O.N.U., 1958; Estudos Jurídicos, Lx., 1960; A Batalha da Esperança, Lx., 1962; Partido Português, Lx., 1963; Ensaio, Lx., 1964; Ideologias Política, Lx., 1964; Os Fins do Estado, Lx., 1968; O Tempo dos Outros, Lx., 1968; Sistemas Políticos da Conjuntura, Lx., 1968; Política Internacional, Porto, 1970; Tempo de Vésperas, Lx., 1971; A Europa em Formação, Lisboa, 1974, Saneamento Nacional, Lx., 1976; A Comunidade Internacional em Mudança, S. Paulo, 1976; O Drama de Timor, Lx., 1977; O Novíssimo Príncipe, Lx., 1977; A Nação Abandonada, Lx., 1977; Legado Político do Ocidente (Colaboração), S. Paulo, 1978; Ciência Política, Lisboa, 1979; Direito Internacional Público, Lx., 1983; Comentários, Lx., 1989; Ciência Política, Lx., 1979; Teoria das Relações Internacionais, Coimbra, 1996; Notas do Tempo Perdido, Matosinhos, 1996; Teoria das Relações Internacionais, Coimbra, 1996.

A obra:
«No livro, Adriano Moreira faz uma retrospectiva do tempo em que assumiu a pasta de ministro do Ultramar do regime de Salazar. No entanto, diz o autor que o livro “não desvenda as decisões que tomei”, mas deixa bem patente o que Adriano Moreira considera que foi mais importante em todo o processo. “Como projecto que teve de ser interrompido, é bom que fique alguma notícia dos esforços. Sobretudo é uma homenagem às pessoas que viveram essa época tão difícil, aos que morreram, aos que ficaram diminuídos e aos que tiveram que regressar”.
Adriano Moreira foi dos únicos ministros de Salazar que transitou sem problemas para o regime democrático. Enquanto chefiou o ministério do Ultramar, de 1961 a 1963, introduziu medidas como a revogação do Estatuto dos Indígenas, o fim do trabalho forçado, o fim das culturas obrigatórios, ou um novo código do Trabalho Rural.
No entanto, depois do 25 de Abril de 1974, por ter colaborado com o regime salazarista, seria obrigado a exilar-se no Brasil. Sobre isso fala “Espuma dos Tempos”, embora não seja um livro de intervenção política: “é apenas aquilo que ficou na minha memória com valorações, que todos nós fazemos, mas procurei que correspondesse exactamente aquilo que é a minha percepção de como as coisas se passaram”.


Índice: I – Uma Simples Carta (Abril de 1974), II – A Vida Habitual, III – O Toque dos Clarins, IV – Entre o Tempo Ganho e o Tempo Perdido, V – O Tempo Íntimo, VI – O Dobrar dos Sinos




As Mais Belas Histórias Portuguesas de Natal

Autor: Vasco Graça Moura

Editora: Quetzal
Ano: 2008 (nova edição, aumentada)
Género: Colectânea de contos

O autor: (ver biografia numa das semanas anteriores)

A obra:

Trata-se de um conjunto de contos seleccionados por Vasco Graça Moura. Agora reeditado, com novas histórias.
Textos de Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, José Maria de Andrade Ferreira, Dom João da Câmara, Abel Acácio Almeida Botelho, Fialho de Almeida, Brito Camacho, Raul Brandão, Júlio Brandão, Carlos Malheiro Dias, Aquilino Ribeiro, Pina de Morais, Ferreira de Castro, João Araújo Correia, Vitorino Nemésio, José Régio, José Rodrigues Miguéis, Tomás de Figueiredo, João Gaspar Simões, Domingos Monteiro, Miguel Torga, Manuel da Fonseca, Alves Redol, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Namora, Jorge de Sena, Maria Judite de Carvalho, Natália Nunes, José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Alexandre O’Neill, Maria Ondina Braga, Isabel da Nóbrega, Graça Pina de Morais, Altino do Tojal e José Eduardo Agualusa.

«Como é natural, as referências ao Natal na nossa literatura começam por registos de uma intensa devoção e só muito mais tarde se preocupam com a transposição da celebração religiosa e do seu sentido transcendente para o plano civil de uma comunhão festiva, familiar e universal, necessariamente ligada à ideia de paz na terra e reconciliação entre os homens. É na poesia e no teatro que desponta literariamente aquela exaltação religiosa, com Mestre André Dias (1348-1437) e depois nalguns autos vicentinos de devoção, para não mais parar, até ao nosso tempo: no Maneirismo, no Barroco, no Romantismo e daí por diante, até hoje.
(…) não escondo a minha preferência muito pessoal por quatro deles, que me parecem verdadeiras obras-primas:
O suave milagre, de Eça de Queiroz, A noite que fora de Natal, de Jorge de Sena, Três reis do Oriente, de Sophia de Mello Breyner Andersen e Exercícios de auto-apoucamento, de Alexandre O’Neill.» (Vasco Graça Moura, na Introdução ao livro).



A Faca não corta o Fogo
Autor: Helberto Hélder
Editora: Assírio & Alvim
Ano: 2008
Género: Poesia

O autor:
Poeta discreto, poeta-lenda como alguns lhe chamam, pelo facto de não dar entrevistas (a última foi em 1968), nem aceitar honrarias públicas, como foi a recusa do Prémio Pessoa em 1994, o maior galardão literário português. Fotografias conhecem-se duas ou três: barbudo, de ar sério. “Meu Deus, faz com que eu seja sempre um poeta obscuro”, escrevia ele em 1963. Publica agora este livro, após uma década e meia de silêncio.
Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasceu a 23 de Novembro de 1930 no Funchal, no seio de uma família de origem judaica. Em 1948, matricula-se na Faculdade de Direito de Coimbra e, no ano seguinte, muda para a Faculdade de Letras onde frequenta, durante três anos, o curso de Filologia Romântica, não tendo terminado o curso. Trabalha durante algum tempo na Caixa Geral de Depósitos e depois como angariador de publicidade.

Em 1954, data da publicação do seu primeiro poema em Coimbra, regressa à Madeira onde trabalha como meteorologista. Em 1955 regressa a Lisboa e três anos mais tarde, em 1958, publica o seu primeiro livro, O Amor em Visita. Durante os anos que se seguiram vive em França, Holanda e Bélgica, países nos quais exerce profissões pobres e marginais.
Repatriado em 1960, torna-se encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, percorrendo as vilas e aldeias do Baixo Alentejo, Beira Alta e Ribatejo. Nos dois anos seguintes publica os livros
A Colher na Boca, Poemacto e Lugar.
Em 1963 começa a trabalhar para a Emissora Nacional com redactor de noticiário internacional. Nessa altura ganha notoriedade com a publicação de
Os Passos em Volta, prosa poética.
Em 1964 participa na organização da revista Poesia Experimental, escreve «Comunicação Académica» e publica Electronicolírica. Em 1966 participa na co-organização do segundo número da revista Poesia Experimental e no ano seguinte publica Húmus, Retrato em Movimento e Ofício Cantante.
Data de 1968 a sua participação na publicação de um livro sobre o Marquês de Sade, o que o leva a ser envolvido num processo judicial em que é condenado. Porém, devido às repercussões deste episódio consegue obter suspensão de pena, facto este que não conseguiu evitar que fosse despedido da Rádio e da Televisão portuguesas. Refugia-se na publicidade e, posteriormente, numa editora onde desempenha o cargo de co-gerente e director literário. Ainda nesse ano publica os livros
Apresentação do Rosto, que foi suspenso pela censura, O Bebedor Nocturno e ainda Kodak e Cinco Canções Lacunares.
Em 1970 viaja por Espanha, França, Bélgica, Holanda e Dinamarca, publicando nesse ano a terceira edição de
Os Passos em Volta e escreve Os Brancos Arquipélagos. Em 1971 desloca-se para Angola onde trabalha como redactor numa revista. Enquanto repórter de guerra é vítima de um grave desastre tendo que ser hospitalizado durante três meses. Data ainda desse ano a publicação de Vocação Animal e a produção de Antropofagias. Regressa a Lisboa e parte de novo, desta vez para os E.U.A., em 1973, ano durante o qual publica Poesia Toda, obra que contém toda a sua produção poética, e faz uma tentativa frustrada de publicar Prosa Toda.
Em 1976, Herberto Helder participa na edição e organização da revista
Nova que, sendo posterior à revolução de 25 de Abril de 1974, reconhecia na literatura portuguesa características que a aproximaram às latino-americana, africana e espanhola, declinando uma direcção literária revolucionária cuja actividade não ultrapassou o plano teórico devido à instabilidade política portuguesa que se fazia sentir na altura. Nos anos que se seguiram publicou as obras Cobra, O Corpo, O Luxo, A Obra e Photomaton e Vox.
Em 2007, o Pen Clube indica-o para o Nobel da Literatura.
A última referência encontrada de Herberto Helder referia-se ao facto de o poeta ter abandonado todas as suas anteriores actividades e de viver no mais cioso dos anonimatos, residindo em Lisboa, com a mulher, Olga.
Da sua poesia, escreveu o crítico literário Jorge Henrique Bastos, em 2000, que o poeta "impulsiona a viva encantação das palavras [e que] o abalo que a sua poesia provoca é um dos mais profundos que a literatura de língua portuguesa já sofreu".


A obra:
O livro, com 107 páginas de poesia, compreende duas partes, uma com poemas antigos, outra com inéditos. Observe-se que, desta sua edição de 3000 exemplares, esgotou-se de imediato no armazém da editora.
Três poemas inéditos ali inseridos:


a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação
¿e se me tocam na boca?
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,
o último,
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,
papel de seda que a rútila força lírica rompa,
um arrepio dentro dele,
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,
e assim a mão escrita se depura,
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,
manchas ultravioletas a arder através do filme,
leve poema técnico e trémulo,
linhas e linhas,
línguas,
obra-prima do êxtase das línguas,
tudo movido virgem,
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento
¿tenho acaso no nome o inominável?
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,
nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,
mas com grandes mãos, e eu brilhei,
o meu nome brilhou entrando na frase inconsútil,
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?
fora? dentro?
no aparte,
no mais vidrado,
no avêsso,
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,
fibra lavrada sangrando,
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica
como alma: plenitude,
através de um truque:
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,
poema trabalhado a energia alternativa,
a fervor e ofício,
enquanto a morte come onde me pode a vida toda

* *

aparas gregas de mármore em redor da cabeça,
torso, ilhargas, membros e nos membros,
rótulas, unhas,
irrompem da água escarpada,
o vídeo funciona,
água para trás, crua, das minas,
tu próprio crias peso e leveza,
luz própria,
levanta-os com o corpo,
cria com o corpo a tua própria gramática,
o mundo nasce do vídeo, o caos do mundo, beltà, jubilação, abalo,
que Deus funciona na sua glória electrónica

* *

rosto de osso, cabelo rude, boca agra,
e tão escuro em baixo até em
cima a linha
de ignição das pupilas
¿em que te hás-de tornar, em que nome, com que
potência e inclinação de cabeça?
o rosto muito, o ofício turvo, o génio, o jogo,
as mãos inexplicáveis,
a luz nas mãos faz raiar os dedos,
que a luz se desenvolva,
e a madeira se enrole sobre si mesma e teça e esconda a obra
e retorne e abra e mostre então
a abundância intrínseca,
porque se eriça num arrepio e se alvoroça
o espaço, e brilha quando,
no dia global,
espacial, no visível,
o caos alimenta a ordem estilística:
iluminação,
razão de obra de dentro para fora
- mais um estio até que a força da fruta remate a forma


A Morte de Carlos Gardel
Autor: António Lobo Antunes
Editora: Dom Quixote
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria, tendo exercido durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra.
Em 1979 publicou os seus primeiros livros, "Memória de Elefante" e "Os Cus de Judas", seguindo-se, em 1980, "Conhecimento do Inferno", livros marcadamente biográficos, e muito ligados ao contexto da guerra colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional.
Todo o seu trabalho literário, ao longo dos anos, tem sido objecto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e de vários prémios, nacionais, por exemplo, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa, e internacionais; entre estes, destacam-se o Prémio Europeu de Literatura (Áustria), o Prémio Ovídio (Roménia), o Prémio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prémio Rosalía de Castro (Galiza), o Prémio Jerusalém de Literatura, o Prémio Ibero-americano das Letras José Donoso e o Prémio Camões.
A obra: António Lobo Antunes, implacável, dá-nos a conhecer uma família e os que em seu torno gravitam, num retrato árido e cruel, que leva o leitor, pelo menos, a repensar as relações entre os homens num Portugal prestes a entrar no século XX.
Uma Lisboa marginal, decadente, que acolhe um pequeno universo com personagens que giram em torno da sua própria solidão e isolamento.
Um pai ingénuo que acredita que Gardel não morreu naquele acidente aéreo, e uma tia obstinada dirigem-se a um hospital para velar um jovem heroínomano em estado de coma.


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O Homem Lento
Autor: J. M. Coetzee
Editora:Dom Quixote
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: J. M. Coetzee nasceu na África do Sul, Cidade do Cabo, em 1940. Professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. Recebeu inúmeros prémios, entre os quais o Jerusalem Prize, o Lannan Literary Award for Fiction e o Commonwealth Writers Prize.
Em 2003 foi galardoado com o Prémio Nobel de Literatura.

A obra: Neste romance, Coetzee oferece-nos uma profunda meditação sobre o que faz de nós humanos e o que significa envelhecer, reflectindo no modo como vivemos as nossas vidas.
Como todas as grandes obras literárias, "O Homem Lento" levanta questões mas raramente oferece respostas.
Em consequência de um acidente, Paul Rayment altera a perspectiva que tem da vida e começa a dedicar-se ao género de preocupações universais que nos definem a todos: O que significa fazer o bem? O que é que nas nossas vidas é, em última análise, significativo? É mais importante que alguém nos ame ou que alguém se interesse por nós? Como definimos o local a que chamamos "casa"? Na sua voz lúcida e firme, Coetzee debate-se com estas problemáticas.
O resultado é uma história profundamente comovedora, sobre o amor e a mortalidade.


* * *

O Livro Perdido de Camões
Autora: Maria Coriel
Editora:Chá das Cinco
Ano: 2008
Género: Romance histórico

O autor: Nascida a 25 de Outubro de 1966, em Lisboa, a autora guarda da sua infância a memória da paisagem alentejana, da casa dos seus avós: os dias lentos, a paisagem elástica, o sol luminoso, os eucaliptos marcando o compasso do vento... Em Lisboa decorre o seu percurso académico, licenciando-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Portugueses.
A década de noventa marca a sua vida com o regresso ao Sul, desta vez, o Algarve, que adopta definitivamente como seu: o início da sua actividade profissional. Este tempo fica também marcado pelo encontro com a filosofia rosacrúcia e com a Fraternidade Rosacruz de Portugal onde continua, até hoje, os seus estudos. O seu interesse incide na tradição esotérica no Ocidente, cruzando-se, no entanto, com autores e tratados antigos de outras correntes.
Em 2005 inicia a vida literária. Depois de ter vivido um acontecimento peculiar, decide adoptar o pseudónimo da sua bisavó. Publica As Filhas da Lua e, em 2007, O Céu dentro de Nós.

A obra: Um romance espiritual sobre as aventuras do mais famoso poeta português.
Homem sofrido, guerreiro arrojado, poeta imortal, Luís de Camões não se limitou a cantar a alma portuguesa. Foi mais longe, e viveu-a. "O Livro Perdido de Camões" é a história dessa vida. Preso entre o que gostaria de ter feito, o que lhe foi possível fazer e o que os outros dele esperavam, Camões viveu entre dúvida e desejo, perda e desencanto, cumplicidade e amor, num agreste destino do qual foi inteiramente lúcido.
"Não foram as penas, o destrato dos homens, a indiferença das mulheres, os desencontros, a prisão, a morte dos amigos, a ingratidão da pátria, a falta de mãe que me envelheceram. O que me tornou velho foi ter deixado de sonhar. Desisti. E decidi morrer. Pérola embaciada no fio da minha história."


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A Criança em Ruínas
Autor: José Luís Peixoto
Editora: quasi Edições
Ano: 2008
Género: Poesia

O autor: Nasceu em 1974 em Galveias, Ponte de Sor, distrito de Portalegre. Em 2000 publicou "Morreste-me" (ficção) e "Nenhum Olhar" (romance), este último galardoado com o Prémio José Saramago 2001. Escreve para teatro e para cinema. Colabora com vários órgãos de imprensa escrita. "A Criança em Ruínas" é o seu primeiro livro de poesia a ser publicado.

A obra: Tendo como temática principal a nostalgia da "criança em ruínas", a obra reúne vários poemas de diferentes fases da vida do autor. A melancolia, os cenários de dor, os problemas existenciais e as inquietações estão presentes na maioria dos textos. A exorcização dos males do poeta surge precisamente pela escrita, pois o poema é "o último esconderijo da pureza". de uma estrela, de um parágrafo".


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A cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido
Autor:Paulo Borges
Editora:Zéfiro
Ano: 2008
Género: Filosofia

O autor: Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Presidente da União Budista Portuguesa, da Associação Agostinho da Silva e vice-presidente da Casa da Cultura do Tibete. Co-director da Revista Nova Águia e presidente do Movimento Internacional Lusófono.
Presidiu à Comissão das Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva. Sócio-fundador e membro da Direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Membro correspondente da Academia Brasileira de Filosofia.
Membro Fundador da APERel - Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões. Membro do Conselho de Direcção da Revista Lusófona de Ciência das Religiões.
Autor de dezenas de obras e de centenas de artigos publicados em Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Brasil.

A obra: Este livro é o diário de bordo da viagem instantânea e infinita entre o antes e o depois de haver alguma coisa. O diário da experiência do que se não pode dizer, com todas as suas potências e possibilidades, todos os deuses, demónios, labirintos e abismos, todos os sagazes vislumbres e furiosos arrebatamentos que se acoitam nisso a que se chama existência e vida. O surpreendê-lo na anulação da distância, na palavra súbita e mínima, incandescente ou transida do impossível que incarna.
"Na verdade, este livro não existe, nunca começou a ser escrito e nunca cessará de o ser. Porque quem o escreve não é só quem julgas, mas, simultaneamente, tu próprio e Todo o Mundo-Ninguém. Aqui dialoga a presença com a ausência, aqui ressoa a presença-ausência, aqui canta a Saudade. Pois em tudo irrompe o mesmo fundo sem fundo da universal metamorfose, a mesma serpente que a tudo abandona como peles da nudez que para além de si e de tudo se empluma.
Este livro é um dos seus rastos. Não tentes segui-lo, pois o que importa é que te libertes, dele, de tudo e de ti. Que agora mesmo te dispas e morras e, neste preciso instante e lugar, ressuscites proclamando a todas as coisas o seu e teu eterno Despertar."


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Viver com Fibromialgia
Autores: Maria Elisa Domingues e Jaime C. Branco
Editora:Gradiva
Ano: 2008
Género: Vida Prática (Saúde)

Os autores:
Maria Elisa Domingues
Nasceu em Lisboa. Onde ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde fez dois anos, ao mesmo tempo que frequentava o Curso de Teatro do Conservatório Nacional.
Entrou para a RTP. A monotonia da tarefa fá-la procurar algo mais interessante: parte para Paris, como bolseira, em 1974 e de novo em 1976, para estudar jornalismo no Centre de Formation des Journalistes.
Foi Directora de Programas da RTP aos 30 anos. Além de ter apresentado o Telejornal, concebeu e apresentou inúmeros programas de Informação na RTP, pelos quais recebeu diversos prémios.
Lançou e dirigiu a revista Marie Claire; abriu e foi Directora do Serviço de Comunicação de Fundação Calouste Gulbenkian. Foi Conselheira de Imprensa da Embaixada de Portugal em Madrid e Conselheira Cultural em Londres. Foi Deputada à Assembleia da República.
É colaboradora regular da imprensa, tendo publicado centenas de crónicas e entrevistas.

Jaime da Cunha Branco
É médico reumatologista e Professor de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Parte importante dos seus trabalhos de investigação tem sido dedicada à dor e, em particular, à fibromialgia que, em 1997, constituiu, de resto, o tema da sua tese de doutoramento.
É autor ou co-autor de centenas de trabalhos publicados em revistas médicas nacionais e internacionais e apresentados em reuniões científicas diversas em Portugal e no estrangeiro. Presidiu a Sociedade Portuguesa de Reumatologia (2002-2004), a Sociedade Portuguesa de Doenças Ósseas Metabólicas (2000-2002), o Congresso Mundial de Osteoporose (Lisboa, 10-14/05/2002), o Congresso Europeu de Reumatologia (Lisboa, 18-21/06/2003) e o Congresso Português de Reumatologia (Lisboa, 31/03-03/04/2004).
Actualmente é Presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (2005-2008) e do Colégio Ibero-Americano de Reumatologia (2007-2011) e Coordenador do Programa Nacional Contra as Doenças Reumáticas (desde Outubro/2006).

A obra:
Este livro tem dois autores. A visão da doente e do médico, a melhor forma de falar para o grande público (doentes, familiares, amigos, colegas de trabalho, empregadores e outros interessados) sobre a fibromialgia, doença reumatológica que afecta mais de 350 mil portugueses.
Esta abordagem 'a duas vozes', da doente e do médico, não sendo inédita é, tanto quanto sabemos, pioneira no nosso país tão carente de publicações sobre saúde e doença escritas por portugueses.
"Não escrevemos metade do livro, cada um para seu lado: elaborámos cada texto e submetemo-lo à revisão crítica e 'melhoradora' do outro. Deu-nos prazer escrever este pequeno livro sobre fibromialgia que esperamos possa contribuir para uma maior abertura de 'espírito' acerca desta síndrome e, sobretudo, para que os doentes entendam que não é o fim do mundo e os outros percebam que a dor e o sofrimento de cada um não se vêem e não podem ser sentidos senão pelo próprio. Há que respeitar esta realidade."


Os da Minha Rua

Autor: Ondjaki
Editora: Caminho
Ano: 2007
Género: Ficção

O autor: Acaba de ganhar o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2007, atribuído pela Associação Portuguesa de escritores a esta sua obra.
Ondjaki é hoje um dos principais nomes da Literatura Angolana. Nasceu em Luanda, em 1977. Interessa-se pela interpretação teatral e pela pintura, com exposições individuais, em Angola e no Brasil. Participou em antologias internacionais. Escreve para cinema e co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda (Oxalá cresçam Pitangas, 2006). É licenciado em Sociologia. Recebeu no ano 2000 uma menção honrosa no prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia Actu Sanguíneu. Em 2005 o seu livro de contos E se amanhã o medo obteve os prémios Sagrada Esperança (Angola) e António Paulouro (Portugal).
As suas obras encontram-se traduzidas em Espanha, Itália, Suíça e Uruguai.

A obra: "Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. Os da Minha Rua tem nas suas páginas tudo isso.
Como num filme, sempre me acontecia isso: eu olhava as coisas e imaginava uma música triste; depois quase conseguia ver os espaços vazios encherem-se de pessoas que fizeram parte da minha infância. De repente um jogo de futebol podia iniciar ali, a bola e tudo em câmara lenta, um dia eu vou a um médico porque eu devo ter esse problema de sempre imaginar as coisas em câmara lenta e ter vergonha de me dar uma vontade de lágrimas ali ao pé dos meus amigos.
A escola enchia-se de crianças e até de professores, pessoas que tinham sido da minha segunda classe, da terceira...
Quando alguém me tocava no ombro, as imagens todas desapareciam, o mundo ganhava cores reais, sons fortes e a poeira também." (Ondjaki)

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As Noites das Mil e Uma Noites
Autor: Naguib Mahfouz
Editora: Difel
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Considerado pela crítica como um dos melhores escritores árabes de sempre, em 1988, depois de ter sido distinguido com o Prémio Nobel de Literatura.
Nasceu no Egipto, em 1911. O mais novo de sete irmãos, estudou na King Faud I Univertity (hoje Universidade do Cairo). Quando ainda no liceu, adquiriu profundos conhecimentos da literatura árabe medieval. Visando aprofundar os seus conhecimentos de língua inglesa, traduziu para árabe a obra de James Baikie, Ancient Egipt, em 1932. Após a graduação escreveu mais de 80 "Short Stories" nos seis anos seguintes. A sua colecção A Whisper of Madness apareceu em 1938. Entre 1939 e 1954 publicou 3 volumes de uma série de 40 novelas históricas passadas no período faraónico. Abandonou então este projecto e dedicou-se aos livros de ficção e guiões cinematográficos.

A obra: Este romance começa precisamente onde acabam "As Mil e Uma Noites".
O sultão, depois de ter ouvido, durante quase três anos, as histórias de Xerazade, decide casar-se com ela. Todos crêem que, graças à sua habilidade como contadora de histórias, Xerazade salvou a vida e semeou o amor e a piedade no coração do sultão, pelo que, daí por diante, a paz e a harmonia reinarão no país.
Contudo, a mudança foi apenas superficial e o sultão, afinal, continuou a desconhecer a compaixão, o amor e a justiça, mantendo-se um homem poderoso, mas sem consciência. Como elevar a sua alma e ressuscitar-lhe a consciência? Só através de uma série de acontecimentos dilacerantes que lhe ensinarão o verdadeiro sentido do poder...
Em As Noites das Mil e Uma Noites, toda a narração é uma alegoria rica de magia, de pormenores, do fantástico mundo árabe antigo e contemporâneo, com todos os seus conflitos políticos e religiosos. (264 p.)
"Uma verdadeira obra-prima da narrativa. Inserida no seio de uma tradição própria, não lhe são alheias nem a fantasia, nem a mística, nem a simbologia, nem a sensualidade, nem os enigmas, nem o mundo onírico, onde parece desenvolver-se uma boa parte da acção."
(ABC Literário)

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Contos Populares Portugueses
Autor: Adolfo Coelho
Editora: D. Quixote
Ano: 2007
Género: Contos

O autor: Nasceu em 1847 e faleceu em 1919. Linguista e pedagogo, foi professor do Curso Superior de Letras e um dos promotores das Conferências do Casino (1871). Da sua biografia destacam-se, além da presente obra, A Língua Portuguesa (1868), Teoria da Conjugação em Latim e em Português (1871), o estudo histórico, etnográfico e linguístico Os Ciganos de Portugal (1892) e os dois volumes da Obra Etnográfica ("Festas, Costumes e outros Materiais para uma Etnologia de Portugal" e "Cultura Popular e Educação").

A obra: Uma obra que nos devolve o imaginário e o maravilhoso da nossa cultura popular.
Trata-se de uma reedição da que foi publicada em Abril de 1985. Neste livro, encontram-se reunidas as mais belas fábulas, como "História da Carochinha", " A Torre de Babilónia", "O Ovo Partido" e "Conto do Fuso", num total de setenta e cinco pequenos contos. O prefácio e a introdução são escritos por Ernesto Veiga de Oliveira.

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O Segredo
Autora:Rhonda Byrne
Editora: Lua de Papel
Ano: 2007
Género: Ficção

A autora: Nascida em1955, Rhonda Byrne é uma escritora australiana de televisão e produtora, tornada famosa em todo o mundo graças ao seu best-seller The secret. A autora integra-se ao chamado Movimento do Novo Pensamento, e também ao da Nova Era.

A obra: O Segredo é neste momento - e de longe - o livro de não ficção mais vendido em todo o mundo. Actualmente ter-se-ão vendido já 12 milhões de exemplares.
A autora, Rhonda Byrne, descobriu que a maioria das pessoas que têm ou tiveram sucesso, conheciam um Grande Segredo, e dá exemplos que vão desde Einstein a Galileu Galilei.
A partir dessa descoberta, ela foi procurar pessoas que actualmente conhecessem o Segredo e vivessem de acordo com ele. Falou com elas, entrevistou-as, e através dos seus testemunhos vai explicando no livro a "lei da atracção": nós atraímos aquilo que queremos atrair e, se queremos atrair o sucesso, conseguimos atrair o sucesso.
Foi editado em Portugal pela primeira vez em 2007, seguido de várias edições, com grande sucesso em vendas. (204 p.)
Aliança
A verdadeira história de como Roosevelt, Estaline e Churchill
venceram uma guerra e iniciaram outra
Autor: Jonathan Fenby
Editora:Quidnovi
Ano: 2008
Género: História

O autor: Foi director do Observer, em Londres, e do South China Morning Post, em Hong Kong, na época da transferência desta colónia da Grã-Bretanha para a soberania da China, em 1997. Também trabalhou nos jornais The Independent e Guardian e na agência Reuters. Tem alguns livros publicados.

A obra: Três homens muito diferentes, de três países muito diferentes, salvaram o mundo do fascismo na Segunda Guerra Mundial. Enquanto os seus exércitos combatiam em três continentes, Franklin Roosevelt, José Estaline e Winston Churchill delinearam a forma que o mundo teria no pós-guerra em encontros e reuniões, intensas e frequentemente angustiadas, que se prolongaram ao longo de quatro anos. Este livro conta, com todos os pormenores, a história de como estes três homens venceram a guerra e definiram um modelo de paz, à medida que as suas esperanças iniciais iam sendo substituídas pelo crescente confronto entre o Leste e o Ocidente.
A narrativa, muito viva, abrange as conferências dos Três Grandes em Teerão e em Ialta e o encontro secreto mantido a bordo de um navio numa enseada deserta da Terra Nova; as sessões estimuladas pelo vodka que se realizavam no Kremlin até altas horas da noite e os piqueniques de Verão na propriedade do presidente Roosevelt. As conversas e as mensagens dos Três Grandes, juntamente com episódios reveladores dos seus temperamentos, mostram como a aliança foi sendo construída e mantida e, depois, se desfez.
A Aliança mostra-nos como foi a Segunda Guerra Mundial, politicamente e ao vivo. É uma narrativa historicamente importante sobre uma coligação de grandes potências que deixariam, para sempre, a sua marca na história do mundo e, ao mesmo tempo, o relato apaixonante de um momento crucial da história humana.

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Legumes Sem Desculpas
Autores:Henrique Sá Pessoa e Fernando Póvoas
Editora: Oficina Do Livro
Ano: 2008
Género: Prático (Alimentação)

Os autores: Fernando Póvoas formou-se na Faculdade de Medicina do Porto e trabalha em clínicas de Lisboa e Porto, juntamente com a sua equipa multidisciplinar, nas áreas de nutrição, psicologia, estética e cirurgia plástica.
Henrique Sá Pessoa foi chefe de cozinha em restaurantes conhecidos, tendo feito programas de culinária na televisão. Foi o vencedor do Prémio Chefe do ano 2005.

A obra: O chefe Henrique Sá Pessoa juntou-se ao médico Fernando Póvoas para nos apresentar setenta receitas práticas, deliciosas e rápidas onde os legumes são o ingrediente em destaque. Ao longo destas páginas vai descobrir novas formas de cozinhar o milho, a alface, o tomate, os espinafres, entre outros, para toda a família. Da simples sopa de cenoura ou de aipo, ao original caril de banana, abóbora e batata-doce, passando por pratos especialmente pensados para as crianças como o empadão de bolonhesa e legumes, ou por sobremesas originais como bolo de chocolate e curgete, ou o gelado de abóbora e gengibre, as opções são variadas.
O Dr. Fernando Póvoas despiu a bata e vestiu o avental para nos dar os seus conselhos alimentares e explicar a importância dos legumes enquanto elemento essencial de uma alimentação equilibrada.




O Ladrão de Arte
Autor: Noah Charney
Editora: Livraria Civilização Editora
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Tem vinte e sete anos. Nasceu nos EUA e estudou na Universidade do Maine. Mudou-se para o Reino Unido, onde completou dois mestrados e fez um doutoramento em História da Roubo de Obras de Arte pela Universidade de Cambridge.
Hoje é Director e fundador da Association for Research into Cime against Art (ARCA), a primeira organização internacional do género.

A obra: Três roubos são investigados simultaneamente em três cidades, mas estes crimes aparentemente isolados têm muito mais em comum do que se possa imaginar.
Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma peça de altar desaparece sem deixar rasto a meio da noite.
Paris: Na cave da Society Malevich, a conservadora Geneviéve Delacloche fica chocada ao reparar que o grande tesouro da Sociedade desapareceu, Branco Sobre Branco do Suprematista Kasimir Malevich.
Londres: Na National Gallery of Modern Art, a última aquisição é roubada apenas algumas horas depois de ter sido comprada por mais de seis milhões de libras.
Repleto de detalhes históricos fascinantes, diálogos intrigantes, e um enredo de puxar pela cabeça, este primeiro romance de Noah Charney é sofisticado, elegante, e tão irresistível e multifacetado como uma obra de arte.

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O quase fim do mundo

Autor: Pepetela

Editora: Don Quixote
Ano: 2008
Género: Romance

O autor: Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudónimo de Pepetela, nasceu em Benguela, em 1941. É um dos escritores mais apreciados de Angola.
Embora descendente de família europeia, os seus pais nasceram já em Angola.
Em 1958, vem para Lisboa, frequentando engenharia no Instituto Superior Técnico até 1960. Depois muda-se para a Faculdade de Letras apenas durante um ano, pois, ainda em 1961, faz a opção política, que viria a mudar o rumo da sua vida e a marcar toda a sua obra, tornando-o um narrador de uma história de Angola que conhece, porque a viveu. Tornou-se militante do MPLA em 1963. Formou-se em Sociologia em Argel. Foi Vice-Ministro da Educação.
Quando abandona a vida política, Pepetela, opta pela carreira de docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, dando aulas de sociologia. Nunca abandona o ensino, embora se mantenha como escritor a tempo inteiro, até ter vindo para Lisboa em 1995, onde vive até hoje.
Em 1997, foi galardoado com o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra. Foi o autor mais jovem a receber este prémio.
Publicou
As aventuras de Ngunga (1973), Muana Puó (1978), Mayombe (1980); O Cão e os Calús (1985); Yaka (1985); Lueji, o Nascimento dum Império (1990); A Geração da Utopia (1992); O Desejo de Kianda (1995); Parábola do Cágado Velho (1997), A Gloriosa Família (1997), A Montanha da Água Lilás (2000), Agente Secreto (2001), Jaime Bunda (2003), Morte do Americano (2003), Predadores (2005), O Terrorista de Berkeley (2005), Califórnia (2007) e neste ano O quase fim do mundo.
«É no cruzamento que a onomástica e as personagens estabelecem com a História onde vamos encontrar motivos de grandes interrogações sobre o labor ficcional de Pepetela.»

A obra:
«O objecto deste livro é o fim do mundo, ou melhor, o quase fim do mundo, sendo certo que a vida se mantém numa pequena zona do continente africano.

A primeira frase do livro é absolutamente brutal: “Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo.”, e inicia uma história, que embora não sendo totalmente original, está bem pensada e estruturada.
Depois de conhecermos Simba Ukolo, médico, surgem na narrativa outras personagens: uma fanática religiosa, uma jovem adolescente, um ladrão, uma criança – sobrinho de Simba Ukolo – uma investigadora cientifica, um segurança em minas de diamantes, um pescador, um curandeiro, um electricista e uma professora de história. São estas as personagens que vão dar vida a este romance.
Embora a personagem principal seja efectivamente Simba Ukolo, a verdade é que a espaços a narrativa é contada por cada uma das personagens, que o autor procurou retratar e preencher da melhor forma, dando-nos um conhecimento mais ou menos profundo do seu passado.Embora a história tenha um conjunto de reflexões meta-filosóficas, a verdade é que esse vector não é profundamente explorado pelo autor, sendo que a narração da sucessão do tempo e da descoberta do que lhes havia acontecido toma o lugar principal na narrativa.
Sobre a história em si, não nos pronunciaremos mais. Fica para o leitor descobrir, tal como nós descobrimos.»

De uma entrevista do Diário de Notícias, a propósito deste livro.

E se houvesse um holocausto agora? A história começa assim. Quando terminou o romance “Os Predadores”, disse que lhe apeteceu beber champanhe. No fim deste livro voltou a ter essa vontade?

Foi diferente. Este livro foi um jogo; espécie de brincadeira. Eu estava mais à vontade. Não estava tão agarrado à realidade. É ficção pura e quando terminei pensei: "Isto até dava mais umas 800 páginas." Mas tinha de parar. Foi um livro que não me custou escrever. Podia inventar as sociedades que quisesse e tive até uma certa pena de parar. No outro apeteceu-me beber champanhe talvez por saber que estava a fechar um ciclo. Houve um corte e um corte fundo.

E porque parou se o livro poderia ser o triplo?
O livro estava a pedir-me para parar ali. Mas hoje quando releio a parte final, vejo que podia continuar. Mas bastava não pôr ali um epílogo e continuar, reconstruindo a história da humanidade.

Parte de um hipotético holocausto e uma frase que posiciona logo o leitor. "Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo"
...

Dou muita importância às primeiras frases e, neste caso particular, foi muito trabalhada.

Como dá importância aos nomes...
Este foi escolhido de modo a nunca se definir muito bem a origem da personagem e a sua situação no terreno. O leitor mais conhecedor de África consegue situar mais ou menos uma região onde é possível estarem cinco países que fazem quase fronteira: Tanzânia, Congo, Burundi, Uganda, Ruanda. É na região dos grandes lagos.Há uma ou outra referência ao Kilimanjaro. Percebe-se que Nairobi não está assim tão longe. Mas não é importante que o leitor saiba situar. Se não conhecer a região, tanto melhor. Normalmente, como sou angolano, até poderão pensar que é em Angola. Mas não tem nada a ver com Angola. Fiz todos os esforços para que não se percebesse. O importante é que se perceba que é uma parte de África, muito próxima do sítio onde hoje se pensa que terá começado a Humanidade.

A causa do holocausto só é revelada no fim. Até lá só sabemos do repovoamento...
Este livro nasce de uma notícia. Mas hesitei algumas vezes se iria ou não revelar a causa ou se deixaria em suspenso. Depois também achei que era demasiado pesado para o leitor. Acho que o leitor ficaria frustrado, a interrogar-se sobre o que aconteceu. Era pesado demais não saber o que levou a tal destruição.

Quando diz que isto é pura ficção, não é bem verdade. A reflexão política e ecológica, por exemplo, estão muito presentes
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Há uma personagem que diz que cada civilização vive até inventar as armas que a vão liquidar. Estamos próximos disso... Ao mesmo tempo que há um instinto de sobrevivência, há um instinto de destruição. O livro é uma metáfora. Cuidado! Para onde estamos a ir?

E começa com um homem que pensa estar completamente só no mundo, até que um mosquito o pica e ele percebe que tem companhia. Esse sentimento de solidão absoluta tomou conta de si enquanto escritor?
Sim. Se não, não seria capaz de escrever. Mas tentei usar um estilo muito ligeiro. Em qualquer livro há um tactear do próprio autor. Também no meu caso. Nunca sei como é que vai acabar, nem me preocupo muito a não ser a partir do meio. Até lá é um tactear sempre. Daí que talvez neste caso tenha sido mais fácil. Alguém que inicia este livro a tactear e continua por ele fora. No fundo aquele primeiro homem é uma espécie de companhia.

A ironia ajuda na desgraça?
Sim. Nós, os angolanos, agarramo-nos muito ao humor. É a nossa arma principal para sobreviver. Até a sátira em relação a nós próprios, o gozarmos, o rirmos connosco. Isso está aqui. A ideia foi pôr esse lado africano de ver o mundo.

Uma visão que, aqui, tem muito de geográfica e segundo a qual o europeu é alguém de espírito pequeno. É assim que o africano vê o europeu?
Não posso generalizar. Depende do africano e depende do europeu, mas de um modo geral o que nós pensamos, por exemplo dos portugueses, é que os portugueses têm esse espírito pequeno. Os portugueses que viveram África e estão aqui em Portugal falam sempre é da pena de ter perdido a distância, o espaço que tinham lá. Essa saudade ficou.

Este livro foi um exercício diferente para si enquanto escritor, já o disse...
Foi. Era um tema diferente e o próprio facto de ser fora de Angola era novo. Pegar em qualquer coisa que é tremendo, mas poder contar uma história que até parecesse ligeira... Foi isso que quis fazer. Posso não ter atingido.

Essa angústia do resultado termina quando?
Nunca vai terminar. Essa angústia acho que existe sempre.

Por exemplo, em relação aos ‘
Predadores’, ficou tranquilo com o resultado?Agora sim.Então há uma altura em que passa?
Há. Mas nunca tenho a certeza. O que sei é que tenho de parar e esperar pela reacção dos leitores. Depois posso dizer "acertei ou não acertei tão bem..."

O leitor não lhe é indiferente?
De modo nenhum. Houve livros que escrevi em que o leitor me era indiferente, porque os escrevi para mim, sem pensar em publicar.

Por exemplo?
Os primeiros. Sabia que não tinha hipótese, quando andava na luta pela libertação, etc. Onde é que iria arranjar editor? Aí há um à vontade enorme. Também o penúltimo livro, ‘O Terrorista de Berkeley’, escrevi para mim. Era uma brincadeira, não era para publicar.

Porque publicou?
Começou a haver pressão. Diziam que a história estava gira e não sei o quê, mas até hoje não estou convencido.

Ainda não se tranquilizou com ele?
Não. Era para mim, não era para mais ninguém. Ficou parado dois ou três anos e marcou um salto. Aquilo não tinha nada a ver com Angola. Era só os EUA, só americanos, mais nada. Era para me divertir. Tinha todo o tempo do mundo, não tinha nada para fazer...

O que é isso de ter todo o tempo do mundo?
(risos) É estar numa cidade de que se gosta, por onde já se andou (São Francisco). Dava de manhã um passeio. Estava num hotel, com nada para fazer, e um quarto de hotel é um lugar aborrecido. Tem uma televisão, a pessoa vê um bocado mas cansa-se da língua, tem uma secretária e um computador portátil, que anda sempre comigo. Não tinha nada para fazer e escrevi para passar o tempo. Resolvi escrever uma história. Era sobre aquilo que via todos os dias. Mas acho que marcou uma ruptura para começar a escrever sobre outras coisas e outras paragens.

Antes dos '
Predadores'?
Sim.á uns 15 anos.

Porque adiou tanto?
Foram aparecendo outros temas que se impunham. Tenho sempre três ou quatro para trabalhar. Às vezes pego num, brinco com outro. Até ao dia em que há uma frase, uma personagem, qualquer coisa que me agarra e começo.



O Complexo de Culpa do Ocidente

Autor:Pascal Bruckner

Editora: Publicações Europa-América
Ano: 2008
Género: Ensaio filosófico

O autor: Nasceu em Paris em 1948.
Depois dos seus estudos na Universidade de Paris, ele torna-se “Maître de Conférence” no Instituto de Estudos Políticos de Paris e colaborador do “Nouvel Observateur” e do “Monde”.
Romancista e ensaísta, Pascal Bruckner pertence aos chamados “novos filósofos”, representante do neoconservadorismo em França“É dos poucos intelectuais que se atrevem a escrever contra a corrente, que não se atemorizam face ao politicamente correcto.”

É o autor de A Tentação da Inocência (Prémio Médicis para a categoria de Ensaio, em 1995), Les Voleurs de la Beauté (Prémio Renaudot, em 1997), L’ Euphorie Perpétuelle (2000), Misère de la Prospérité (prémio para o melhor livro de economia em 2002), e L’Amour du Prochain (2005). O seu romance Lune Fiel foi inclusivamente adaptado ao cinema por Roman Polanski (1992).


A obra:
Título original: La Tyrannie de La Pénitence.

Trata-se de um ensaio polémico, sobre o sentimento de culpa dos ocidentais em relação ao resto do mundo.
«O Complexo de Culpa do Ocidente, tem uma tese simples: nós, ocidentais, achamos que oresto do mundo nos deve odiar, em função das malfeitorias que os nossos ancestrais andaram a fazer pelo mundo fora nos últimos séculos, desde o colonialismo à escravatura, passando pela exploração, o capitalismo, o Bush, etc.
Sentimo-nos maus, culpados e arrependidos, e expiamos a culpa execrando a civilização a que pertencemos, reféns morais dos pecados que os nossos avoengos terão cometido, eternamente em dívida para com os bons selvagens a quem roubámos o Paraíso.»

«Todo o mundo nos odeia e eles têm toda a razão: é esta a convicção da maioria dos europeus e, a fortiori, dos franceses. Desde 1945 que o nosso continente vive dominado pelo tormento e pelo arrependimento. Martirizando-se com as atrocidades do passado, as guerras constantes, as perseguições religiosas, a escravatura, o fascismo, o comunismo, a sua História não foi senão uma longa cadeia de carnificinas, o que culminou nas duas Guerras Mundiais, ou seja, num suicídio fanático. Face a este sentimento de culpa, uma elite de intelectuais e políticos entrega os seus títulos e vota-se à manutenção da chama dessa culpa, à semelhança do que fizeram os guardiães do fogo: deste modo, o 'Ocidente' passou a estar em dívida para com tudo o que ele não representa, a ser suspeito em todos os acontecimentos, condenado a reparar todos os males.À medida que se vão remoendo, os países europeus esquecem-se que eles, e só eles, fizeram esforços para vencerem, reflectirem e se isentarem desta barbárie. E se o acto de contrição não fosse senão a outra face da abdicação?»


Um excerto:
«Quando o Estado se transforma em grão-mestre dos ritos expiatórios - os reis gozavam do privilégio de perdoar, enquanto os presidentes modernos têm o de apresentar desculpas - e quando o monstro insensível se torna compassivo, ele usurpa às autoridades morais a sua função espiritual e às autoridades universitárias as suas competências científicas. Ele entende que se trata de uma reconciliação; de exumar um passado duvidoso para lhe barrar o caminho. Muitas vezes consegue atingir esse objectivo até demasiado bem, ao ponto de lhe adulterar o sentido. O arrependimento é (em todos os sentidos) contemporâneo à última idade do estado, a do seu desmoronamento: finge então meter-se em tudo, escreve a história em vez dos historiadores e pretende garantias de uma verdade intangível.
Qual justiceiro retrospectivo, ocupa-se a saldar as contas dos tempos antigos para inscrevê-las no caderno de encargos da consciência nacional. Este arrependimento difuso surge em lugar e em nome de uma acção real e conflui numa confusão de ordens; num pânico legislativo. A azáfama memorial não é um síndroma totalitário, é antes o de uma agitação confusa, de uma recusa em governar.
(...) Quanto mais ele se fustiga, mais ele excita a avidez de grupos de pressão, desmesuradamente contentes por fazerem valer censuras e que tentam alcançar feudos e baronias, apoiando-se no Parlamento, se for necessário. Escancara-se o cofre das lamentações.
(...) Uma loucura de mortificação apodera-se então das altas esferas: já não prescrevem senão um calendário, o do luto. Todos os meses e todas as semanas, eles deveriam sangrar ao recordar as nossas perversidades.
(...) Não existe categoria social, profissional ou regional, que não consiga alegar a eleição de um dano ou de uma mortandade longínqua, que se possa inscrever imediatamente no registo das comemorações. Ao empenhar-se neste ritual terapêutico, julga-se que estaríamos a prevenir rancores e vinganças, mas é o inverso: desperta-se o furor daqueles que não foram citados, suscita-se uma epidemia de reclamações: e eu? e eu? Mas o Estado não é uma Igreja, ele tem de responder pelo presente e pelo futuro, não tem de passar o tempo a confessar-se arrependido!» (pp. 104-105)
(Retirado de “Reverentia Lusa”).




Um homem muito procurado
Autor: John Le Carré

Editora: Publicações Dom Quixote
Ano: Novembro 2008
Género: Romance de ficção

O autor:
Pseudónimo do escritor David John Moore Cornwell, que nasceu em Poole (Inglaterra), no ano 1931. Baseando-se em informações recolhidas acerca da espionagem internacional, escreve romances de notável realismo sobre essa temática. John Le Carré é o espião que se tornou escritor, sendo hoje sinónimo de espionagem e suspense.

Começa por estudar em Sherborne, mas entre 1948-49 estuda na Suíça, na Universidade de Berna, onde trava conhecimento com um diplomata inglês, encontro que terá sido decisivo para o seu ingresso nos serviços secretos britânicos. Tendo cumprido o serviço militar na Áustria, termina os estudos em línguas modernas em Oxford no ano de 1956. Torna-se membro dos Serviços Estrangeiros Britânicos em 1959, mais tarde cônsul em Hamburgo.
V
ivendo na cidade de Berlim em plena Guerra Fria, não lhe faltarão histórias e incidentes que, mantidos em segredo na vida real, pode contar pela ficção.
«Chamada para o Morto» (1961) é o seu primeiro
thriller de espionagem, em que George Smiley, o protagonista do romance, revoluciona a habitual imagem de glamour dos espiões. Com alguma ironia, algum sarcasmo, retrata os meandros do submundo da política de forma exímia.
Um ano depois edita «Um Crime Quase Perfeito» (1962), seguindo-se «O Espião que saiu do Frio» (1963), «Guerra de Espelho» (1965), «Uma Pequena Cidade na Alemanha» (1968), e «Tinker, Tailor, Soldier, Spy» (1974) onde voltamos a encontrar o carismático George Smiley. Mantendo-se a par dos tempos e das mudanças no xadrez político edita, em 1983, «A Rapariga do Tambor», sobre a Palestina. Em 1986 surpreende com um romance em torna das relações pai/ filho, «Um Espião Perfeito» (1986). Segue-se «A Casa da Rússia» (1989) - adaptado ao cinema. Dois anos depois regressa a George Smiley com «O Peregrino Secreto». Em «O Gerente da Noite» troca a habitual temática da espionagem pelo tráfico de droga. Imparável escreve: «O nosso Jogo» (1995), «O Alfaiate do Panamá» (1996), «Single & Single» (1999) sobre a máfia russa, «O Fiel Jardineiro» (2000).
Com a polémica em torno da invasão do Iraque pelos EUA, não hesita em editar um artigo no
Times onde acusa os americanos de loucura. «Amigos até ao fim», o seu mais recente romance, leva-nos aos 60, aos seus ideais e fracassos.

Casado, com quatro filhos, vivendo actualmente em Inglaterra, Le Carré continua a ser uma voz inquietante. Se os seus primeiros livros marcaram a escrita sobre espionagem, o autor continua atento ao que se esconde para lá fachada das políticas internacionais. Indo ao cerne dos conflitos mundiais, visita-os a partir dos bastidores.
Conhecedor dos meandros da política, sabe manter-se a par dos tempos de mudança. Da Guerra Fria à controversa Guerra do Iraque, os seus romances continuam vigorosos.
Com a idade apurou a elegância, o estilo. É perspicaz, de fino humor. Como podemos observar neste novo livro que acaba de sair.


A obra:

Para além de romance, de tensão presente até ao fim, é igualmente uma obra com uma profunda humanidade e uma pertinência invulgar nos dias de hoje.
«Um jovem russo com um sobretudo preto comprido e meio morto de fome é introduzido clandestinamente em Hamburgo pela calada da noite. Numa bolsa que usa pendurada ao pescoço esconde uma quantia improvável de dinheiro. É um muçulmano devoto. Mas será mesmo? Afirma chamar-se Issa.
Annabel, uma jovem e idealista advogada alemã especializada em direitos humanos, decide salvar Issa da deportação, e depressa a sobrevivência daquele cliente se torna mais importante do que a sua própria carreira. Em busca do misterioso passado de Issa, Annabel enfrenta o incongruente Tommy Brue, o herdeiro de sessenta anos do Brue Frères, um banco britânico em declínio sediado em Hamburgo.
Nasce um triângulo de amores impossíveis.
Entretanto, pressentindo que vão desferir um tiro certeiro na pseudo Guerra contra o Terror, espiões de três nações convergem para pessoas inocentes.»


Um extracto:

"Um campeão turco de boxe da categoria de pesos pesados a passear calmamente por uma rua de Hamburgo de braço dado com a mãe dificilmente poderá ser censurado por não reparar que está a ser seguido por um rapaz escanzelado de casaco preto.
Big Melik, como era conhecido na vizinhança que o admirava, era um tipo gigante, peludo, desengonçado e simpático, com um grande sorriso natural, cabelos pretos presos num rabo-de-cavalo e um andar gingado e descontraído que, mesmo sem a mãe, ocupava metade do passeio. Aos vinte anos, era uma celebridade no seu pequeno mundo, e não apenas pelas proezas no ringue de boxe: eleito representante dos jovens do seu clube desportivo islâmico, segundo classificado por três vezes no Campeonato de Natação do Norte da Alemanha na categoria de cem metros mariposa e, como se tudo isso não bastasse, guarda-redes fabuloso da equipa de futebol de sábado.
Como a maioria das pessoas muito grandes, estava também mais acostumado a ser olhado do que a olhar, outro dos motivos pelos quais o rapaz magricela conseguiu segui-lo durante três dias e três noites consecutivos sem ser detectado.
Os dois homens estabeleceram contacto visual pela primeira vez quando Melik e a mãe, Leyla, saíram da Agência de Viagens al-Umma, depois de comprarem bilhetes de avião para o casamento da irmã de Melik que decorreria na sua aldeia natal, nos arredores de Ancara. Melik sentiu o olhar de alguém fixo em si, olhou em volta e deparou-se com um rapaz desesperadamente magro, da mesma altura que ele, com uma barba rala, olhos vermelhos e encovados e um casaco preto comprido que podia ter abrigado três mágicos. Tinha um
keffiyeh preto e branco à volta do pescoço e um saco de viagem bege ao ombro.
Olhou fixamente para Melik e em seguida para Leyla. Depois, voltou a concentrar-se em Melik, sem pestanejar uma única vez, mas atraindo-o com os seus olhos ardentes e encovados.Porém, a expressão de desespero estampada nos olhos do rapaz não perturbou muito Melik,

Paris

Autor: Julien Green

Editora: Tinta da China
Ano: 2008
Género: Literatura de viagem

O autor:
Julien Green nasceu em Paris em 1900, onde habitou durante a maior parte da sua vida. Era filho de pais norte-americanos, que, por motivos de trabalho, viveram durante vários anos em França.
Romancista, dramaturgo e crítico literário, foi o primeiro escritor não francês a entrar para a Academia Francesa, que lhe atribuiu, em 1971, o Grande Prémio da Literatura como reconhecimento da qualidade literária das suas obras. Um ano mais tarde, o Presidente da República Georges Pompidou ofereceu-lhe oficialmente a cidadania francesa, mas ele recusou, por se considerar americano.
Na história de Paris, contudo, não terá havido muitos parisienses mais parisienses do que este homem que escreveu: «Cada um de nós traz em si a Paris da sua infância, da sua juventude e dos seus sonhos, com uma secreta preferência pela Paris que guardou na memória e que lhe parece mais bela que a do próximo.»
Morreu em Paris em 1998.


A obra:
Logo no início, Julien Green recorda-nos: «A alma de uma grande cidade não se deixa apreender facilmente; é preciso, para se comunicar com ela, termo-nos aborrecido, termos de algum modo sofrido nos lugares que a circunscrevem.»
O escritor abdica de dizer «uma palavra a respeito dos grandes monumentos e de todos oslugares acerca dos quais se esperaria uma descrição como deve ser». Alguém falou em Torre Eiffel? Esqueçam. Green sempre lhe teve um ódio de estimação e sonhava mesmo eliminá-la, deixá-la longe da vista, debaixo de água. A Paris que lhe interessa não é a oficial, não é a que vem nos guias. É a outra, a «cidade secreta».
Green escreve sobretudo para si mesmo. Não se trata de revelar aos outros os tesouros escondidos de Paris (embora algumas pistas sejam preciosas), mas antes de reencontrar as muitas aproximações que fez, durante décadas, ao lugar onde nasceu, uma espécie de arqueologia sentimental. A sua Paris está sempre a migrar «imperceptivelmente da carne para o espírito».
O fio condutor do livro está numa atenção obsessiva aos pormenores que escapam a um primeiro olhar. Pode ser a «graça robusta» de uma pequena igreja românica (a de São Julião, o Pobre); a nobreza das árvores que ainda vão subsistindo depois de todos os abates; as escadas e escadarias; uma tempestade sobre o Palais-Royal; cenas de miséria humana; os castanheiros iluminados «de dentro para fora» como lanternas japonesas; o céu cinzento; a brancura de Notre-Dame; as ruínas do Trocadéro; ou as estátuas que espiam, lá de cima, «as nossas atitudes incompreensíveis». Green é sobretudo um
flâneur.
Na juventude, ele começou por ver em Paris a forma de um cérebro humano. Mais tarde mudou de ideias: «Agora já não seria a um cérebro que eu compararia Paris, mas a um coração, um coração deitado, atravessado pela sua grande artéria, o Sena.»


Um pequeno extracto:
Rue de Passy
Rua de Passy, conheço de cor as tuas lojas, os teus vendedores grossistas e os seus portões, os teus reclames que perderam a cor e as pinturas no mármore das tuas leitarias e o paraíso das tuas pastelarias, Coquelin, Petit e Bourbonneux, e o vendedor de ostras no meio dos seus cabazes com a sua faquinha, e o vendedor de sapatos onde a minha criada Lina comprava as suas pantufas de pompons azuis, e a papelaria onde as moscas se aquecem ao sol, sobre as capas dos livros escolares, e o austero armazém de Nicolas, o vendedor de vinhos, e a farmácia do Senhor Beaudichon, que tinha uma bela barba, e as grandes letras a ouro que revelam a toda a gente, do cume de uma varanda vertiginosa, a presença do cirurgião-dentista, e a cabeça do cavalo, também dourada, por cima da porta do picadeiro, e a relojoaria onde o patrão, cortado ao meio pela banca de trabalho, conserta um pequeno relógio de pulso, e os eflúvios celestiais das primeiras ramadas de lilás que a florista de dedos vermelhos acomoda sob a abóbada do 93, e os carneiros esfolados, cingidos por um casto avental branco, entre as grinaldas de loureiro do talho, rodeados de cortinas raiadas de vermelho solenemente enfunadas, e o encanto do refugo do perfumista, e os frascos do ervanário, e os olhares que os ajudantes de padeiro lançam sobre as pernas das donas de casa a partir das janelas térreas da padaria, e as lutas de cães, e as colisões de cestos em que os pães chocam uns com os outros como a popa de galeras inimigas, e os gritos, e as risadas, o ruído dos autocarros que percorrem por completo todo este mundo e não esmagam sequer a ponta de um único dedo do pé, e a bela esteira líquida que um regato entrança ao longo do passeio…



A Lâmpada de Aladino

Autor:Luís Sepulveda

Editora: Porto Editora
Ano: 2008
Género: Contos

O autor:
Nasceu em Ovalle, Chile, em 1949. Reside actualmente em Gijón, Espanha, onde fundou o Salão do livro ibero-americano, destinado a promover o encontro de escritores, editores e livrarias latino-americanas com os seus homólogos europeus
Membro activo da Unidade Popular chilena nos anos setenta, teve de abandonar o país após o golpe militar de Pinochet.
Viajou e trabalhou no Brasil, Uruguai, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Sepúlveda era, na altura, amigo de Chico Mendes, herói da defesa da Amazónia, a quem dedicou
O Velho que Lia Romances de Amor, o seu maior sucesso.
Perspicaz narrador de viagens e aventureiro nos confins do mundo, Sepúlveda concilia com sucesso o gosto pela descrição de lugares sugestivos e paisagens irreais com o desejo de contar histórias sobre o homem, através da sua experiência, dos seus sonhos, das suas esperanças.
Luís Sepúlveda já vendeu mais de 15 milhões de exemplares na Europa e é um dos autores hispano-americanos mais traduzidos das últimas décadas.
De entre inúmeros títulos, são de mencionar, para além do citado
O Velho Que Lia Romances de Amor (1989), O Mundo do Fim do Mundo (1989), Encontro de Amor Num País em Guerra, (1997), Nome de Toureiro (1994), Diário de um Killer Sentimental (1999), História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (1996), Patagónia Express (1996), As Rosas de Atacama (2000), O General e o Juiz (2003), Uma História Suja (2004), O Poder dos Sonhos (2006).
Já recebeu vários prémios, entre eles, "Prémio Gabriela Mistral de Poesia" (1976), "Prémio Rómulo Gallegos de Novela"(1978), "Primer Prémio de Novela Corta Juan Chabás" (1990), "Prix France de Culture" (1992) e "Prémio Internazionale Ennio Flaiano"(1993).

A obra:

Ao longo das histórias que compõem este livro reencontramo-nos com esse território de sentimentos que fizeram do autor, um dos nomes mais apreciados da literatura da América Latina.
Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem, diz a certa altura um personagem. Foi precisamente para resgatar do esquecimento momentos, lugares e existências irrepetíveis que Luís Sepúlveda escreveu
A Lâmpada de Aladino, uma lâmpada de onde surgem, como por arte de magia, treze contos magistrais.
A Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, uma cidade de Hamburgo fria e chuvosa, a Patagónia, Santiago do Chile nos anos sessenta, a recôndita fronteira do Peru, Colômbia e Brasil, são alguns dos cenários deste livro. Nas suas histórias, cada uma delas um romance em miniatura, Luís Sepúlveda dá vida a personagens inesquecíveis.

Nota: Aladim (uma corruptela do nome 'Alâ 'ad-Dîn, que significa "nobreza da fé" – Aladdin, Aladdim ou ainda Aladino, em Portugal) é um personagem do conto Aladdin e a Lâmpada Maravilhosa, de As Mil e uma Noites. A lâmpada é encontrada por um menino de nome Aladino, que valendo-se dela e de um anel mágico, podia convocar um génio e ver cumprido qualquer desejo. O conto possui variadas edições, mas a maioria delas preserva o teor central do enredo.
A expressão 'lâmpada de Aladino' é assim usada para designar meios secretos que permitem a quem os possui satisfazer imediatamente os seus desejos.






Dicionário Imperfeito
Autor: Agustina Bessa Luís
Editora: Guimarães Editores
Ano: 2008
Género: Antologia de pensamentos

O autor: (já referimos no seu romance As Chamas e as Almas)

A obra:Trata-se de uma antologia de pensamentos de Agustina Bessa Luís sobre a mais variada temática e que dá início à publicação de toda a sua obra.
Desta compilação, em 306 páginas, seleccionámos, ao acaso, alguns dos seus pensamentos:

Adaptação
(Capacidade de adaptação dos portugueses)

Os observadores estrangeiros maravilham-se de que Portugal resista à crise política e económica com tal poder de adaptação. Há nos Portugueses uma sinceridade para com o imediato que desconcerta o panorama que transcende o imediato. O infinito é o que eu situo - dizem. E assim vivem. Protegidos talvez por essa condição de afecto pelas coisas, pelos seus próprios delitos, que não consideram dramáticos, só ao jeito das necessidades. De resto — quem se apresenta a salvar-nos que não esteja suspeitamente indignado? Os que muito se formalizam muito escondem; os que acusam demasiado privam-se de ser leais consigo próprios. O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo. (pp. 11-12)

Arte
(A importância da arte)

A arte é, provavelmente, uma experiência inútil; como a «paixão inútil» em que cristaliza o homem. Mas inútil apenas como tragédia de que a humanidade beneficie; porque a arte é a menos trágica das ocupações, porque isso não envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de música, fazia-se um deserto extraordinário. Acreditem que os teares paravam, também, e as fábricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte é, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e há decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam à experiência inútil que é a arte, pessoas como Virgílio, por exemplo, e que sabem que o seu silêncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e só ficasse no ar o ruído dos motores, porque até o vento se calava no fundo dos vales, penso que até as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vitória, com a mansidão das coisas estéreis. O laço da ficção, que gera a expectativa, é mais forte do que todas as realidades acumuláveis. Se ele se quebra, o equilíbrio entre os seres sofre grave prejuízo. (p. 20)

Democracia
Hoje, fala-se imensamente de democracia. Eu acho que não deve haver dez pessoas que saibam o que é democracia, nem acredito que sejam capazes de a viver. Acho que teríamos que começar por aí. No fundo é um estado de civilização muito apurado. Mas, nessa definição, cabem todas as tropelias e todas as insânias e todas as mediocridades. (pp. 73-74)


Solidão
(A solidão é necessária ao convívio)

As pessoas estão prontas a viver em bom entendimento, mas não querem ser viciadas em agradar. A condição humana assenta num pressuposto equilibrado: a vida agrada a uns e desagrada a outros. Há uma parte da solidão que não podemos compor, e é melhor que assim seja, porque é na solidão que assenta a diferença tão falada. É isso que se receia: que nos proíbam a solidão, esse pequeno espinho que afinal nos faz solidários na multidão. Observem um grupo de pessoas que ri da mesma anedota: estão abertas a esse prazer do momento, mas não se distraem da faculdade de serem sós na sua fundamental forma de orgulho que é serem únicas. A moral consta duma certa dose de cortesia para parecermos bons. «Só Deus é bom.» Se percebermos esta conclusão, percebemos que imitar o bem é tudo o que humanamente nos é permitido. (pp. 281-282)


O Chamado dos Velhos Deuses
Uma Introdução à Bruxaria Tradicional
Autor:Nigel Jackson
Editora: Zéfiro
Ano: 2008
Género: Esotérico

O autor:
Nigel Jackson nasceu no ano de 1963, vive em Manchester (Inglaterra) e é um reconhecido artista e ilustrador, especializado no simbolismo da Tradição Esotérica Ocidental.
Dedica-se, desde há duas décadas, a expressar a "linguagem simbólica dos deuses" através da sua arte, que ele descreve como "alquimia da imaginação".
É um iniciado em diversas tradições esotéricas.
Nos anos 90 fundou a Via Nocturna, uma recensão da Arte Sem Nome, designação conhecida entre iniciados de Bruxaria Tradicional.

A obra:
Este livro está a ser posto à venda nesta semana. Dizem que é a primeira obra de Bruxaria Tradicional publicada em Portugal.
«Através desta obra invulgar e fascinante, um repositório inestimável de saberes sobre Bruxaria Tradicional, somos levados pela mão de Nigel Jackson a penetrar os mistérios secretos de uma antiga Arte Iniciática que estava até agora reservada apenas a alguns.encontrará a oportunidade de conhecer a Antiga Sabedoria das Fadas e seguir o Caminho-da-Bruxa Extática, palmilhando as Linhas-de-Espíritos elevadas na paisagem icónica do Sabat.o armamentário tradicional da Velha Arte, a vassoura e a furca, o caldeirão e a pedra, a faca e a estaca, caminhando ao longo do Compasso deste livro como galgasse as fronteiras do mundo visível, todos nós voltamos a descobrir o eco perdido de uma religião oculta e ancestral, até agora dissimulada sob o véu do Cristianismo.» (
Gilberto de Lascariz, autor do posfácio)

* * *
Mandrágora O Almanaque pagão
Coordenador: Gilberto de Lascariz
Editora:Zéfiro
Ano: 2008
Género: Esotérico

A obra:
Trata-se do Calendário de Festividades e Mistérios Pagãos para 2009, apresentando-se como um calendário para viver o ano de uma forma artística, poética e mágica.
Com os usos e costumes Mágicos da Lusitânia.

«Desde os calendários megalíticos aos almanaques sumérios, gregos e egípcios, que o Tempo era o mediador das fainas terrestres da vida agrária e pastoril e das fainas mágico-religiosas da vida da alma. A função deste almanaque é de restaurar através do rito e de uma nova consciência essa época arcaica em que homens, plantas, animais e deuses conviviam em harmonia.
Trata-se de viver o ano não só com o corpo mas também com a alma. Por isso, era necessária uma nova linguagem e uma nova filosofia de almanaque. Aqui descobrirá não apenas como celebrar as festividades sazonais do ano pagão, mas também roteiros mágicos para a sua vivência mística, um calendário detalhado dos dias festivos pagãos ao longo dos 12 meses, bem como muitos outros assuntos e saberes tradicionais.»

São referidos, entre outros, As Festividades Pagãs, Néctares e Manjares, A Horta e o Jardim da Bruxa, Os Deuses Lusitanos, Ervas Mágicas, Roteiro de Peregrinação Pagã, Os Mistérios das Constelações


Um enxerto deste livro:

Imbolg – A Festa das Velas

Imbolg é o nome tradicional de origem gaélica desta festividade pagã. Significa “dentro do ventre” e remete-nos para o significado do Sol-Menino, saído do ventre da Grande Mãe para aprender as artes, tal como Ísis instruiu Hórus meniamamentando-o e ensinando-lhe a arte de bem guerrear. Nesta perspectiva, Imbolg relembra-nos as antigas festividades romanas, as Lupercálias, nas quais se honrava a Loba, aleitadora de Rómulo e Remo, fundadores da Roma antiga. O leite era encarado como a substância nutriente do Sol Infante, a sabedoria sob forma de luz líquida. Não seria de admirar que, mais tarde, esta festividade fosse rebaptizada pelo Cristianismo como “Candlemas” (a Missa das Velas), pois que se trata de uma festividade honrando a Luz da Mãe Divina. A Lua surge como a Deusa Portadora da Luz às trevas da nossa Alma, como a Brígida, a Deusa Tripla da Inspiração. Brígida é a Deusa Guardiã do Fogo. Trata-se do Fogo que desencaa inspiração poética, que cura os males do corpo e da alma e que na forja cria e molda a charrua, a enxada, a roda, e muitos outros instrumentos de agricultura. É, portanto, não um fogo celeste como o do sol mas um fogo ctónico, interno, que age dentro do corpo e da terra. Por isso Imbolg quer dizer “do ventre”, e refere-se ao poder de criação interna da matéria, de germinação terrestre.

Ecos Festivos da Anima Portuguesa: Em Portugal a festa das Candeias não deixou rastos significativos no imaginário popular. Resumia-se a uma procissão à volta da aldeia, sempre constituída de mulheres com candeias na mão e que pela sua aparência faziam lembrar pequenas toAs candeias acesas durante a noite lembram a luz da Lua, a Brida que protege e acolhe o filho no seu leito nocturno. Por este motivo, nesta época do ano, abençoam-se as charruas que vão lavrar a terra na próxima Primavera e corresponde, na simbologia wiccan, à entrega das armas litúrgicas ao Deus Sol para ele crescer e se autonomizar: o cálice do amor e da cura, a espada do guerreiro e conquistador, a vara do poeta e profeta.
Existe ainda hoje o costume de vaticinar o tempo, dependo de como se passe o dia de Candelária. A versão cristianizada da Grande Mãe, a Senhora da Luz, tornou-se enraizada na cultura portuguesa como prodo tempo durante a Primavera. É hábito ouvir-se: “Se a Senhora sorrir, muita chuva está p’ra vir! Se a Senhora chorar, o Verão está a chegar!”. É curioso como este hábito de profetizar a meteorologia se estendeu por toda a Península Ibérica e mesmo pelo norte da Europa, onde o dia 2 é também um dia de observância das condições climatérimas desta feita na figura animal da marmota.
Em muitas regiões, o Dia de Nossa Senhora das Candeias marca o inído Carnaval, uma espécie de grande Saturnália que foi puxada de Dezembro, no antigo calendário romano, para pouco antes da emerência da Primavera. Nesta altura as trevas ainda predominam, pelo que a força solar está ainda muito dependente da noite maternal e dos seus vínculos animais. Por isso, o Carnaval vem celebrar e despedir-se desta imagem maternal e acolher a Primavera que se antevê no cresdos dias. É o tempo em que a mãe se torna donzela e o Menino Sol cresce em força e exuberância. Relacionado com esta perspectiva de Sol-Menino, existe em Portugal um rito agrário muito interessante e belo nesta altura do ano em que se começam a lavrar os campos, e que é solidário da ideia de propiciação sexual da terra, tal como está subentendido na liturgia wiccan da «cama de Brida»: no Minho, em muitas aldeias, é escolhido o rapaz mais forte para lavrar a terra e puxar os bois que são adornados de fitas coloridas. Ele é acompanhado pelo som das castanholas das mulheres, enquanto incita os bois à marcha: EH BOHI, EH, EH BOHI (muito semelhante ao EVOHE)!

Símbolos no Altar e no Ritual: a vassoura, a coroa de luzes, as cruzes de Brígida, a vara fálica, fogueiras sagradas, a máscara de cervo ou outra alusiva ao Deus e própria do Carnaval, velas ou tochas consagradas, flores amarelas e brancas.

Ervas e Frutos: referem-se às ervas que florescem nesta época como o alecrim e as prímulas amarelas e as angélicas. Mas também os cravos brancos.

Pedras e Gemas: pedras que dão força e coragem para vencer obstácucomo o olho-de-tigre e a carnélia, ou pedras límpidas que atraiam a luz do espírito na matéria como o diamante e o quartzo branco.

Tipo Apropriado de Magia: feitiços com imagens, encantamentos de amor com imagens, magia de velas, operações de limpeza, iniciação mágica.

Incenso de Imbolg: Num almofariz pulverize as resinas e ervas e junte depois tudo numa mistura passível de ser moldada com os dedos na confecção de cones ou paus de incenso. Para agregar os elementos e transformá-los numa massa utilize goma-arábica.
6 partes de carvão litúrgico;
2 partes de resina de pinheiro;
1 parte de olíbano;
2 partes de óleo de cedro;
1 parte de óleo de eucalipto, 1 parte de essência de limão;
1 parte de verbena;
1 parte de tomilho bela-luz, 1 parte de jasmim;
1 parte de angélica;
10% do peso da mistura obtida em nitrato de potássio.


Deserto
Autor: Jean-Marie Le Clézio

Editora: Don Quichote
Ano:1980 (será brevemente reeditado por se encontrar esgotado)
Género: Romance
O autor: Jean-Marie Guatave Le Clézio nasceu em Nice, sul da França, em 13 de Abril de 1940, filho de um cirurgião britânico e de uma francesa da Bretanha.
Formado em Letras, trabalhou na Universidade de Bristol e de Londres, em Inglaterra. Com 23 anos ganha o Prémio Renaudot, um importante galardão francês, por um ensaio que ainda hoje é considerado magistral, "Le procès-verbal", tendo sido candidato ao Goncourt, considerado o prémio mais importante da língua francesa.
Depois de ensinar nos Estados Unidos, em 1967 cumpre o serviço militar na Tailândia, como cooperante, donde é expulso por denunciar a prostituição infantil. Termina o seu serviço militar no México.

Estadias prolongadas no México e na América Central durante os anos de 1970 e 1974 foram decisivas para o seu trabalho, tendo depois deixado as grandes cidades à procura de uma nova realidade espiritual.
Em 1975 publica “Voyage de l’autre côté”, uma obra em que dá conta do que aprendeu na América Central.
Le Clézio começou depois a traduzir as grandes obras da tradição indiana e, a partir da década de 1990, o escritor e a mulher começaram a dividir o seu tempo entre Albuquerque, no Novo México, as Maurícias e Nice.
Mais recentemente, a atracção do autor por paraísos terrestres fica explícita em livros como “Ourania” (2005) e “Raga: approche du continent invisible” (2006). Este último documenta a maneira de vida nas ilhas do Oceano Índico que se arriscam a desaparecer com o avançar da globalização.
Entre os trabalhos mais recentes de Le Clézio contam-se “Ballaciner” (2007), um ensaio acerca da história da arte cinematográfica e da importância do cinema na vida do autor. Um novo livro “Ritournelle de la faim”, acabou igualmente de ser publicado.
Le Clézio escreveu também vários livros infantis e juvenis, incluindo “Lullaby” (1980), “Celui qui n’avait jamais vu la mer suivi de La montagne du dieu vivant” (1982) e “Balaabilou” (1985).
Casado e pai de duas filhas, Le Clézio vive agora em Albuquerque, mas desloca-se frequentemente entre Nice e uma casa que possui na Bretanha.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos. Numa sondagem, realizada em 1994 pela revista francesa Lire, foi considerado como o "maior escritor vivo da língua francesa".
Com 68 anos, acaba de conquistar o Prémio Nobel de Literatura 2008. A academia sueca elogiou-o pelas suas novelas cheias de aventura, seus ensaios e sua literatura infantil. Em comunicado, o comité disse que Le Clézio é um autor "de novos começos, de aventura poética e êxtase sensual, explorador da humanidade além e abaixo da civilização actual".
A sua obra ultrapassa os 50 títulos, dos quais "O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto", "Estrela errante", "Diego e Frida", "Índio branco", são os que foram traduzidos em Portugal.


A obra:
A sua definitiva consagração como autor surgiu a par da publicação de Désert , em 1980, pelo qual foi distinguido pela Academia Francesa. O Comité Nobel sublinha que a obra de Le Clézio contém, neste livro, “imagens magníficas de uma cultura perdida no deserto do Norte de África, em contraste com uma descrição da Europa vista pelos olhos de imigrantes indesejados. A personagem principal do livro, Lalla, é uma antítese utópica da fealdade e da brutalidade da sociedade europeia”.

«O Deserto compõe-se de duas narrativas independentes: de um lado, a história de umaaventura colectiva, a dos nómadas do deserto exterminados pelas tropas do exército francês,por ocasião da colonização do Marrocos, entre 1909 e 1912; o menino Nour é testemunha desse drama. De outro lado, a história de uma aventura individual, a de Lalla, garota nascida no deserto e confrontada com a descoberta da civilização europeia.
A narrativa que mostra a exterminação dos nómadas do deserto é, pois, situada no passado. A figura central desse relato é Nour, nome árabe que significa “luz”, aliás a única característica física assinalada no personagem - “a luz de seu olhar” -, além do facto de serum adolescente, quase uma criança. Nenhum carácter ou papel particular o distingue dos outros personagens, mas o narrador faz dele o foco de percepção, o filtro pelo qual os acontecimentos e os outros personagens chegam ao leitor: se, no início, Nour pode servisto apenas como uma criança entre outras, um nómada entre outros, no desenrolar da
narrativa esse personagem destaca-se, adquirindo uma outra dimensão. Por meio do olharde Nour, apreendemos o mundo à sua volta: homens, mulheres, crianças, animais, os movimentos e ruídos do acampamento.
Lalla, protagonista da narrativa paralela, possui também um nome simbólico: além de significar “senhora”, aproxima-se do nome árabe Laïla, que quer dizer “noite”,contrapondo-se, assim, à “luz” de Nour. Na história de Lalla, o ponto de vista concentradona criança já estabelece uma correlação entre as duas séries de narrativas, já que a primeira mantém em Nour a sua focalização principal.
Outro ponto que une as duas narrativas é justamente a solidão dos protagonistas, outra característica da narrativa poética; desde o início do texto, Lalla é marcada por uma solidão mais radical do que a de Nour após o massacre dos guerreiros do deserto. Ela é órfã, seu pai tendo morrido antes de seu nascimento e sua mãe pouco depois. Sua situação é a de uma exilada, pois a sua tia Aamma leva-a para viver com sua família na
“Cité de planches et de papier goudronné” – espécie de favela – onde vivem longe de seu espaço e de sua tribo. Nessa sociedade, Lalla está apenas superficialmente integrada: conserva intacta sua liberdade de filha do deserto, semelhante à de seus ancestrais, os homens azuis.
Nour e Lalla, ele no passado, ela no presente da narrativa, seguem itineráriosparalelos. Nour e os homens azuis percorrem o seu caminho através do deserto, fugindo emdirecção ao Norte. Paralelamente, Lalla é obrigada a fugir do Saara ocidental e dirige-se parao Norte, embarcando depois para Marselha. Esses itinerários assinalam dois pólosespaciais: o Norte, que é o espaço das cidades, opondo-se ao Sul, o espaço do deserto, aliáso grande protagonista do romance. Se o deserto é, a princípio, apresentado como um lugar
árido e pobre –
“ce sable, ces pierres, ce ciel, ce soleil, ce silence, cette douleur” - , acabapor revelar-se como o lugar da felicidade e da liberdade; por outro lado, as cidades tidascomo um espaço mítico, de água e riqueza, mostram-se, finalmente, como um mundo semesperança, de injustiça e escravidão: “ces villes sans espoir, ces villes d’abîmes, ces villes de mendiants et de prostituées, où les rues sont des pièges, où les maisons sont des
tombes”.
Como o espaço, o tempo do romance parece funcionar sobre uma oposição: tempo datado, histórico e tempo não datado, fictício; ou seja, a saga dos homens azuis do deserto – que é objecto de uma narração no passado – parece estar, a princípio, nitidamente circunscrita na História, enquanto a aventura de Lalla – narrada no presente -, não apresenta pontos de referência temporais, aparece despojada de qualquer referência explícita à História. A narrativa, entretanto, dá a impressão de descrever um longo círculo espaço- temporal, a história de Lalla terminando exactamente onde se iniciou a de Nour e dos nómadas do deserto.
A estrutura de
Désert é, então, formada por duas narrativas aparentemente independentes; vários procedimentos de escrita permite distingui-las: a própria tipografia (disposição diferente na página), a apresentação (títulos e indicações), a organização (cronológica e não cronológica), o emprego dos tempos verbais (passado e presente) e o jogo de pontos de vista (focalização externa e interna). No entanto, existe uma série de correlações entre essas duas narrativas: a história de Lalla parece ser um prolongamento da aventura de seus ancestrais; as duas histórias inscrevem-se em um mesmo quadro geográfico; apresentam elementos recorrentes; há uma mesma aceleração rítmica e uma mesma mudança de focalização. Além das distinções e correlações, o autor interrompe muitas vezes o seu relato para integrar curtas narrativas nas histórias de Nour e Lalla, constituindo uma mise en abyme de narrativas.
O espaço, o tempo e a estrutura do romance assinalam o itinerário de Nour e seu povo e o de Lalla, ou seja, traçam itinerários paralelos que seguem uma mesma busca mítica: a do paraíso perdido da infância, da inocência, da natureza, da liberdade. O relato da longa caminhada dos homens azuis do deserto em direcção ao Norte, onde há água e terras para todos, tendo como guia um santo profeta, faz lembrar a narrativa bíblica do Êxodo: a fuga em direcção à Terra Prometida. Entretanto, o êxito da busca dos homens azuis só é alcançada por Lalla, muito tempo depois, quando volta ao deserto, símbolo da simplicidade e do despojamento, da unidade recuperada no paraíso reencontrado.

(…) Dessa forma, se o movimento de
Désert é o de uma busca, se o espaço é valorizado, maniqueísta, se o tempo é circular, a estrutura paralela e o estilo pontilhado de elementos da poesia, o romance de Le Clézio pode ser visto como uma narrativa poética.» (Ana Luísa Silva Camarani, da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP, em “A Poesia do Deserto”).

Fernando Pessoa, Rei da Nossa Baviera

Autor:Eduardo Lourenço

Editora: Gradiva Publicações
Ano (reedição): 2008
Género: Ensaio

O autor: Nasceu em 1923 na pequena aldeia S. Pedro de Rio Seco (Almeida, Guarda), filho de um pequeno comerciante, o mais velho de sete filhos.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, em 1946, onde permaneceu como assistente de Filosofia. Foi professor de Cultura Portuguesa entre 1954 e 1955 na Alemanha, exercendo depois a mesma actividade na (1956-58). Após um ano passado na Baía ensinando Filosofia, viveu, a partir de 1960, em França, leccionando nas Universidades de Grenoble e de Nice.
Ensaísta, professor universitário, filósofo e intelectual, foi associado de um certo modo ao existencialismo, sobretudo nos anos cinquenta.
Em 1981 foi-lhe atribuída a Ordem de Santiago da Espada e o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon.
Em 1996 recebeu o Prémio Camões e em 2001 o Prémio Vergílio Ferreira.
Em 2007 é distinguido pela com o título de doutor
honoris causa em Literaturas e Filologias Europeias.
Crítico e ensaísta literário, virado predominantemente para a poesia, assinou ensaios polémicos como
Presença ou a Contra-Revolução do Modernismo Português? (1960) ou um estudo sobre o neo-realismo intitulado Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista (1968).
Da sua vasta obra destacam-se reflexões sobre a cultura portuguesa, como o
Labirinto da Saudade: psicanálise mítica do destino português (1978); A Europa desencantada: para uma mitologia europeia (1994); O esplendor do caos (1998); A nau de Ícaro (1999) e A morte de Colombo. Metamorfose e fim do Ocidente como mito (2005).
Intérprete das questões da cultura portuguesa e universal, Eduardo Lourenço é tido como um dos mais prestigiados intelectuais europeus.
Debruçando-se sobre diversas temáticas, as suas análises são essenciais para quem procura entender o lugar de Portugal na Europa.
A obra:Escolhemos esta sua obra, escrita em 1986 e reeditada este ano. Trata-se de um ensaio sobre Fernando Pessoa, depois de já ter escrito, uns anos antes, Pessoa Revisitado.



«O lúcido estudo crítico de Eduardo Lourenço
– Fernando, rei da nossa Baviera (1986) – analisa a mitificação do fenómeno Pessoa e conclui que foi ao acrescentar à consciência da inexistência do eu um elemento sacrificial que o autor de Mensagem erigiu-se em mito. Como Luís, rei louco da Baviera, seu irmão gémeo por dentro, prisioneiro de idênticos fantasmas, amante da morte e herói da impossibilidade de amar, Fernando Pessoa tornou-se ninguém e assim permitiu-nos visitar “a sua barca de melancolia sem reparar, como ele, que a paisagem é uma colecção de imagens sem sentido, sendo a sua viagem perdida de antemão”»


«Quem sonhou todas estas ficções foi o passeante da Rua dos Douradores, um homem triste por não existir como se sonhava, irmão gémeo por dentro de Luís da Baviera, prisioneiro como ele de idênticos fantasmas. Enquanto se inventava poeta e nos sonhava mais angustiados do que somos, mais perdidos do que ele se sentia, mais tristes do que ele era, ia escrevendo como quem transcreve o sonho que o está sonhando, o livro do seu Desassossego. Não há na nossa literatura prosa mais luminosamente suicidária. Aí se despe da sua própria ficção, oferecendo-se sem resguardas como órfão de tudo, excluído voluntário dos outros e da vida, sonhador de todos os sonhos, sobretudo dos improváveis.»

Extractos de uma longa entrevista (conduzida em tempos por Luís Miguel Queiroz em “Retrato de um pensador errante”)
Como é que foi mudar-se de Portugal para França, naquela época?
Imagine o entusiasmo e o espanto de chegar a Bordéus [em 1949] e, na rua principal, ver uma grande faixa de propaganda do Partido Comunista Francês. Veja o que é sair do país de Salazar, atravessar o de Franco, que ainda era bem pior, e chegar a um sítio onde aquilo era permitido, como uma coisa normal.
Naquele momento, a França era o país da liberdade. Eu, que aqui cortara com os meus amigos comunistas – enfim, deixei de os ver, mas nunca cortei com eles: o Joaquim Namorado chamava-me “reaça”, mas sempre com um grande sorriso –, fui-me dar lá fora com muita gente do partido. Mas não era o mesmo PC, era um PC que culturalmente estava sob o fogo do olhar dos outros e que era o actor e o objecto de uma discussão que durou anos.
Quando eu cheguei a França, o PCF era dominante no plano cultural. Mesmo o Sartre, embora tenha travado a sua guerra, sentia-se muito fascinado. Era o espírito da época. Eu sempre estive interessado nessas discussões, e fui seguindo o que acontecia, mas as minhas certezas em relação ao que não podia admitir nunca variaram. É claro que havia a esperança de que as coisas melhorassem. A URSS podia ter seguido outro caminho, as coisas podiam ter acontecido doutra maneira.
Uma das frases mais profundas que alguma vez li é do Pascoais: “O futuro é a aurora do passado”. É mesmo isso. O tempo vai re-iluminando o passado de uma outra maneira. Naquela altura só se via o mundo capitalista e, do outro lado, a URSS. Uma guerra fria com possibilidades de se tornar quente. Os espectadores tinham de tomar partido, a menos que não estivessem neste mundo. Era uma discussão infinita entre a democracia burguesa, no melhor dos sentidos, e essa nova proposição que representava a Europa de Leste, dominada pela URSS. Mas a verdade é que não dávamos muito pelo principal actor, que já então eram os Estados Unidos.
Formei-me a sério nessas preocupações de tipo político e ideológico em França, porque a discussão era contínua. Se estivesse na Inglaterra, teria sido diferente. Mas ali era impossível escapar. E tínhamos a convicção de que estávamos a discutir o futuro do mundo, até pelo papel cultural da França, que ainda era muito importante. Estou mesmo convencido de que uma parte daqueles desvios, daquelas estranhezas da União Soviética, não teriam sido possíveis sem a conivência da cultura francesa. No fundo, penso que a cultura francesa foi verdadeiramente a grande sala de propaganda do estalinismo, mas também o lugar onde ele foi discutido e tomado a sério.
Também se discutia na Inglaterra e nos Estados Unidos, mas não naquela tradição hegeliana e marxista de pensar que era a da Europa em geral, e da França em particular. Daí o papel que teve alguém como Sartre. Não é alucinação nossa pensar, retrospectivamente, que era assim. O que acontece é que a França já não tem esse papel, mas na época tinha-o. Creio que o que a galáxia marxista, como se lhe chamou, deu à experiencia soviética foi muito importante, e nem sempre positivo. No plano cultural, foram os Aragon, os Éluard (numa primeira fase), os Pulitzer, os Garaudy, e depois o Edgar Morin daquela altura, e o Sartre, e o Merleau-Ponty. Quando se pensa que Merleau-Ponty escreveu um ensaio inteiro, chamado “Humanismo e Terror”, a racionalizar e a querer compreender como fazendo parte da história do mundo, e sobretudo da história ideológica do Ocidente, os comportamentos do Vichinsky, aqueles falsos processos de Moscovo, que eram julgamentos policiais do mais baixo estofo, vemos bem em que delírio a inteligência – os melhores, como o próprio Merleau-Ponty –, pode cair em determinados momentos. Eu participava nestes debates como observador, e estar lá não era o mesmo que estar em Portugal. A cultura de referência marxista era hegemónica nas universidades francesas, especialmente em alguns departamentos, como o do Hispanismo, onde um dos jovens mestres, Noël Salomon, especialista de Lope de Vega, até era um cunhado meu. Eles estavam convencidos de que o partido jogava nessa frente de intelectuais a sua maior carta. Isto terminou em Maio de 1968, que, na aparência, foi contra o gaullismo, mas, na verdade, era um outro marxismo, uma outra esquerda, que vinha combater o PCF. E eles bem o perceberam, porque, quando chegou a hora, liquidaram o movimento, que era uma aventura que não interessava nada nem à URSS nem ao partido.

Afastou-se cedo do catolicismo e não se sentiu tentado pelo comunismo. No entanto, quem lê os seus textos mais recentes, fica com a impressão de que acha um pouco ingénuo que a Europa tenha visto no desmoronar do império soviético apenas uma boa notícia...
Sem dúvida. Não há aqui uma linha recta, não se passou de uma coisa sombria para se entrar na luz. É uma luz relativa. E o que se passou na URSS ao longo de todos esses anos, mesmo com os horrores que sabemos, não se passou em vão. Este país de hoje é herdeiro desse, não tem outra cultura teórica senão a que já tinha. Os capitalistas de hoje e os comunistas de ontem são os mesmos, são literalmente os mesmos. O presidente da República veio directamente do KGB. E não é só a herança dos 70 anos de revolução bolchevique, é também o que está por trás disso, toda a história russa. E é preciso ter noção do peso que representa esse regresso da Rússia, esse “outra vez a Rússia”.
É lamentável e dramático que a Europa pense que está completa sem a Rússia. Discute-se o problema de saber se a Turquia, que foi o inimigo tradicional desta Europa, deve entrar na nossa União – e até há razões pelas quais se possa admitir que o deva fazer –, e ignora-se a Rússia, que faz parte da Europa desde que nasceu, ou, em todo o caso, desde que se converteu à fé ortodoxa. Pode a própria Rússia não estar interessada, ou não estar nas condições que esta Europa em construção impõe aos candidatos à adesão. Mas o que é certo é que, assim, a Rússia é obrigada a fazer o seu próprio jogo. Não vai jogar com os Estados Unidos, por causa da oposição histórica, mas vai rejogar, por exemplo, com a China. E a Europa assiste a isto sem saber o que há-de fazer. A Rússia é o maior parceiro que a Europa tem, mas andamos a pedir batatinhas, para o gás, para isto e para aquilo. Para mim, é espantoso haver esta cegueira.

Acha que a Europa não nos interessa?
A nossa entrada na Europa foi um acontecimento capital na história portuguesa moderna. Agora estamos na Europa, politicamente e comercialmente, a tempo inteiro. O nosso espaço é objectivamente o da Europa. As nossas empresas têm de ter uma dimensão europeia, se não afogamo-nos aqui e enfrentamos uma regressão que não poderemos suportar. Mas nem por isso conhecemos mais a Europa. Não é só Portugal. Os países continuam culturalmente muito em casa, separados não só por uma história de séculos, mas pelas suas diferentes línguas. E nada separa mais do que as línguas. Quantas mais línguas falamos, mais pátrias temos.
E agora temos todos uma espécie de nova pátria, que é o inglês. Ontem assisti a uma coisa fabulosa. O filósofo francês Jacques Rancière veio aqui ao Porto falar da perda do olhar crítico no actual discurso sobre o mundo, e fez a conferência em inglês. Um europeu francês, língua de cultura dominante durante três séculos, veio cá falar em inglês. No final, o Guilherme de Oliveira Martins, que era o moderador, fez-lhe uma pergunta em francês e ele, francês, respondeu em inglês. Uma coisa surrealista, mas que é típica deste mundo em que vivemos. Um filósofo conhecido e importante, ao mesmo tempo que faz um discurso muito crítico de alguns dos efeitos da globalização, assume, quase como um reflexo, o inglês como língua da globalização. As novas gerações têm agora essa leitura do mundo em inglês, para efeitos práticos. A alguns o inglês também lhes permitirá aceder a uma grande literatura. É uma coisa excelente. Como o foi o francês na minha geração.






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